segunda-feira, março 24

Afroditúbaro

Acarinhava com afecto profundo a minha filha quando, da cozinha, alguem me interpela em tom de desafio. Fogacho, anda cá ver isto! Larguei a carne da minha carne e encaminhei-me até à divisão onde se confeccionava o repasto da Páscoa. Sim, senhora minha sogra, chamou por mim?, perguntei respeitosamente à matriarca do lar. Vê lá se sabes o que é isto!, ripostou, em formato de troça, a senhora minha sogra, apontando para um objecto esbranquiçado, em forma renal, que jazia na base de um copo. É um calhau, senhora minha sogra?, arrisquei na primeira tentativa, frustrada pelo denunciador sorriso de troça da senhora minha sogra. Uma amêndoa da páscoa?, inquiri novamente, já conformado com novo tiro falhado. Mais risota de zombaria, rematada com o esclarecimento da senhora minha sogra: Não Fogacho, isto é 'aquilo' do galo! Esclareci-me, sem nunca antes ter imaginado que um galo poderia arrastar consigo um órgão testicular daquela volumetria. Petisquei, por cortesia, o frango (do campo!) e atasquei-me ao borrego. Em contrapartida, a Maria repetiu três vezes o fricassé e ainda trouxe uma tupperware para casa

quarta-feira, março 19

Abundância

Começar o dia entalado no elevador com a mulher que acabara de me elogiar o corte da ganga. Prosseguir para almoço em agitada tertúlia sobre desarranjos intestinais, consistência de poias e aromas fecais. Regressar ao poiso e receber de um amigo esta preciosidade de Carlos Drumond de Andrade:
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai pela frente do corpo.
A bunda basta-se.
Existe algo mais?
Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas sem rotundo meneio.
Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte por conta própria. E ama.
Na cama agita-se.
Montanhas avolumam-se, descem.
Ondas batendo numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda.
Vai feliz na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda redunda.
...
Há dias de cu que não fedem a merda

segunda-feira, março 17

Conversa de surdos

Metafórico: Bem... está uma brasa lá fora...
Literal: Pois é... parece Verão!
Lírico: Ai... o calor amolece
Conclusão: os metafóricos são incompreendidos, os literais não compreendem e os líricos não se safam

sexta-feira, março 14

Atura-a tu!

Estúpido: Já tens amigas Cice?
Ingrata: Sim
Estúpido: E quem são as tuas amigas?
Ingrata: A Não-sei-quem e a Não-sei-quantas
Estúpido: E de quem é que tu gostas mais?
Ingrata: Da Não-sei-quem e da Não-sei-quantas
Estúpido: Mas de quem é que tu gostas mais-mais-mais?
Ingrata: Da mãe e do pai!!
(depois de recomposto do sufoco de um ego insuflado)
Tão estúpido: E gostas mais da mãe ou do pai?
Tão ingrata: Da mãe!!
(passas a ir a butes para o infantário)

quarta-feira, março 12

Última hora!

Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Uma mentira repetida muitas vezes...

segunda-feira, março 10

Imensa ementa

A ordem desarbitrária de um jantar onde não conhecia rigorosamente ninguem:
1 - começar por agitar toda a comunidade de taxistas cabo-ruivense para dar com os comes
2 - reencontrar um colega de turma de há 20 anos atrás
2.1 - relembrar-me que cheguei a ser apelidado de Primão por ter o dobro do tamanho dos restantes colegas de sala
2.2 - relembrar-me que a professora de inglês poderá estar a cumprir pena pelo gostinho que tinha por tenrinhos
3 - conhecer a amiga da ex-namorada de liceu e vizinha de uma colega que não me dirige palavra
4 - ser servido por uma empregada no limiar da menopausa e de esperanças pela quarta ocasião
4.1 - ver um suculento choco grelhado devolvido à procedência por ter as pontas dos tentáculos carbonizadas
4.2 - servir-me à indiscrição de sangria discreta, ou xarope de groselha com um piquinho a tinto e um pau de canela
5 - apanhar um cachaço de esmagar as cartilagens vertebrais de uma miuda giríssima
6 - desfrutar do repasto ladeado por infindáveis mulheres giríssimas
6.1 - entre o agrupamento de mulheres giríssimas, a minha própria Maria, que insuflou estupidamente que nem um peixe-lua só porque uma motard giríssima lhe elogiou as feições desmesuradamente giríssimas
7 - tomar conhecimento das performances sexuais de algumas figuras públicas
7.1 - tomar conhecimento dos alegados atributos das acima referidas figuras públicas
8 - saber que o Estado financia recriações, em escala 1:1, de batalhas napoleónicas
9 - defraudar as expectativas da miuda giríssima do cachaço por não ter pronunciado uma única obscenidade
10 - ah... e tudo pela módica quantia de 10 euros/cabeça

sexta-feira, março 7

Varriações

Reporto relato recorrente referente ao raio do rato que roeu a rolha da garrafa de rum do rei reformista Romanov da Rússia, reles que rebolava nas resmas de rameiras rançosas, roçando-lhes a rosca nos refegos dos robustos e roliços rabos requentados por ranchos rançosos e ruins. "Raça de um raio", raivou ruidoso o regente repelente!
Adaptação livre, aumentada e particularizada da ladainha retirada do Trava Linguas, oferenda dos meus estou-quase-nos-entas

quarta-feira, março 5

Descarga emocional

Tez morena. Pele que se adivinha aveludada, ainda sem sulcos da idade casmurra. Olhos amendoados e de fito terno, fixado, diligente, no monitor que lhe debita o dedilhar. Camisa justa. Curvas definidas e serpenteadas até à ganga das calças. Reforça-lhe o charme informal, sem lhe retirar rectidão no empenho das tarefas. Em suma: a nova estagiária é muito gira, bem composta e dedicada. Não fosse estar bem à entrada dos balneários, havia ali potencialidade para alguma química. A descarga do autoclismo dos homens faz um chavascal que um gajo não passa discreto. Nem que assobie

segunda-feira, março 3

Carne picada

Katherine Von Drachenberg, ou Kat Von D, é uma artista que encarna, literalmente, os dotes invulgares do retratismo. Ícone - para mim - da reallity-soap Miami Ink, Kat justificava as minhas incursões por madrugada fora no People + Arts. De traço seguro, a giríssima artista - na minha opinião - imortalizava, com assustador pormenor, canídeos no lombo de tristes donos, que ainda choravam a perda do fiel amigo enquanto alfinetados. Ou uma Virgem Maria semi-desnudada nos bíceps de motards crentes em seitas alternativas. Ora a Kat zangou-se com o mal-humorado patrão do famoso salão tatuador, Ami James, um judeu de feitio irascível, e montou negócio próprio, também sob testemunho televisivo, baptizado, de forma original - digo eu - por LA Ink. Se ainda avançar para uma ideia antiga, contratarei os serviços desta mulher que se despe para nos mostrar a família

sexta-feira, fevereiro 29

Extremamente extraordinário

Darren Lamb, um agente incompetente de actores incompetentes, ganha uma aposta entre um colegiado de engatatões. Sem grande primor, nem competência, convence Maggie Jacobs, uma figurante empacada e com palato para o tinto, a um jantar romântico. Na sua residência, Darren prepara uma refeição de paladares afrodisíacos, que merecem o acanhado elogio de Maggie. Segue-se um silêncio de constragimento que se arrasta até à sobremesa. Enquanto Maggie se atasca à enorme cassata de gelado, Darren decide aliviar-se. Volta para junto da conviva e espera, embaraçado, que finalize a primeira descarga de água. Regressa à casa de banho e acciona mais uma vez o autoclismo. Enfurece-se. Corre para a cozinha, mune-se de um saco de plástico e uma varinha mágica. Maddie, ainda a raspar o fundo à taça, diz-lhe que não é necessário. Darren insiste em finalizar o trabalho, porque o que estava ali não era bonito de se ver. Maggie pega no casaco e esgueira-se pela porta de saída, enquanto Darren se debruça sobre a sanita para a penosa missão de esfarelamento. Se me pagassem bem, passava o resto da vida a visualizar comédias da BBC deste calibre EXTRASordinário
...
PS: créditos ao Pescada, um colega beto com jeitinho para condensar uma série inteirinha numa base de copos platinada

quarta-feira, fevereiro 27

Escalpe

Noticiava ontem a imprensa que um bando de patifes quis golpear o colunista-comentador desportivo Rui Santos com um barrote. Os jornais relataram que o proprietário da carapinha mais encaracolada da raça caucasiana "repeliu o ataque com pontapés, tendo gritado para chamar a atenção". Ora aqui fica a lição para todos: há feitios de vida que podem salvar uma vida... e o couro... cabeludo!
PS: sou, naturalmente, contra agressões bárbaras à paulada. Mas se querem silenciar esta figura, no lugar de umas traulitadas assentem-lhe com uma rolha no ego. À velocidade que o mesmo insufla, rebentava num instante

segunda-feira, fevereiro 25

Dioptrias

Vazava a bexiga no urinol quando se abeirou de mim um amigo em angústia. Enquanto também se aliviava, solicitou-me que olhasse para ele, ao que acedi com algum melindre. Seguiu-se uma desconfortável surdina. Eu a fita-lo com embaraço e ele em semblante de expectativa, ao mesmo tempo que disparavamos sobre a cerâmica alva de Valadares. Um par de segundos volvidos, perguntou-me se lhe vislumbrava algo diferente na aparência. Procurei com desvelo uma verruga, uma borbulha viscosa ou um pêlo encravado... mas nada. Insistiu ele para que indagasse melhor. Olhei de novo e uma outra vez... e nada. "Estás na mesma", respondi acertadamente. Exalou um consolado bafo fedorento, sacudiu o pirilau, recolheu-o nas intimidades, desembaraçou as cuecas do rêgo do rabo, aliviou a expectoração amarelada que lhe balouçava na garganta e esclareceu: "Anda uma gaja embeiçadinha por mim a dizer-me que tenho um ar sensível"

sexta-feira, fevereiro 22

Gritar deles, gritar com eles, gritar por eles

- O inverso da desproporcionalidade demencial: esquecer-me de tomar o comprimido para a memória e, ainda assim, lembrar-me de ver o Benfica
- O reverso da qualidade cromática: ver 11 monos a tropeçarem nos atacadores e, ainda assim, estar tudo (de) cor-de-rosa

quinta-feira, fevereiro 21

Best seller

Foi lançada no pretérito dia 19 uma edição limitada com a extraordinaria compilação de variadíssimos posts deste espaço magnífico. A escolha foi criteriosa e o intuíto da iniciativa de rigoroso exclusivo. Tão exclusivo que foi decidido pelos agentes livreiros imprimir um único exemplar, gentilmente atribuído à minha pessoa pela produtora, editora e paginadora da obra, a mesma que, por feliz acaso, me trata dos pêlos encravados no recato do lar. A colectânea traz anexada a generosa avaliação de uma insuspeita, e desinteressada, comunidade de escrupulosos críticos literários. A todos um muito obrigado pelo afago no ego
...
Prometo que, numa segunda edição, já figurem concisas considerações do meu superior hierárquico, rematadas com uma nota final do queixinhas que se lhe chibou

quarta-feira, fevereiro 20

A prenda que nunca mais

Cumpridos ontem 34 anos de vida, retenho dois motivos de inquietação. O primeiro: os entas estão já ali ao virar da esquina. O segundo: ainda não foi desta que me presentearam com uma conviva bem proporcionada a sair de um bolo besuntado de natas. Isso é que era

segunda-feira, fevereiro 18

Glup, glup, glup!

Rebento de uma megera mal parido. Deves ser tão, mas tão cabeçudo que só foste alumiado pela luz do dia à força de forceps. Acharás um piadão andar três ou quatro dias a municiar a bexiga para, depois, de um só alívio, descarregares litradas descontroladamente. Deixa-me que te diga, oh santinho de pau oco, que és um mijão barbudo e devias levar umas traulitadas do teu chefe Deus, que deve também estar a divertir-se com o trânsito caótico por Lisboa. Oh São Pedro, já te chamei rebento de uma megera mal parido? Já?! Pronto,então já desabafei!
...
(quase duas horas para fazer um trajecto de dez minutos. f#&£-se!!)

sexta-feira, fevereiro 15

Acendelhas

A Parvónia, que forneceu um punhado de convivas para uma mega campanha publicitária de uma empresa de fornecimento de electrodomésticos e DVD's, está indignada com a birra dos escuteiros portugueses. Os nossos escutas desencadearam uma luta judicial que promete arrastar-se até ao tribunal europeu dos direitos humanos. Aqueles rapazes de gorro na cabeça, garrote no pescoço, calção a meia perna, soquetes brancos e botins consideraram-se achincalhados na dignidade e não encontram motivo para o escárnio. No meu entendimento, grupos de matulões e matulonas com vestimentas colegiais, que cagam na mata, entoam canções compostas por colectividades cristãs e às oito da noitinha arrumam-se em sacos-cama individuais não são parvos. São, vá lá, extravagantes, com costumes desusados e uma vocação singular para fazer fogueiras

quinta-feira, fevereiro 14

Fantexter!!

Brilhante e hilariante. Demolidor e arrasador. Cru e cruel. A prova que não existem só americanos estúpidos e que há um bom punhado de aberrações levianas e insensíveis que conseguem deliciar-nos de tanto rir. Estou fã

quarta-feira, fevereiro 13

Workaholica

Eu desisto! Deve ser daquelas que só pensa no trabalho e na progressão na carreira. Tentem vocês

terça-feira, fevereiro 12

A revolta do pastel de nata

Cara Carmen... desculpar-me-ás a cacofonia, mas introduzo-me (isto também não fica nada bem) com a estima que mereces. Não te recordarás de mim com igual intensidade. Pelo menos com os mesmos pedaços que guardo de ti, junto dos aromas que me cravaste na memória. Lembro-me de quão bem formada eras. De peitos copiosos, que pareciam insuflar quando trazias a blusa vermelha estampada de bolinhas brancas, como pequenos flocos de neve prestes a liquefazer-se sobre o calor da tua pele. E das justas calças de ganga que relevavam as roliças formas das nádegas que aquentavam o assento de pinho da cadeira de trás da sala de aula. Falávamos pouco. Mesmo quande te sentaste junto a mim no Planetário. Temias que Júpiter se arrochasse na tua cabeça e seguraste-me pela primeira vez o braço. Logo depois, ferraste-me as unhas envernizadas quando o brado do trovejo nos estilhaçou os tímpanos. À saída, pediste-me desculpa pelo hematoma no antebraço e correste para os pastéis de nata antes que o autocarro nos levasse de volta. Chegaste esbaforida, sugando a massa que restava nos intervalos dos dentes. Ficaste de novo a meu lado. Comecaste a ruborescer. Confessaste, em surdina, que sentias um nó na barriga. Voltaste a ofegar. A voz saía-te aos tropeços. Balbuciavas palavras indefinidas por entre os lábios carnudos. Dilataste as bochechas e vomitas-me o pastel carcomido, já com a fragrância biliar

segunda-feira, fevereiro 11

Para a semana é que é!

Estou a caminho dos 34 anos. Tenho responsabilidades. Uma filha para criar.Uma Maria para aturar. Contas para pagar. Um chefe para embirrar (e um chibo para me deleitar). Enfim, uma série de merdas para cuidar. Sei que não cura. Que não resolve. Alguns difamadores invejosos garantem até que estupidifica. Mas a todos afianço que um fim-de-semana prolongado a dedilhar em teclas, galgar níveis e marrar com o Darth Vader é mais terapeutico que receituários de drogas ansiolíticas. E até quase se passa incólume ao trágico desapontamento de se ter estourado mais de dez euros num zeromilhões

sexta-feira, fevereiro 8

Cabedal

Com Estofal, você, que é um animal, nem pense em chavascal sobre o dote peitoral da senhora do spot promocional. Acabou-se o carnaval e a menina ainda leva a mal. Mas que bom material, o do Estofal. Fenomenal cabedal!

quinta-feira, fevereiro 7

Porca miseria

- Viste aquilo ontem?
- O jogo?
- Sim, que vergonha
- Não levámos mais porque eles estavam a jogar com os reservas
- Bando de ciganos!
- Mas isso é o Quaresma
- Equipa de prima donnas!!
- Mas isso são as mulheres dos italianos
- Parecia que estava tudo grosso!!!
- Mas isso era um jogador italiano
- Cambada de amelias!!!!
- Mas isso era o guarda-redes italiano
...
O que custa não é ser aviado por 3-1. O que realmente custa é perder contra com uma equipa que tem um Amelia na baliza e um Grosso a fazer cruzamentos letais

quarta-feira, fevereiro 6

Engenharias públicas

Uma campanha feroz do Público tenta infamar o nosso primeiro-ministro. O diário começou por falar de projectos camarários de outrens subscritos por José Sócrates, aquando do seu ofício de engenheiro técnico na Covilhã. Sem se deter, o mesmo jornal avançou, 24 horas depois, com outra denúncia. Sócrates ter-se-ia empenhado em outras actividades quando era subsidiado para exercer, em exclusividade, o cargo de deputado. Por outras palavras, Sócrates usufruia indevidamente de um acréscimo ao vencimento parlamentar, que o obrigava a dedicação absoluta ao desígnio sufragado pela vontade popular. Tenho para mim que,dentro de ano e meio, o povo condenará com vemência esta teimosa tendência do Público em escarnecer de Sócrates. A serem verdadeiras as denúncias, o líder do Executivo limitou-se a materializar duas características tão peculiares dos portugueses: ajudar os próximos, assinando projectos de amigos, e ajudar-se a si próprio, quando arranjou uns biscates, o que não merece reprimenda, que a vida está má para todos
...
Se observarmos com atenção o
portfólio que o Público reuniu sobre os referidos projectos na Covilhã, chegaremos facilmente a duas conclusões: se os mesmos não foram idealizados por Sócrates, isso só abona a favor do primeiro-ministro. Por outro lado, face ao que nos é mostrado, os outrens não têm mesmo jeitinho nenhum. Em abono da verdade, eu consigo fazer coisas bem mais engraçadas em moldes de plasticina

sexta-feira, fevereiro 1

Heterodoxia que desconhecia

Micoso: Eh pá, viram o golo do Cristiano Ronaldo?
Barrigudo: Fenomenal!
Requintado: Uma obra de arte!!
Estudioso: Grande biqueirada!
Perfeccionista: Foi na gaveta!
Exagerado: O melhor golo de sempre!
Descritivo: A bola sobe, depois desce e depois desvia pá direita
Oportunista: É isso... parecia teleguiada
Esperto: Foi um golo heterodoxo, não acham?
...
(silêncio+estupefacção+silêncio+constrangimento+silêncio)
...
Micoso: Eh pá, viram as novas mamas da Floribella?

quinta-feira, janeiro 31

Semana malukula

- Quinta-feira passada:
*** "Makukula vai para o Benfica" ***
Campeões! Campeões!

- Sexta-feira:
*** "Makukula só vem no final da época" ***
Pronto... para o ano é que é

- Sábado:
*** "Makukula afinal vem já" ***
Nunca menos de 50 golos!

- Domingo:
*** "Makukula não vem!" ***
Temos o Cardozo

- Antes de anteontem:
*** "Makukula já vem outra vez" ***
Vende-se o Cardozo!

- Anteontem:
*** "Makukula fica na Madeira" ***
Chega-nos uma perna do Mantorras

- Ontem:
*** "Makukula assinou pelo Benfica" ***
Já ca canta o Van Basten de Kinshasa

quarta-feira, janeiro 30

Ana Narcisa

Sob a eventualidade de ser delatado mais uma vez pelo olho cirúrgico do leitor-que-denuncia-os-meus-posts-ao-superior-hierárquico, arrisco corajosamente discorrer sobre as curtas (destaco, muito curtas!!) pausas na obstinada (saliento, obstinada!!!) labuta no meu feudo laboral. Ora nesses fugazes períodos (acentuo, fugazes!!!) são frequentes as improvisadas tertúlias sobre o raciocínio dedutivo de Descartes, o empirismo de Hume ou a fenomenologia espiritual de Hegel. Nos intervalos dessas pausas (coisa de segundos, para que fique bem claro ao linguarudo queixinhas), polvilha-se a permuta de argumentos filosóficos com o novo site da Ana Malhoa (não se precipitem que está ainda em fase de construção). Não obstante o estado embrionário do sítio, sempre podemos dele inferir algumas referências implícitas ao relativismo de Rorty, quando a artista Ana promete inspirar sempre as nossas fantasias mais exóticas. Ora, sempre é relativo, quando proliferam alternativas como Monica Belluci, Helena Christensen, Laetitia Casta ou Sophie Marceau. No mesmo espaço, a artista garante estar de regresso às lides (!?!) quer a gente goste ou não, sustentando-se, neste caso, no objectivismo de Nagel, quando, na verdade, está a esboçar encapotadamente uma nova corrente do pensamento narcísico-iluminista, que cega de tanto candear o amor próprio
...
(e pronto, não se apoquente atento leitor-delator, que já estou de regresso ao trabalho)

terça-feira, janeiro 29

Momento Kodak

Uma aturada busca nos meus empoeirados arquivos fotográficos resultou na frutuosa descoberta de um documento que serve perfeitamente para fazer pirraça aos sportinguistas. Insuflados por uma vitória mais fortuita que uma cautela premiada da Lotaria do Natal, esquecem-se os lagartixos que encaixaram derrotas tão ou mais vexatórias que a sofrida domingo pelo fêcêpê (também não tenho pena nenhuma). Passava o ano de 1997. Para ser mais preciso, vivíamos o dia 05 de Abril. Um plantel gerido pelo timoneiro Manel Zé, onde pontificavam guerreiros como Marinho, Luiz Gustavo, Ramirez, Walter Rodriguez ou Lúcio Wagner, vergou a soberba sportinguista com um golo solitário de João Pinto, um jogador que vem a arrastar-se pelos relvados desde os gloriosos tempos da Luz. Valdir, um dos maiores ícones da artilharia benfiquista e o decalque genético do nosso presidente, ficou, desgraçadamente, em branco. No entanto, a pecha ficou colmatada entre a hostes encarnadas com a expulsão de Pedro Croissant Barbosa, um praticante de feitio imaculado. Em suma, uma noite bem passada entre os jovens convivas. Hoje, mais de uma década depois, homens barrigudos e mulheres flácidas. Feitas as contas, só mesmo eu é que me aproveito

segunda-feira, janeiro 28

Adeus Becas

- Cice!!!
- Sim?...
- Onde está a Becas?
- Num sei!
- Não sabes? Onde puseste a cão??
- Num sei!
- Ai Cice... o que é que foste fazer??
- Num sei!
- Carregaste em algum lado?
- Aqui!
- Onde??? Onde??
- Aqui (donate a dog)!
...
(uma pessoa afeiçoa-se aos animais, dá-lhes água, comida, alinha em giros pela rua, recolhe as cacas, enfim... e agora sou atraiçoado pelo acesso de altruísmo da pequena!)

sexta-feira, janeiro 25

O paiol

Caros agentes da autoridade, particularmente brigadas de inactivação de engenhos explosivos; em virtude dos recentes, e preocupantes, relatos sobre malas abandonadas por todo o território nacional, dirijo-me-vos com preocupação e alarme. No hall de entrada da minha residência, junto à base do bengaleiro, estão despojadas duas malas, uma de nylon azul-marinho e outra em sarapilheira de tonalidade saca de batatas. Na divisão que serve de área de dormidas, parece-me também esquecida uma mochila em bombazina verde-azeitona. Um pouco mais à frente, definha uma outra em técnica de macramé, mas não menos perigosa. Se seguirmos pela assoalhada da minha filha, peço-vos cuidado redobrado para não tropeçarem na dezena de pequenas valises do Pooh, Kitty, Winx, Gata Borralheira e outras lindas princesas. Na sala, desconfio da Louis Vuitton com chancela da Feira de Carcavelos. Por se adivinhar um barril de pólvora, solicito aos caros agentes que me desamparem o espaço, sob o risco de, num futuro próximo, não conseguir caber neste armazém de assessórios terroristas

quarta-feira, janeiro 23

Meia informação

"Pedro Tamen foi galardoado com a primeira edição do prémio literário Inês de Castro", in Correio da Manhã.

Então e qual foi o outro, Pedro?

terça-feira, janeiro 22

Que juiza Tabbela

A criatura esparramada sobre o tampo verde aveludado de uma mesa de bilhar, como se pode atestar pelas bolas que se propagam na imagem, é pessoa de responsabilidades desportivas de projecção planetária. Michaela Tabb, que na mesma imagem parece atrair-nos para uma bisca, é árbitro internacional de snooker e acaba de ajuizar um torneio em Londres que premiou o vencedor com um cheque de valor superior a 200.000 euros. Ao longo de mais de duas horas e meia de aguerrida final, as tacadas dos dois compitas, dos quais não me recordam os nomes, eram intervaladas pelas acertadas intervenções de Michalea. Para gáudio das audiências, a juiza esfoliava as esferas de marfim com o encanto de uma fricção branda mas assertiva, devolvendo-lhes a imaculada centelha de um objecto sem atritos. Até este último domingo, o snooker dava-me sono

segunda-feira, janeiro 21

Sensibilidade vesicular

Ponto prévio: sou apartidário. Depositei apenas três vezes um boletim de voto nas urnas. A primeira, quando atingi a maioridade e para ajudar a eleger Edite Estrela à Câmara Municipal de Sintra. Borbulhava-me descontroladamente a testosterona e, em reconhecimento às decotadas saias da filóloga aquando dos ensinamentos televisivos sobre a língua pátria, ofereci-lhe a minha cruz. Somando os dois referendos ao aborto, fica concluído o meu contributo cívico. Tenho o âmago diluído em convicções mais à esquerda, mas teimo em desinteressar-me por toda a classe. Identifico o mesmo móbil de procedimentos para quem se diz dextro, meio-termo ou canhoto de ideiais políticos. Como insiste a vox populi, são todos da mesma lavra. Serve o (já) extenso preâmbulo para deixar o meu repúdio biliar ao aproveitamento político da morte de uma criança de dois meses na Anadia, associando-a ao encerramento de um serviço de urgências. Com uma objectividade assombrosa, o pai do bebé louvou a celeridade e o cuidado do INEM e até admitiu que o filho já pudesse estar morto ainda antes do pedido de socorro. Mas não. A facção oposicionista aprontou-se a associar a morte ao encerramento das urgências, capitalizando a indignação popular para aviar nova traulitada ao governo socialista. Sócrates reagiu e chamou-lhe "politiquice, demagogia e maledicência". Foi (muito) meigo. A mim bastar-me-ia chamar-lhe inadjectivável, tanto quanto a dolorosa tragédia de perder um filho. Sugiro que todos os partidos da oposição reclamem o direito potestativo para agendar compulsivamente uma audiência parlamentar com o ministro da saúde e vergasta-lo publicamente pela sua incapacidade do divino milagre

sexta-feira, janeiro 18

Café de sala

Um cafezinho... Vá, dois. Bem... cinco cafezinhos! Reformulando. Toda a produção da Delta, Nicola e Sical liquefeita numa gigantesca tina para arrebitar a equipa e brindar à contratação do novo reforço do Glorioso, Sepsi (?!?!). Para quem, como eu, desconhece o atleta do Gloria Bistrita (atenção ao bom vaticínio do emblema romeno) e franze o sobrolho às precipitadas comparações com o Maldini (?!?!?!), pode consultar o Dicionário da Lingua Portuguesa. Ora, por aproximação ao nome original, o manual dita o seguinte sobre Sepsia: invasão de um organismo por microrganismos; corrupção ou putrefacção de tecidos ou substâncias orgânicas. Se desmontarmos a metáfora de mau agouro, adivinha-se um futuro terror para as equipas adversárias. É que ninguem lhe toca!
...
Nota de fundo: parece que afinal já não vem o Makukula, um Van Basten de tez mais escura. Falou-se também no Dica, o Gullit da Roménia, e no regresso do Tiago, um típico Rijkaard a arrastar-se por Turim. Para desespero de Arrigo Sacchi... perdão, Zé António, falta o carcanhol para satisfazer esta orgia de referências. E uma coisa é o monopólio dos media num país inteirinho, outra são os proveitos da venda de pneus. Oh Sala, sai mais um café, fazes o favor
Nota para os fundos: Desinteressado leitor-que-denuncia-os-meus-posts-ao-superior-hierárquico. Como pode atestar, hoje sai assim uma coisa levezinha, que não ofende nem metaforiza indiscriminadamente. Peço é desculpa por ter abordado temática que, provavelmente, o caro delator... perdão, leitor, percebe pouco ou quase nada. Mas pronto, sempre tem o António Sala, frequência assídua nos transistors lá das bandas hertzianas das suas origens modeladas

quarta-feira, janeiro 16

Queixinhas!

Para a criatura songamonga que contribuiu para o pulo significativo nas visitas a este blog. Não é um gesto bonito, mas é o que me ocorre para presentear a existência delatora. E como se aproxima o Carnaval, sempre pode dar vazão à folia e saciar o esfincter com o médio em riste anexado
PS: afinal, sempre há carapuças que sirvam na eminente fronte do Daniel Sampaio

segunda-feira, janeiro 14

Chavez do coração

Goza, com apurado acerto, de George W. Bush. Goza com o eleitorado venezuelano depois de ser gozado no referendo de ensejo absolutista. Goza com o governo colombiano. Goza de rara influência junto dos rebeldes das FARC. Goza com a escalada do preço do barril de petróleo. Goza da reverência de Sócrates. Mas agora, só pode estar a gozar comigo!!!

sexta-feira, janeiro 11

Rabo da fornalha

As notícias dizem: O filme "Call girl" atingiu a fasquia dos cem mil espectadores ao fim de onze dias de exibição nas salas portuguesas
Eu digo: Já não há cu para a Soraia (ou então é do gancho das calças)

quarta-feira, janeiro 9

A cura

Despertei com o terror do mal que se entranhava pelo corpo. Já não era apenas metade de mim que definhava com a dor. Os olhos raiavam em sangue, num desconforto que se liquidificava em lágrimas incontidas. Escorria-me na face o desconsolo turvo de uma visão do mundo que se distorcida. Saí para me aliviar. Calcorreei em ritmo desalmado para o ponto de abrigo. Na primeira paragem, indicaram-me o rumo pelo corredor asséptico, que desembocava num assento, onde só me restava esperar. Minutos volvidos, chamou o meu nome pela porta entreaberta e convidou-me a entrar. Olhou-me no rosto e pediu que me sentasse ao seu lado. Aproximou-se. Fitou-me mais de perto. Com a mão quente, encaminhou-me para a luz que quase me fulminava de ardor. Voltou a fixar-me. O seu semblante endurecia nas pálpebras encurvadas em crescente desassossego. Aguardava, também inquieto, pelo que vinha. Apagou a luz, inspirou e sussurrou de sua justiça: "temos de tratar esses lindos olhos verdes". Uma conjuntivite aguda. Três gotas de três em três horas. Viva o Hospital da Luz!!

segunda-feira, janeiro 7

Love Postcard

Defendo que todos os grupos musicais deviam ser liderados por mulheres extremamente belas, que cantassem de forma extremamente lânguida letras extremamente lascivas. Defendo que todos os grupos musicais deviam atrever-se a plagiar o melhor exemplo de sucesso na conjugação desses três factores: os Texas. Sharleen Spiteri extravasa o conceito de beleza e tem todo o direito de se aborrecer com o leviano que se limitar a aborda-la como bonita. Meu caro irreflectido, onde quer que se encontre, aceite o ensinamento que lhe transmito: a Sharleen é uma lindeza de formosa excelência, capaz de reduzir a poeira de insignificância juízos tão taxativos como beldade ou mesmo perfeição (em anexo traz também um scottish accent que arrepia). Admito que a Sharleen tenha começado mal, pois I Don't Want a Lover (I Just Need a Friend) não é propriamente convidativo a uma noite de amor. Lá reconsiderou e passou a deixar-nos mais à vontade com os nossos impulsos, cantando-nos Say What You Want (ficará depois ao critério de cada um). Cada vez mais envolvida com os ouvintes, Sharleen desnuda-se de preconceitos e, antes de fazer amor com o sol que a alumia, em Summer Son, admite que está So In Love With You, convidando a Put Your Arms Around Me nos momentos em que When We Are Together. Quando o CD fica uns dias esquecido, Sharleen vocifera que está Tired of Being Alone (coisa fofa), ao ponto de ficar Insane. Refeitas as pazes, dá-nos um Good Advice para ficar Alone With You. Anseia envolver-se ao extremo do estado Breathless e, para isso, conduz-nos até a um Dream Hotel. Esgotada, faz depois um Big Sleep para retemperar energias. De manhã, volta a baralhar-se com dúvidas e pergunta Why Believe In You, ao que respondemos carinhosamente que só nos resta One Choice: ficarmos Fool For Love, Day After Day. Então aí sim, Sharleen desarma-se definitivamente e oferece-nos um Place In My World (suspiro)

sexta-feira, janeiro 4

Alta fidelidade

Na maturidade dos seus três anos e oito meses, que fazem toda a diferença, a minha filha foi prendada no finado Natal com uma Nintendo, na qual está incorporado um manual virtual de educação canídea. A Becas, a pet eleita pela Cice, senta, deita e rebola, entre uma diversificada panóplia de manifestações de disciplinado cumprimento dos mandamentos. Uma consola de azul platinado lança as sementes para a definição de hierarquias, moldando o caminho da minha criança ao futuro exercício de funções de gestão numa grande multinacional. Agora ou isto muda radicalmente, ou a minha filha não terá muitas Becas para exercitar a voz de comando. É que é raríssimo descobrirmos gente tão canina

quarta-feira, janeiro 2

O fel cruel de Daniel

Daniel Sampaio decidiu verborrear sobre uma das classes mais expostas e, por consequência, desfavorecidas, as dos chefes. O irmão do patrono dos tuberculosos troça dos superiores hierárquicos e debita uma série de inverdades. Pior que as considerações caluniosas, são as generalidades em que o psiquiatra se refugia, tentando, sem sucesso, camuflar o claro objectivo da sua crónica de 23 de Dezembro, na Pública: escarnecer dos superiores. Entre a sucessão de patacoadas na referida dissertação, destaco alguns excertos que atentam declaradamente ao bom nome e brio de quem nos conduz. Escreve o Daniel que os chefes (cá está, generalizando, como quem assobia descomprometidamente enquanto acciona um dispositivo de pólvora) "aguardam a reverência de todos". Para promoverem a alegada veneração "rodeiam-se de gente submissa que, para os servir, decretou para si mesma o silêncio e o elogio fácil ao chefe". Não satisfeito, insiste que os obedientes "podem ser sobrecarregados com trabalho e críticas ferozes que jamais abrirão a boca contra quem manda". Neste cruel, e cobarde, escárnio à liderança, esbatido, insisto, em conceitos diluídos na terceira pessoa, Daniel continua a esgravatar no garbo das chefias: "quando não são servidos como desejam, ou quando alguém ousa uma crítica, respondem com agressividade, como se estivessem a ser atacados". Permita-me emenda-lo, Daniel: os chefes não replicam com ferocidade, apenas rectificam com firmeza. Para o final da crónica, a mais bárbara das zombarias: "podem mandar, mas não serão amados, apenas tolerados, mais tarde ou mais cedo cairão do pedestal que construíram para si próprios". Meu estimado Daniel, cruel subordinado, sempre ouvi que "as ordens não se contestam, cumprem-se!!". Desafio-o, caro Daniel, a desmontar agora o indestrutível imperativo

quinta-feira, dezembro 20

Um melhoral para o Natal

O bom desta quadra é que me proprocionará quase duas semanas de rambóia. Por consequência, este blog entra também em merecido descanso. Até 2008!

quarta-feira, dezembro 19

Elfo...gacho

Eu mascarado de fingir que gosto do Natal. Aqui o trailer completo

segunda-feira, dezembro 17

Raispartix!!

- Fónix!
- Fodach...
- Fónix! Fónix!
- Fodaaaaach...
- Fónix... é Fónix!!
- Fodaaaach!!!
- Oh Cice, é Fó-nix... Fó-nix
(não faço ideia onde é que a minha filha vai desembrulhar estas ecriptadas mensagens publicitárias subliminares)

quinta-feira, dezembro 13

(com)Domínio das regras elementares

Alem da conservação do par de novos ascensores, da desinfestação da pedra mármore e da coscuvilhice à porta de um terço das moradoras, a administração do condomínio do prédio onde resido decidiu patrocinar uma sadia campanha de boa coabitação.
Os inquilinos, nos quais me incluo, foram confrontados com a iniciativa em papel A5 afixado junto das caixas de correspondência. A participação pública, inscrita num arial em reduzido corpo 9, mas reforçado a bold, começa por introduzir algumas sugestões de boas maneiras, mas descamba num claro desafio aos residentes das proximidades. Sem especificar, aconselha a administração do imóvel para que todos cumpram "como pessoas civilizadas, as mais elementares regras de higiene". Da minha parte, têm a garantia que sempre que piso acidentalmente a poia despojada sobre o empedrado pelo perdigueiro do 5º B procuro sempre um tufo de erva antes de dar entrada no imaculado hall do edifício. Com esta conduta julgo cumprir um outro requisito referenciado no discreto placard. Ao esfregar a sola num pedaço de relva que ainda sobreviva ao rigor do Inverno estou a "evitar fazer da área do meu prédio a lixeira cá do sítio". No entanto, o que devíamos saudar como um sintético, mas pedagógico, manual de pequenas regras de salutar convivência inquina-se com um remate que denuncia um evidente duelo declarado às habitações vizinhas. Em jeito de pirraça, e em contexto competitivo, alerta a administração: "não queira ser apontado pelos vizinhos dos outros prédios". Um interessante enquadramento dos procedimentos pessoais nas expectativas dos que nos rodeiam. Por outras palavras, aconselham-me a ser urbano por consideração aos mesmos tipos que cagam o passeio por intermédio dos fiéis amigos, que f*#&ram o tejadilho do meu antigo carro e que me largam amiúde saquetas de arroz com farinha e açucar sobre a nova viatura. De resto, não descortino qualquer outro ressentimento para com os convivas das proximidades. Em oposição, ainda aguardo que engavetem o larápio que furtou o espelho de um dos novos elevadores, para os quais fui forçado a uma dorida contribuição de algumas centenas de euros. Distraem-se as mesquinhas quando espreitam as galinhas das vizinhas

terça-feira, dezembro 11

Mãe doente, filha diligente e um porco indecente

O porco encaminhava-se para o refúgio do lar, onde repousava a mulher doente. No banco de trás, carregava o rebento perfilhado pelo referido suíno e a mulher acamada pelo surto gripal. O valente mamífero artiodáctilo aparcava o veículo aquando do reclamo radiofónico que publicitava a oferta de um compêndio de anedotas junto à edição de Dezembro de uma revista para entretenimento masculino. Lembrou-se o suídeo, que não tem outro nome, de quão pomposa estava a bancada da papelaria que visitara dias antes, exibindo, na alindada prateleira, a estampa de Natal da também já referida publicação. Com a mulher em agonia e a transpirar bactérias pelos poros, o quadrúpede de nariz de tomada desabafou "a Karina Bacchi é um belo naco". Esqueceu-se o fedorento animal que no banco traseiro acomodava-se uma criança em ansiedades para chegar ao leito da progenitora debilitada. Mereceu, o pestilento, a firmeza da pronta resposta: "Nãããoo!!! A mãe não gosta!!". Limpinho. Embrulha e vai-te assoar... grande porcalhão!!

segunda-feira, dezembro 10

Cara que pousa

Clara de Sousa confessou à revista diurética Caras que, e passo a citar, "não me revejo na mulher mais sexy do país". Tenho para penim... para mim, queria eu dizer para mim, que a referida consideração será partilhada por uma ínfima minoria do género masculino. Arriscaria mesmo que não mais que um representante da vasta representação varonil. Acrescento que não tenho penim.... peninha, queria eu dizer peninha nenhuma dele

sexta-feira, dezembro 7

Pneumáticus

Se o meu caro amigo for lesto a encomendar, terá ainda oportunidade de adquirir, a preço quase simbólico, o calendário para 2008 das Gurias. Por um valor estimado em 25 reais, uns 9,5 euros na moeda de referência, poderá deleitar-se com um conjunto de cinquentenárias gaúchas desnudadas, que se despojaram das vestes para as objectivas por exclusiva causa benemérita. Sugiro que se apresse, caro amigo, sob o risco de se esgotar a restrita edição e ter, em alternativa, de remediar-se com o Calendário Pirelli para minorar os estragos da frustração

quarta-feira, dezembro 5

Apneia

Fitei-lhe os seios, desproporcionais à silhueta esguia, coberta de um negro ajustado às formas esculpidas por uma formosa génese. Pediu-me que avançasse e tomou-me, com jeito, o objecto. Pegou-lhe num afago e levou-o para a sua beira. Comecei a acalorar-me. Dava-lhe voltas para o alindar. Cobria-o com o empenho que podia. Passei a sufocar na pulsada impaciente que me rebentava no peito. Ela, diligente, revirava-me o objecto. Voltou atrás, para de novo começar. Importunava-me o zigezaguear e faltava-me o ar. Desacertava a dobra. Vincava, para voltar a desdobrar. Estava a ponto de me asfixiar. Voltou a segurar-lhe. Apoderou-se-lhe uma outra vez. Continuava a enrolar. E eu desfalecia, porque começava a ficar um cheiro que não se podia. Dez minutos volvidos, saí com um embrulho negro amarrotado e apertado com 20 voltas de fita vermelha, convicto que a volumetria peitoral não abona a ligeireza do aprumo. E não se pode com o calor, e fedor, nas perfumarias por estas alturas da quadra. Nota final: oferecem-se duas amostras de tratamento oligotermal ultra-hidratante, ou, por outras palavras, creme para metrossexuais

segunda-feira, dezembro 3

Doutrina do pastoreio

- Vassalo 1: Vide quem se aproxima
- Vassalo 2: Sim, sim, é o nosso acanhado líder
- Vassalo 3: Atentem no semblante que carrega
- Vassalo 4: Por Deus, brota-lhe da aparência a fúria desmesurada
- Vassalo 5: Inquieta-se por motivo que desconhecemos
- Vassalo 6: Questionemo-lo com a necessária cautela
(pezinhos de lã, pezinhos de lã, pezinhos de lã)
- Vassalos: Acanhado líder, o que vos atormenta?
(ruborescendo de indignação, responde o acanhado líder)
- Acanhado líder: Sois vós, lacaios, que abusais da extrema ironia nos diálogos que permutam no imaculado feudo
- Vassalos: Acanhado líder, é esse o motivo de tão notório agastamento?
(inflamando a jugular e quasi estoirando em incontida cólera, esclarece o acanhado líder)
- Acanhado líder: Sim!! Conspurcais, dessa forma, o espaço que oriento, comprometendo-me aos olhos do supremos orientador
- Vassalos: Acanhado líder, e existe forma de redenção que recupere o asseio no poiso que nos assalaria?
- Acanhado líder: Só conjecturo uma, a onomatopeia no lugar da ironia
- Todos: Méééééé, méééééé, méééééééé