quinta-feira, julho 31

Taberneireiro

O mesmo de sempre? A pergunta de rotina atirava-se enquanto se afiavam as lâminas da tesoura. A fidelidade tem destas coisas. Vinculamo-nos à intimidade de quem nos decora as medidas capilares. Era assim no Conde Barão, onde aparava a melena ao lado do Henrique Viana. Acabei por renunciar ao barbeiro quando me mudei para os arrabaldes de Lisboa, derrotado pelo transtorno de uma deslocação mensal (que a carapinha cresce com alarvidade). Acedi experimentar a cabeleireira das proximidades. Não cortava mal. O mais chato era mamar com as cassetes de música nordestina. Foi-se embora... para o Nordeste brasileiro e trespassou o espaço a uma dupla de suburbanas que até nem tem mau ar. Já fui lá umas quatro vezes. Fidelizei-me, apesar de o mesmo não ser o de sempre. Passo a explicar. Da última vez saí de lá em desconforto. Pior que o desbaste a pente 1 - que me deixou o cocuruto com uma áspera camuflagem de ouriço - foi o remate do serviço. Depois das desculpas pelo descuido, a patroa saca do pente e da tesoura e apara-me as sobrancelhas!! Fervilha-me um organismo de taberneiro
No fim, ainda tive de carregar com a Cice, que não tinha maneira de se aguentar em pé, depois de ter passado toda a sessão do escalpe a rodar-se na cadeira ao lado. Arreporra!!

terça-feira, julho 29

Nútrir

Nas leituras jornaleiras da minha (curtíssima) temporada de veraneante, retive uma notícia que me inquietou. Por esse motivo, mobilizo-me hoje a favor da Federação Portuguesa de Naturismo, que há um punhado de dias alertou as autoridades para a falta de vigilância nas praias onde se passeiam em pelota. Sensibilizado pelo dramático alarme, obrigo-me a sugerir a todos os reformados e pensionistas que se munam do material adequado e assentem arraiais pelas praias dos Alteirinhos (Odemira), Adegas (Aljezur), Barril (Tavira), Belavista (Almada), Meco (Sesimbra) e Salto (Sines). Se tiver vagar nesta estação de canícula, prometo também fazer uma investida... se ainda sobejar espaço entre as dunas

terça-feira, julho 15

Férias!

Vou a banhos. Volto qualquer dia. Adeus e até ao meu regresso!
Este não sou eu. E aquela também não é a Maria (ela bem queria)

segunda-feira, julho 14

A metamorfose

- Fogacho: Então, como é que correu o dia?
- Maria: Como é que correu? Olha, uma m#rd@, foi como correu. Primeiro, o fi£h@ da p"t@ do gajo da vanette esqueceu-se de meter gasolina e tivemos de esperar mais de meia hora que o senhor nos levasse lá ao sítio do beberete. Ainda pensei fazer queixa do gajo. Segundo, foi o cªbr*o do motorista do autocarro que largou três minutos antes da hora e cªgºu de alto para mim. Também pensei fazer queixa do gajo, mas disseram-me que os serviços já estavam fechados e não estranharam nada a ocorrência, porque já faz tempo que andam a varrer toda a m£rd@ para aquela carreira. Terceiro, desisti e vim de taxi. E não é que o pªn£l£irº do taxista teve a coragem de me dizer que o devia ter avisado do desvio, porque desconhecia que agora tinha-se de virar ali para a direita. Mas que grande filh@ da p#tª. Devia é ter feito queixa à Retalis!!!
Um gajo faz uma pergunta inocente e sai uma cagada em três actos! Já não a reconheço e nem faço ideia onde foi ela buscar estes modos. O pior de tudo é que ganhei medo...

quinta-feira, julho 10

quarta-feira, julho 9

Narciso

Amigo leitor, aceda a este magnífico espaço lúdico e consiga a improbabilidade de ficar giro. Usufrua-se como nunca. Delicie esse ego, que bem merece. Comigo resultou. Consigo resultará também

segunda-feira, julho 7

Kim é?

Refugiado: Adivinha onde é que eu vou hoje?
Fogacho: Não faço ideia
Refugiado: Vou a um concerto de uma mulher desmesuradamente bela
Fogacho: Desmesuradamente bela? Assim de repente só me estou a lembrar da Kim Wilde
Refugiado: Correcto!
Fogacho: A Kim Wilde?! Eu tinha calafrios com essa mulher aquando da minha juventude!!
Refugiado: ... e eu vou lá estar
Fogacho: Eh pá, tira uma fotografia e manda-me
Refugiado: Podes contar com isso...
De que servem os bons fins se não há meios que lhes valham?

quarta-feira, julho 2

Fedorixado

Não fazia ideia que beltrano já tinha uma filha em idade escolar. Também não imaginava que sicrano já estivesse divorciado. Ou que fulano-de-tal andasse de namoro com a não-sei-quantas. Posso também confidenciar que o cocó do pensa-que-é-giro perdeu aquele aroma de refogado e passou a libertar uma fragrância semelhante à da couve-lombarda. Já agora, confirmo que as flatulências do anda-sempre-a-largar-se confundem-se com a cozedura do bolo de arroz, o que, convenhamos, é ligeiramente mais suportável que os gases de mostarda de Dijon do cagou-se-todo. Fizeram mudanças neste piso onde trabalho. Para o triplo de funcionários mantem-se a serventia da exígua casa-de-banho com uma retrete e dois urinóis. Está bem que socializamos quando esperamos pela vez, mas qualquer dia já não há tema de conversa, nem narinas que aguentem a vazão das descargas

terça-feira, julho 1

Sande y Regis

Em mais pequenos, somos esponjas absorventes de informação, sem grande (ou quase nenhuma) capacidade de coar excessos. A nossa formação, em tenra idade, assenta muitas vezes nos estereótipos que esvoaçam pelos media. No meu tempo de miúdo, aquando da transição do preto-e-branco para os feixes coloridos da TV, não havia assim tantas referências que me moldassem conceitos de masculinidade. Vivíamos na época do Sandokan. Cheguei a experimentar o lenço de seda na cabeça e a tesoura na cintura, mas deixei-me desses carnavais. Preferi confinar o meu processo de maturação a duas figuras, quasi sem rosto, que se entranhavam no meu imaginário e nos reclamos televisivos. O senhor Sandeman, mais no estilo toca-e-foge, foi útil para aprender a esgueirar-me de raparigas com precoces intentos casamenteiros. O agente Regisconta era... aquela máquina, pelo que é óbvio constatar o que retive da personagem

quinta-feira, junho 26

Espectáculo cicense

- Cice: Sabes? Sabes?
- Batatinha: Sei o quê?
- Cice: Sabes que o não sei quantos disse uma coisa à não sei quem?
- Batatinha: Ai foi? E disse o quê?
- Cice: Disse... disse uma coisa feia!
- Batatinha: Ai sim... o quê?
- Cice: Uma coisa mesmo muito feia
- Batatinha: Isso já percebi Cice... mas que coisa?
- Cice: ... (cinco segundos)
- Batatinha: O que é que ele disse?
- Cice: ... (sete segundos)
- Batatinha: Mas o que foi?? O que é que ele disse??
- Cice: Agora não me lembro...

terça-feira, junho 24

Camone baby!

Zezé Camarinha atolou-se no vazio deixado pela prematura eliminação de Portugal no Euro2008 para lançar hoje, no Maxime, o manual que irá reerguer as almas depenadas pela angústia de novo título perdido da nossa selecção. Num estilo assertivo e rectilíneo, Zezé aniquila as metáforas e dirige-se, sem delongas, à essência da sua causa. Na obra que este algarvio decidiu repartir com a opinião pudica, saberemos, depois de obstinada leitura, quais os dez mandamentos para ter, e passo a citar, "sussexo com as gajas". Num documento histórico, que formalizará o desfecho de quase 40 anos de canículo engate, Zezé solta, pela última vez, a embraiagem para nos sugerir as melhores técnicas para aplicar, por exemplo, "a beach massage, with cream number five, in a british darlingue". Não querendo desvendar muito mais da obra que saciará os famintos leitores da mais refinada sabedoria parasitientalista, exijo-me concluir com um novo aforismo que tritura o já bolorento adágio popular do tudo o que vem à rede é peixe: "antes de se terem lembrado que as mulheres podiam ir à tropa, comigo já elas marchavam todas", atesta o último macho man português, em golpe de anca copular. Tungas catrapumbas!!

segunda-feira, junho 23

À minha taça

Se fosse como aquela gente sensível que verte lágrimas à primeira contrariedade, precisaria, no dia de hoje, de uma boa dúzia de alguidares para recolher a angústia do fim de um ciclo. Acabaram-se duas gloriosas, e extremamente calóricas, semanas de estupidificação. Há muito tempo que não me lembrava de tanto muito de nada fazer. Amei incondicionalmente a minha filha, bradei contra a repugnante gulodice da Maria, que aviou descampados de ranhosas caracoletas, injuriei o fura-redes Ricardo Labreca e, que me lembre, ainda tive tempo, nos intervalos do sofá, bola e tremoços, de me amantizar a uma loura transpirada. Enrolei-me na sua matéria trigueira, sorvi-lhe o néctar embaciado e degostei-lhe, vezes sem conta, o licor gélido da sua essência. Findaram-se (estas) férias e eu, homenzinho, brindo a isso e à Erdinger, a única loura capaz de rivalizar com a raisparta-a-Maria-que-por-muito-que-enfarde-não-engorda-uma-grama

quinta-feira, junho 19

Fomos (de vela, no Europeu)!!

Anexo a 23 de Junho: Face aos desastrosos resultados da minha tentativa de piada subtil, obrigo-me a legendar o estado de alma do passado 19 de Junho. Caminhávamos para as 22:00, eu caminhava, inconsolável, para o portátil e 23 estróinos, mais um gaúcho, caminhavam de regresso a casa. Perdemos com três golos de uns espadaúdos alemães (daí as três girafas) e por (muita) culpa de um labreca meia-leca (daí o galináceo)

segunda-feira, junho 16

Foleiro, pá!

José, sei que ainda estás a recompor-te do transtorno irlandês, mas deixa que te manifeste a minha inabalável solidariedade. Sei que o sim irlandês era fundamental para a tua carreira política, mas saiu-te um resultado mais acre que a cevada tostada de uma Guinness. Confia no que te digo, José, se isso te pode consolar: tenho para mim que está tudo tratado (desculpa lá o trocadilho). A França, que assumirá a presidência da desUnião Europeia no mês que vem, vai desenrascar uma solução. O Sarkozy junta a malta toda em... deixa cá ver, Perpignan, pode ser Perpignan, terra de bom vinho e produção corticeira. Fazem umas patuscadas, reformulam o acordo com umas exclusões aos irlandeses e pronto... uns meses volvidos, e a bem da coesão europeia, já ninguem se lembra do Tratado de Lisboa

terça-feira, junho 10

Os raçudos arraçados e os macacos da miúda

Contrariando a opinião de Cavaco Silva, mantenho muitas dúvidas se o Dia de Portugal celebra o dia da raça. Julgo que o conceito está diluído em Portugal. Somos um país com raça, mas sem raça definida (não sei se me fiz entender). Vejamos o exemplo dado pela nossa fulgurosa selecção. Na equipa orientada por um gaúcho, contam-se um natural do Zaire e dois nascidos no Brasil (mais um guarda-redes tão bom, mas tão bom, que, com a graça de Deus, não teve o azar de ser oriundo do Perú, para não agoirar). Não é por esta disparidade de nacionalidades que deixamos de ser competitivos. Em minha casa brota outro exemplo fiel ao melting pot do nosso país e também não é por isso que não deixa de reinar a harmonia. Convivo diariamente com uma tipical irish, que desdenha, do alto do seu olho azul, das minhas linhas paquistanesas, e uma raça de miúda que passa o dia a esgravatar o nariz (é que já não se pode com tanto presente colado aos indicadores)!!!

segunda-feira, junho 9

Complexo de superlatividade

Final do dia. A claridade arrasta-se pelas horas tardias, já a antecipar o calendário de Verão. Uma suave canícula modera-me o enfado de aguardar pelo sinal verde. E espero, com a civilidade que se exije. Portugal joga nos ecrâns dos domicilios ou nas áreas urbanas de convivas, bem regados para o efeito. Na rua, contam-se pelos dedos os alheados do fenómeno de portugalidade. O semáforo dá-me a licença para seguir e retomo a marcha.Umas pneuzadas à frente, um trio de mulheres hesita em atravessar a rua. Abrando cordialmente a marcha diante o pára-arranca das indecisas transeuntes. Passam finalmente para o outro lado. Sigo. Já do passeio, o agradecimento: Obrigado... gostoso! Elas lá sabem (pronto, as três juntas não faziam uma Vanessa Fernandes, mas isso é informação irrelevante... o conteúdo prevalece sobre a forma)

quinta-feira, junho 5

Flutelências

Caros órgãos de comunicação social: nos últimos meses, vossas excelências têm aterrorizado - e muito bem - o consumidor com as sucessivas barreiras psicológicas vencidas com escalada do preço do petróleo. Com o mesmo respeito a vossas excelências, lembro-vos que, há cerca de duas semanas, berraram em manchetes e aberturas de telejornais que o crude estava prestes a dobrar os 140 dólares. Graças ao terror que foram semeando, acagaçaram - e com toda a naturalidade - as gasolineiras. Resultado: em quatro meses, cerca de 20 correcções - para cima - ao preço por litro. Ora, estranhei não ter novas vossas sobre o tema nestes últimos dias e, por iniciativa própria, fui indagar o que se passava. No fecho dos mercados de quarta-feira, o barril de crude era tansacionado na Europa a - números redondos - 126 dólares. Recorrendo à regra de três simples, o petróleo desvalorizou dez por cento, ou seja, 14 dólares, pouco mais que 9 euros. Consciente dos perigos de voltar a acicatar a voracidade dos especuladores - que devem andar a mamar flutes de champanhe em resorts de luxo à custa das recentes oscilações de mercado - deixo a pergunta às depauperadas gasolineiras: mas quando é que baixam a porra da gasolina???
...
Adenda (pelas 22:00): Retiro tudo o que disse... Peço desculpa. Um gajo precipita-se e depois apanha com uma grande bofetada de luva branca. Afinal, graças a uma atençãozinha da Galp, o gasóleo passará a custar, a partir da meia-noite, menos meio cêntimo. É pouco, mal se vê, mas sempre são três bagos de arroz

quarta-feira, junho 4

Louçã Alegre?

Com este trombil?!?!

terça-feira, junho 3

Folhear Hoje Maio

Tara, minha querida Tara. Guardarei a estima que mereces, mas esgotou-se-nos o tempo. Galgámos uma etapa da vida, num ano que se esvazia em cadência desgovernada e alucinante. Envelhecemos juntos este mês que passou, diluído numa vida acelerada. Esgotámo-nos. Esconstámos à berma na caminhada de Maio. As nossas dualidades prazenteiras calcinaram no carburante de uma vida que não pára. Fica, por isso, ciente que se acabou. Tal como já disse à Catarina Gouveia (Janeiro), Ana Ferreira (Fevereiro), Carmen Electra (Março) e Mariana Monteiro (Abril), é tempo de virar a página e enfrentar o Junho que já corre, com a Sara Kostov.

sábado, maio 31

sexta-feira, maio 30

Shock in Rio

Amy Winehouse é a cabeça-de-cartaz do primeiro dia do Rock in Rio. Ou será que a cabeça de Amy Winehouse estará no cartaz do primeiro dia do Rock in Rio? Ou será que a Amy Winehouse tem um cartaz na cabeça? Ou até quando a cabeça de Amy Winehouse tem cartaz?
Adenda (31 Maio): Parece que adivinho!!

quinta-feira, maio 29

Disputa cicuta

Luís Filipe Menezes não apoia ninguém. Manuela Ferreira Leite diz que é séria. Pedro Passos Coelho mede o pulso à política. Pedro Santana Lopes sacia o vício. Menezes até gosta de Passos Coelho. Santana Lopes pede isenção. Patinha Antão clama por mais atenção. Menezes não apoia ninguém mas não gosta de Ferreira Leite, que continua a dizer que é séria. Passos Coelho baixava os impostos. Ferreira Leite diz que nem pensar. Já Santana Lopes diz que Passos Coelho não sabe do que fala. Patinha Antão clama por mais atenção. Menezes diz que Passos Coelho é credível. Santana Lopes duvida. Passos Coelho prefere não ter experiência governativa do que ter má experiência governativa. Santana Lopes diz que Passos Coelho é sampaísta. Ferreira Leite teima que é séria. Menezes queixa-se do cinzentismo de Ferreira Leite. Santana Lopes quer acabar com a bagunça. Passos Coelho diz que Santana e Ferreira Leite são mais do mesmo. Patinha Antão clama por mais atenção. Ribau Esteves (?!?) diz que o PSD se transformou num cemitério de líderes e (não sei se por isso) apoia Santana Lopes. A oposição oposiciona-se com tiros no pé e carboniza em labaredas de aceso... lume. Sócrates agradece, mas já não fuma (até ver...)

quarta-feira, maio 28

Sick Mulher... e filha

A mãe gostava tanto da filha que não lhe podia ouvir birras. A mãe gostava tanto-tanto dela que ganhou pânico às lamúrias caprichosas. Comprou-lhe um carro desportivo, mas não tinha espaço, dizia a filha, que preferia um SUV. Comprou-lhe um cão por quase 1.000 dólares, mas tinha pulgas, queixou-se a filha. Vestiu-a com roupas de conceituados estilistas, que, veio depois a saber-se, tinham sido roubadas. A mãe era desempregada e a filha nunca deu conta, embriagada pela compulsão de ter-e-ponto-final. Mas o grande segredo estava reservado para o directo: a mãe prostituia-se para custear o apetite voraz de uma adolescente de 17 anos. A filha achou nojento! O Dr. Phil disse-lhe das boas, à grande magana. Aos finais da tarde, na SIC Mulher

terça-feira, maio 27

segunda-feira, maio 26

O chorão Jordão (e ainda outras lágrimas)

Nestes dias de ócio, refugiei-me numa bolorenta publicação de há 12 anos. Saiu em fascículos coleccionáveis e versava sobre as 100 figuras (na altura) do nosso futebol, numa escrita quase desusada. Há pouco mais de uma década, seduzia-se o leitor com parábolas que invertiam o sujeito com o complemento, desterrando-se o verbo em lugar incerto. Começava-se pelo fim, sem localizar a acção. Assim se pensava adensar mistérios em coisa nenhuma. Resultado: uma publicação de rendilhados arcaicos. Ou, como se escrevia há 12 anos, de arcaicos rendilhados se constituia aquela publicação. Também há 12 anos, confundia-se comoção com, por exemplo, acne. Pedro Yazalde, pai de um goleador que passou pelo Sporting, informou o filho que tinha de largar os estudos para colaborar no sustento da família, isto "com as lágrimas borbulhando-lhe pelas faces". Na mesma publicação, o dramático luto de António Oliveira, que, num jogo europeu, materializou com três golos a raiva pela morte do pai. A notícia fora dada pelo presidente do Sporting na altura, João Rocha, "com as lágrimas borbulhando na face". À falta de melhor imagem para o autor da publicação, toda a gente, naquela altura, borbulhava quando emocionada. Nem toda. Rui Jordão, antigo avançado de Benfica e Sporting, produziu, por sua vez, uma amálgama pastosa quando constatou que não servia para o atletismo. No último sprint de uma corrida em Bengela, o menino Jordão rasgou uma coxa. Ainda dolorido, prostrou-se no chão, segundo o narrador, "chorando, com a cinza da pista amalgamando-se nas lágrimas, que se confundiam com as bagas de suor" (se chacota daí vier, só um insensível - você - pode ser)

quinta-feira, maio 22

quarta-feira, maio 21

Galpada

Peço-vos que me acompanhem o raciocínio e que não temam observar alguma incorrecção da minha parte. Tenho para mim que os lucros resultam do diferencial entre proveitos e gastos. Para ficar mais claro: lucro é ganhar mais do que se gasta. Ou seja, premeia a engenharia, e sabedoria, da gestão financeira. Respeitando a mesma lógica, a GALP tem 109 milhões de motivos (leia-se euros) para formalizar os dividendos do primeiro trimestre de 2008. Em contrapartida, lamenta não ter margem para baixar os valores dos combustíveis, já que, depois de investido o modesto pé de meia em certificados de aforro, sobrarão umas centenas de euros para custear os serviços de limpezas e catering. A culpa do sufoco financeiro da GALP é dos impostos, que sorvem quase 60 por cento dos valores transaccionados. A ganância fiscal do Estado está a comprometer seriamente a sobrevivência das definhadas empresas de combustíveis. Sugiro que, no lugar dos histéricos apelos a boicotes, todos contribuam com parcelas das poupanças pessoais na próxima vez que se deslocarem a uma estação de serviço. Vamos, em corrente solidária, reabilitar estas empresas filantropas, que nos carregam os depósitos com manifestos sacrifícios. E quando não houver gásoil, empurra-se. Vide o autocarro da selecção...

terça-feira, maio 20

Fortuna de outrora

Consegui finalmente confirmar a efeméride há poucos dias: 18 de Março de 1981. A data nada dirá a muitos, mas, no que me respeita, entranha-se-me no íntimo da formação clubista. Lembrava-me da bancada de granito frio do primeiro anel. Da almofada, improvisada em recheio de jornal, que o meu pai trouxe de casa. A mesma que tinha dado conforto ao rabo da minha mãe num concerto do Chico Buarque no Coliseu dos Recreios. No que a memória ainda me permitia na actualidade, tinha a certeza absoluta que, nessa noite, jogou o Laranjeira, o cromo mais repetido da minha colecção de caderneta. Recordava-me também que o adversário vestia de laranja e que fui enxovalhado no dia seguinte por um vizinho. Fiz-lhe pirraça e contei-lhe que tinha ido pela primeira vez ao Estádio da Luz. “Só foi pena termos empatado”, disse-lhe, resignado. “Empatado?? Mas o Benfica ganhou 1-0!! Ou és um grande mentiroso ou estiveste a dormir”, respondeu-me, em dobro de troça. No meu primeiro jogo na Catedral, o Benfica ganhara a uns alemães do Fortuna de Dusseldorf com um golo do Chalana a três minutos do fim. Na ocasião, já eu tinha abalado do estádio com o meu pai a garantir que “isto já não vai dar nada”. Hoje, vou sabendo que o Benfica não ganha. Há mais de 27 anos, o Benfica até ganhava e eu não sabia

quinta-feira, maio 15

Cheque mato

Sobre os estampados nas indumentárias da mãe...
- Cice: Este é o Capo Socas
- Eu: Nãã... Sapo Cocas. Co-cas!
- Cice: Este é o Tremalha
- Eu: Metralha... Me-tra-lha!!
- Cice: Esta é a Maga Patalógica
- Mãe: Boaaa! E consegues dizer otorrinolaringologista?
- Cice: É irmão da Maga?...
Para desafios imbecis, soluções evasivas!

quarta-feira, maio 14

Adónis!

Consulta da medicina do trabalho. À entrada, nem bom dia nem boa tarde. Avia-me logo com um Ponha-se em cima da balança! Estou tramado, pensei eu. Não me peso há seis meses e continuo a enfardar pastéis, salgadinhos e cerveja de trigo. Vou rebentar com esta m#*da, voltei eu a pensar. Texugo chungoso, avaliei eu de mim próprio, indagando por solução que me safasse de valente reprimenda, tipo: Você é um beduíno! Já sei, rejubilei eu. Minto-lhe. Tiro uns dez quilos aos 90 e tais que a agulheta vai suportar. Assim foi. Meti-me em cima do zingarelho e... abençoado 13 de Maio e santificada Nossa Senhora de Fátima!!!... Aquilo afinal debitou uns módicos 85 quilinhos.Isto depois de almoçado e com a roupa no corpanzil atlético, que faz toda a diferença. À saída, nem bom dia nem boa tarde. Despacha-me com um moderado Vá, na próxima vez quero vê-lo com menos cinco quilos! Uma semana a folhas de alface e fico outra vez no ponto!

terça-feira, maio 13

Não chegavam 21?

Um... nem apanha bolas, o outro... bolas!!

segunda-feira, maio 12

Bolo alimentar

Uma rara imagem do salame triturado instantes antes de ser deglutido (alarve!...)

quarta-feira, maio 7

Infelizmente, cheira!

Cara Yelena Tregubova, deixa-me que te dirija estas palavras na intimidade, mesmo que simulada, da segunda pessoa do singular. Sei que acompanhaste de longe, no desconforto de um asilo forçado na nebulosa Londres, à tomada de posse de Dmitri Medvedev como novo presidente da federação russa. Compreendo o sofrimento de quem teme pela vida só por ter delatado, em algumas publicações, matérias classificadas dos corredores do Kremlin. Agora, só me faz alguma espécie porque elegeste um refúgio tão cinzento e chuvoso. Não podias escolher uma coisa mais solarenga? Não gostas de Portugal? Somos um país que acolhe cientístas, professores universitários e médicos de Leste para cimentar condomínios privados. Anda, vá, que há espaço de sobra para uma formosa jornalista. Eu, por exemplo, tenho uma assoalhada que posso dispensar para teu repouso e pertences. Só peço que não te inquietes com o aroma pútrido que emana, amiúde, da toilette. Sossega, cara Yelena, que ninguem foi enveneado com tálio radioactivo, como o teu infortunado compatriota Alexander Litvninenko. Houve, isso sim, uma determinada pessoa que enfardou uma alheira frita num tasco das Janelas Verdes e anda há uma semana a desfazer-se em matéria liquefeita e insuportavelmente fétida

segunda-feira, maio 5

Esta agora...

Tenho de ter uma conversa muito séria com a minha caixa de correio electrónica!!

segunda-feira, abril 28

Lila, oh Lila

Assemelho-me nestes dias a um toxicodependente em período de privação. Acabei de degostar, junto da minha Maria, a segunda época inteirinha do Dexter, o especialista forense que mutila às fatias, e em espaços assepticos, homicidas que a justiça negligenciou. Vou sentir falta do humor mórbido do Morgan, da volatilidade sentimental da irmã Debra. Da rectidão maníaca do falecido pai, Harry. Da prendada e dedicada Rita, uma alma naif que todos os homens gostariam de ter a seu lado, para prevaricarem à vontadinha. Para melhor avaliarem o meu estado de viciação, até me fazem falta a cabra-tenente Laguerta e o amante secreto, sargento Doakes, o atirador compulsivo que virou bode expiatório. Vou ter muitas saudades do pinga-amor Angel Batista e do sexualmente perverso Vince Masuka. E assim que me lembre... estão todos! Se já ando neste estado, nem quero imaginar se a série tivesse, sei lá, uma actriz infinitos de gira e com um carregadíssimo british accent

quarta-feira, abril 23

Fight club

Eu: Onde vais?
Ela: À reunião do condomínio
Eu: Não há pachorra...
Ela: Olha se todos pensassem como tu (relambório, relambório, relambório). Temos obrigações comunitárias (pata-ti, pata-ti, pata-ta). Temos o nosso papel construtivo na sociedade (bla, bla, bla, bla). Ninguem te obriga a ir (lérias, lérias, lérias)
Eu: Mas já não houve uma na semana passada?
Ela: Sim!
Eu: Então para que é que há outra hoje?
Ela: Detectaram um rombo nas contas e agora vão pedir troco às três tipas da administração, que se arriscam seriamente a ser linchadas pelos inquilinos do 4º B, que fizeram panelinha com os do 6º A, os mesmos que foram corridos há três anos da gerência do prédio ainda não se sabe muito bem porquê e que, muito provavelmente, hoje vão meter a boca no trombone e o punho nas ventas das três tipas, que, por sua vez, não sabem explicar o que fizeram ao dinheiro, o que desde logo implica que alguem se responsabilize e meta a cabeça no cepo, porque há gente doidinha para lhes fazer a folha, situação que promete muita trolha e roupa suja, como as cuecas que foram encontrar no hall de entrada que se desconfia serem do vizinho que andava a pinocar uma administradora que lhe perdoou três meses de condomínio... Onde é que vais?
Eu: Buscar o casaco e cumprir o meu dever cívico

sexta-feira, abril 18

Agora escolha

Questionou-me a minha amiga Florença, em manifesta perturbação, sobre os méritos que recolocaram Silvio Berlusconi na governação em Itália. A indignação é pertinente mas não suscita explicações complexas. Para mim, e restante comunidade masculina que se gaba de algum bom gosto, a vitória de Silvio premeia um debate político que se sustenta no glamour. Ou, por outras palavras, em mulheres dotadas de méritos estéticos inquestionáveis. Ou, ainda por outras palavras, gajas boas, como sucede no caso de Mara Carfagna, uma antiga modelo, cuja foto mais badalada na internet me abstenho, por decoro, de postar. Ora, em Itália discute-se nestes dias se a pasta do Ministério da Família se enquadra no perfil de Mara. Estou convicto que sim. Uma pessoa que, apenas pelo sorriso, estimula padrões como amor, fidelidade e procriação é, sem dúvida, uma bandeira do que deve ser o paradigma do reforço dos laços familiares. Por cá, debate-se a crise de um partido em implosão e que clama pela Dama de Ferro. Sem desprimor à legítima questão levantada pela minha amiga Florença, acho que deve ser reconhecido inteiro mérito a Berlusconi. O caro leitor teria dúvidas entre escolher um rosto de olhar terno e sorriso contagiante (esquecendo a coxa robusta, que este é um espaço sério) ou uma existência de semblante sisudo, franja lacada, olheiras até às papilas gostativas e queixada com dois hemisférios?

quinta-feira, abril 17

O circo de Roma

A menina Perla Pavoncello é (ou era) uma iniciante investigadora, licenciada em Ciências, que está (ou estava) prestes a terminar o seu vínculo de 10 meses a uma fundação. E foi precisamente esta situação precária de avençada que a encorajou a inquirir directamente Silvio Berlusconi ainda nos preliminares para as eleições que acabam por ser ganhas, de forma esmagadora, pelo presidente do AC Milan. Nos Prós e Contras da RAI dedicado à corrida às urnas, Perla dirigiu-se desesperadamente ao candidato Silvio e perguntou-lhe que soluções sugeria aos mais jovens para encetarem uma vida independente. O magnata sorriu, ajeitou os implantes capilares e respondeu em jeito incisivo: "case com o meu filho ou com outro milionário!". Perla achou piada à graça de Silvio e até prometeu o seu voto no partido Povo da Liberdade. Toda a esquerda italiana, a grande derrotada no recente sufrágio, se insurgiu contra a insensibilidade de Silvio, que contra-atacou os difamadores com um lugar elegível para Perla no círculo de Roma. Alvíssaras à nova deputada!

segunda-feira, abril 14

A massa(ja)dora

Vieram há dias falaram-me em pacotes lúdicos para namorados juntos e casados que promovem serviços que variam entre viagens de balão e massagens a quatro mãos. Quanto à primeira opção, admito que é devaneio para embarcar, mas só quando desbastarem significativamente a tabela de preços. Sobre a segunda hipótese, tenho memórias bolorentas bem mais pueris e com a mesmas capacidades de me arregaçar a pele. Nos meus tempos de ciclo tive uma colega que me proporcionava inadvertidamente uma paz zen. A Sandra era especial. Tinha problemas de socialização, era marrona e, por consequência, empenhava-se em arrecadar as melhores notas. Para inspirar as graçolas dos detractores, recorria a umas lentes graduadas e a uma prótese que lhe compensava a perda precoce do incisivo central direito. Fruto das tecnologias precárias da altura, a peça dentária teimava em desencaixar do oríficio e bastas vezes a Sandra tinha de chafurdar no prato da sopa para recuperar o dente de louça. A pequena anomalia bocal oferecia-lhe também um característico, e aprazível, assobio sempre que pronunciava os ésses. A juntar à suave brisa que lhe escapava da cavidade, a Sandra tinha também o hábito de engolir a saliva sempre que fechava um parágrafo na hora diária de leitura. Confesso que me contorcia em arrepios dérmicos que me levitavam as extremidades capilares. Na minha mocidade, muitas raparigas me acicataram a puberdade, mas a Sandra foi a única a arrebatar-me toda aquela zona cervical. Quer dizer... a única não, que depois apareceu na minha vida o sr. Bastos, o vizinho que passava as tardes de domingo a polir os vidros do carro com frascos de Ajax. Como podem atestar, são memórias que não ofendem, que também relaxam e não se inspiram em massagens orgíacas camufladas de serviços do amor

quarta-feira, abril 9

Casei com uma futeboleira

Ela: É o Manchester que está a jogar, não é?
Eu: É... é! (chiça... a cultura futebolística desta mulher)
Ela: E a outra equipa é a Roma, não é?
Eu: Sim... é! (fonix... a gaja é uma enciclopédia da bola)
Ela: O Ronaldo... está a jogar?
Eu: Não, está no banco! (eu vi logo que afinal não percebe nada disto)
Ela: Pois... o Ferguson quis poupá-lo das sarrafadas dos italianos!
Eu: Pois foi... pois foi (mas esta mulher anda a ver jogos às escondidas?!?)

terça-feira, abril 8

Barbearia

Depois de Leonel Vieira, Marta Leite de Castro enamorou-se por um chico argentino, também ele malparecido e de cocuruto desnudado. Não custa nada tentar...

quarta-feira, abril 2

Astla la prióxima semiana!

Ó Elvas, ó Elvas, Fogacho à vista... lá lá lá, lá lá lá, contrabandista, lá lá lá, lá lá... amor e saudade, lá lá lá, aquela cidade... lá lá lá (aprovecho para saltitar la frontiera e compriar caramielos e guiomas para ustedes tiodos)

segunda-feira, março 31

A martelada de Jennifer

Jennifer Jones amacia o martelo. Retira-lhe as impurezas. Coloca-o a jeito para o lançar com ajuste. Expira numa sofreguidão que lhe denuncia a tensão carregada. Volta a fitar o destino que lhe reserva os louros. Amacia-o de novo e recua em ligeira hesitação. Balança o corpo. Recua e avança de novo. Cerra o olhar e mordisca os lábios carnudos. Sussura algo imperceptível e prepara-se para o solavanco final. Antecipa, no último segundo, o caminho até ao ponto da glória. É o momento. Jennifer lança o martelo que amaciara segundos atrás. Ordena que esfreguem para aquentar o atrito... sobre o pavimento gelado do pavilhão de Vernon. O curling só é ridículo para quem não atenta às peculiares minudências do chinquilho sobre o gelo. Estou fã

sexta-feira, março 28

Troca de galhardetes

No seu depoimento no livro “Motrisofia - Homenagem a Manuel Sérgio”, José Mourinho afirma que o professor ajudou-o a resolver muitas das suas angústias enquanto estudante e, em consequência, acabou por ser talvez o docente que mais influenciou o seu trajecto, quer académico quer profissional. Em suma: Fala do que sabe.
...
Manuel Sérgio, o deputado reformado, acaba de aconselhar: "Acho que (Mourinho) devia ser o próximo treinador do Benfica. Sem dúvida. Se fosse, e se fizesse ou se aproximasse do que fez quando treinou o FC Porto, ganharia mais do que se fosse para um outro clube que lhe desse grandes jogadores". Em jeito de conclusão: Fala quem sabe!

quarta-feira, março 26

Na pia sabe-a toda

Que maior sinal de galopante maturidade poderia recolher da minha filha que a sucessão que me presto, orgulhosamente, a enumerar: 1 - já larga a poia na sanita dos adultos; 2 - ainda chama para se lhe limpar o rabo (toda a evolução sofre revezes e implica sacrifícios); 3 - puxa o autoclismo; 4 - observa se algum despojo se cravou teimosamente na cerâmica de Valadares; 5 - saca com ligeireza do piaçaba; 6 - esfrega com desvelo os restos da porcaria; 7 - (esta é que me parte todo) perscruta se algum resto de caca se alojou na escova do artefacto antes de o arrumar; 8 - abraça-me e pede-me que páre de chorar compulsivamente

segunda-feira, março 24

Ecoponto azul

Afroditúbaro

Acarinhava com afecto profundo a minha filha quando, da cozinha, alguem me interpela em tom de desafio. Fogacho, anda cá ver isto! Larguei a carne da minha carne e encaminhei-me até à divisão onde se confeccionava o repasto da Páscoa. Sim, senhora minha sogra, chamou por mim?, perguntei respeitosamente à matriarca do lar. Vê lá se sabes o que é isto!, ripostou, em formato de troça, a senhora minha sogra, apontando para um objecto esbranquiçado, em forma renal, que jazia na base de um copo. É um calhau, senhora minha sogra?, arrisquei na primeira tentativa, frustrada pelo denunciador sorriso de troça da senhora minha sogra. Uma amêndoa da páscoa?, inquiri novamente, já conformado com novo tiro falhado. Mais risota de zombaria, rematada com o esclarecimento da senhora minha sogra: Não Fogacho, isto é 'aquilo' do galo! Esclareci-me, sem nunca antes ter imaginado que um galo poderia arrastar consigo um órgão testicular daquela volumetria. Petisquei, por cortesia, o frango (do campo!) e atasquei-me ao borrego. Em contrapartida, a Maria repetiu três vezes o fricassé e ainda trouxe uma tupperware para casa

quarta-feira, março 19

Abundância

Começar o dia entalado no elevador com a mulher que acabara de me elogiar o corte da ganga. Prosseguir para almoço em agitada tertúlia sobre desarranjos intestinais, consistência de poias e aromas fecais. Regressar ao poiso e receber de um amigo esta preciosidade de Carlos Drumond de Andrade:
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai pela frente do corpo.
A bunda basta-se.
Existe algo mais?
Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas sem rotundo meneio.
Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte por conta própria. E ama.
Na cama agita-se.
Montanhas avolumam-se, descem.
Ondas batendo numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda.
Vai feliz na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda redunda.
...
Há dias de cu que não fedem a merda

segunda-feira, março 17

Conversa de surdos

Metafórico: Bem... está uma brasa lá fora...
Literal: Pois é... parece Verão!
Lírico: Ai... o calor amolece
Conclusão: os metafóricos são incompreendidos, os literais não compreendem e os líricos não se safam

sexta-feira, março 14

Atura-a tu!

Estúpido: Já tens amigas Cice?
Ingrata: Sim
Estúpido: E quem são as tuas amigas?
Ingrata: A Não-sei-quem e a Não-sei-quantas
Estúpido: E de quem é que tu gostas mais?
Ingrata: Da Não-sei-quem e da Não-sei-quantas
Estúpido: Mas de quem é que tu gostas mais-mais-mais?
Ingrata: Da mãe e do pai!!
(depois de recomposto do sufoco de um ego insuflado)
Tão estúpido: E gostas mais da mãe ou do pai?
Tão ingrata: Da mãe!!
(passas a ir a butes para o infantário)

quarta-feira, março 12

Última hora!

Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Mourinho assina pelo Benfica. Uma mentira repetida muitas vezes...

segunda-feira, março 10

Imensa ementa

A ordem desarbitrária de um jantar onde não conhecia rigorosamente ninguem:
1 - começar por agitar toda a comunidade de taxistas cabo-ruivense para dar com os comes
2 - reencontrar um colega de turma de há 20 anos atrás
2.1 - relembrar-me que cheguei a ser apelidado de Primão por ter o dobro do tamanho dos restantes colegas de sala
2.2 - relembrar-me que a professora de inglês poderá estar a cumprir pena pelo gostinho que tinha por tenrinhos
3 - conhecer a amiga da ex-namorada de liceu e vizinha de uma colega que não me dirige palavra
4 - ser servido por uma empregada no limiar da menopausa e de esperanças pela quarta ocasião
4.1 - ver um suculento choco grelhado devolvido à procedência por ter as pontas dos tentáculos carbonizadas
4.2 - servir-me à indiscrição de sangria discreta, ou xarope de groselha com um piquinho a tinto e um pau de canela
5 - apanhar um cachaço de esmagar as cartilagens vertebrais de uma miuda giríssima
6 - desfrutar do repasto ladeado por infindáveis mulheres giríssimas
6.1 - entre o agrupamento de mulheres giríssimas, a minha própria Maria, que insuflou estupidamente que nem um peixe-lua só porque uma motard giríssima lhe elogiou as feições desmesuradamente giríssimas
7 - tomar conhecimento das performances sexuais de algumas figuras públicas
7.1 - tomar conhecimento dos alegados atributos das acima referidas figuras públicas
8 - saber que o Estado financia recriações, em escala 1:1, de batalhas napoleónicas
9 - defraudar as expectativas da miuda giríssima do cachaço por não ter pronunciado uma única obscenidade
10 - ah... e tudo pela módica quantia de 10 euros/cabeça

sexta-feira, março 7

Varriações

Reporto relato recorrente referente ao raio do rato que roeu a rolha da garrafa de rum do rei reformista Romanov da Rússia, reles que rebolava nas resmas de rameiras rançosas, roçando-lhes a rosca nos refegos dos robustos e roliços rabos requentados por ranchos rançosos e ruins. "Raça de um raio", raivou ruidoso o regente repelente!
Adaptação livre, aumentada e particularizada da ladainha retirada do Trava Linguas, oferenda dos meus estou-quase-nos-entas

quarta-feira, março 5

Descarga emocional

Tez morena. Pele que se adivinha aveludada, ainda sem sulcos da idade casmurra. Olhos amendoados e de fito terno, fixado, diligente, no monitor que lhe debita o dedilhar. Camisa justa. Curvas definidas e serpenteadas até à ganga das calças. Reforça-lhe o charme informal, sem lhe retirar rectidão no empenho das tarefas. Em suma: a nova estagiária é muito gira, bem composta e dedicada. Não fosse estar bem à entrada dos balneários, havia ali potencialidade para alguma química. A descarga do autoclismo dos homens faz um chavascal que um gajo não passa discreto. Nem que assobie

segunda-feira, março 3

Carne picada

Katherine Von Drachenberg, ou Kat Von D, é uma artista que encarna, literalmente, os dotes invulgares do retratismo. Ícone - para mim - da reallity-soap Miami Ink, Kat justificava as minhas incursões por madrugada fora no People + Arts. De traço seguro, a giríssima artista - na minha opinião - imortalizava, com assustador pormenor, canídeos no lombo de tristes donos, que ainda choravam a perda do fiel amigo enquanto alfinetados. Ou uma Virgem Maria semi-desnudada nos bíceps de motards crentes em seitas alternativas. Ora a Kat zangou-se com o mal-humorado patrão do famoso salão tatuador, Ami James, um judeu de feitio irascível, e montou negócio próprio, também sob testemunho televisivo, baptizado, de forma original - digo eu - por LA Ink. Se ainda avançar para uma ideia antiga, contratarei os serviços desta mulher que se despe para nos mostrar a família