Faz-me alguma graça chamarem Madjer a todo o artista que calca o esférico em jogos de fim-de-semana. Quem avalia com essa leviandade não conheceu o Zeca, o meu colega de primária que corria mais que um galgo... corrido à pedrada. O Zeca tinha aquela tez cenoura, incisivos centrais desalinhados e um porte tão escanifrado que tinha de cuidar-se em dias de ventania. Mas a ligeireza do Zeca proporcionava-lhe super-poderes nos sprints de Educação Física. Ganhava as corridas naquele estilo a cambalear. Em cada passada larga flectia os abdominais, ao mesmo tempo que balançava a queixada para impulsionar a carcaça franzina . Era uma técnica inestética, que se confundia com esgar de sofrimento pré-comatoso, mas extramente eficaz. Mas o Zeca não era temido apenas nas corridas. Em momentos mais quentes de altercação, o Zeca virava-nos os costados e infligia um coice de mula que carimbava muita nódoa negra nas tenras pernas dos colegas de turma. Na altura, ganhei mais medalhas que a comitiva olímpica portuguesa em Pequim
segunda-feira, agosto 25
O Zécalcas
Faz-me alguma graça chamarem Madjer a todo o artista que calca o esférico em jogos de fim-de-semana. Quem avalia com essa leviandade não conheceu o Zeca, o meu colega de primária que corria mais que um galgo... corrido à pedrada. O Zeca tinha aquela tez cenoura, incisivos centrais desalinhados e um porte tão escanifrado que tinha de cuidar-se em dias de ventania. Mas a ligeireza do Zeca proporcionava-lhe super-poderes nos sprints de Educação Física. Ganhava as corridas naquele estilo a cambalear. Em cada passada larga flectia os abdominais, ao mesmo tempo que balançava a queixada para impulsionar a carcaça franzina . Era uma técnica inestética, que se confundia com esgar de sofrimento pré-comatoso, mas extramente eficaz. Mas o Zeca não era temido apenas nas corridas. Em momentos mais quentes de altercação, o Zeca virava-nos os costados e infligia um coice de mula que carimbava muita nódoa negra nas tenras pernas dos colegas de turma. Na altura, ganhei mais medalhas que a comitiva olímpica portuguesa em Pequim
quinta-feira, agosto 21
Let's party
Ao fundo, um senhor alto, com uma imponência física que minguava na imensidão da sala vazia. Esperava pelos convidados, já com indisfarçável impaciência. Mas o salão ornamentado com motivos policromáticos continuava vazio, aglutinando os permanentes suspiros do senhor alto. Entretanto, abocanhava canapés. Já nem era apetite, era tique nervoso. Mastigava tanto quanto transpirava. O senhor alto olhou outra vez para o relógio. Os ponteiros rodopiavam, mas ninguem aparecia. Mais canapés e mais lamentos em surdina. Um festim tão solene e ainda ninguém para o engalanar. Mas acabou-se a angústia. Primeiro chegou a Vanny, irrequieta. Logo a seguir, o Nelsinho, ainda cheio de areia no rabo. Pediram muita desculpa pelo atraso, mas tinham passado primeiro pela Luz para vestir a camisola a preceito. O senhor alto inspirou fundo e abraçou os convivas. Portugal aplaudiu e também se cobriu de verde e vermelho(Ensaio sobre o desafio lançado por Nuno Fernandes, presidente da Comissão de Atletas, a Laurentino Dias para promover uma festa de campeões logo a seguir aos Jogos Olímpicos de Pequim. São poucos, muito bons e da melhor escola!!)
Adenda: afinal chegou mais um, mas este não foi à festa do senhor alto e deixou-se ficar pela Catedral (não sei é por mais quanto tempo)
quarta-feira, agosto 20
Fleuma olímpica
A Cândida Pinto engana um bocado. Tem aquele nome próprio de ingénua pureza e logo que não se dá por ela... zás, lá está a reporter de guerra em zona de conflito. No meio de bazucas, lança-mísseis, torpedos ou bombas de gás-mostarda, Cândida transmite-nos, com fleuma inabalável, o drama destruidor da avidez humana. Ainda agora continua às portas de Tbilissi aguardando que as chaimites russas entrem pela capital georgiana dentro para esmigalhar tudo o que é edifício público para, assim, fragilizar Mikhail Saakashvili, o presidente que troçou da influência da dupla Medvedev-Putin na zona do Cáucaso. Contam-me que, concluída a cobertura do conflito na Geórgia, Cândida Pinto manter-se-á em ambiente de guerrilha. Assim que regressar a Portugal, prevê fazer dois ou três directos à porta da sede do Comité Olímpico de Portugal
segunda-feira, agosto 18
Ranchosa
O Bunny Ranch é um programa que tem a sua graça, mas tenho de ligar para a SIC Radical a protestar pelo horários impróprios desta série. Costumam passar aquilo pelas 23:00 e isso não é a hora mais adequada, sobretudo para quem anda quase há duas semanas a levantar-se pelas 08:00 da manhã. Tem noites que me custa segurar a vigília
quarta-feira, agosto 13
MortaDelas
segunda-feira, agosto 11
Óleo Gula
sexta-feira, agosto 8
Tales from the heart
Deixaste a porta entreaberta para me facilitar a investida. Esperavas na sala com indiferença glaciar. Olhaste-me de soslaio e ordenaste que me despisse, num trato frio e autoritário. Tirei a roupa. Disseste para me acercar de ti para que pudesses passar-me o gel pelo corpo. Levantaste-te e, num esgar de sorriso quase imperceptível, murmuraste-me "hoje sou eu que faço a cama". Sacaste do rolo de papel asséptico, estendeste-o pela marquesa e mandaste-me deitar. Fiquei todo besuntado, mas o electrocardiograma correu bem
quarta-feira, agosto 6
Rabo de gralha
- Maria: Ao cu do conde!
- Criança: Eu também quero ir!!
...
Minha querida filha. Passas ainda por tenra idade e não dominarás, por certo, a peculiar gíria desta expressão idiomática. Como não escolheste os genes que te materializam a existência, também não terás a culpa da irresponsabilidade de quem carrega o ventre que te gerou. Ter-se-á esquecido a tua mãe que reproduzes com uma exactidão assustadora tudo o que de mais estranho te faísca nos tímpanos. Esqueceu-se também a leviana da tua mãe que tens passado estes dias com a tua avó
...
Para memória futura, quero que saibas que no circulo de relacionamentos do teu querido pai não figura ninguem titulado e muito menos quem confie as costas para despudores dessa estirpe. E se queres ir, desemerda-te sozinha
segunda-feira, agosto 4
Roda bota fora
Foto à esquerda: há adultos que querem ser crianças
Foto à direita: há crianças que não querem os adultos
quinta-feira, julho 31
Taberneireiro
O mesmo de sempre? A pergunta de rotina atirava-se enquanto se afiavam as lâminas da tesoura. A fidelidade tem destas coisas. Vinculamo-nos à intimidade de quem nos decora as medidas capilares. Era assim no Conde Barão, onde aparava a melena ao lado do Henrique Viana. Acabei por renunciar ao barbeiro quando me mudei para os arrabaldes de Lisboa, derrotado pelo transtorno de uma deslocação mensal (que a carapinha cresce com alarvidade). Acedi experimentar a cabeleireira das proximidades. Não cortava mal. O mais chato era mamar com as cassetes de música nordestina. Foi-se embora... para o Nordeste brasileiro e trespassou o espaço a uma dupla de suburbanas que até nem tem mau ar. Já fui lá umas quatro vezes. Fidelizei-me, apesar de o mesmo não ser o de sempre. Passo a explicar. Da última vez saí de lá em desconforto. Pior que o desbaste a pente 1 - que me deixou o cocuruto com uma áspera camuflagem de ouriço - foi o remate do serviço. Depois das desculpas pelo descuido, a patroa saca do pente e da tesoura e apara-me as sobrancelhas!! Fervilha-me um organismo de taberneiroNo fim, ainda tive de carregar com a Cice, que não tinha maneira de se aguentar em pé, depois de ter passado toda a sessão do escalpe a rodar-se na cadeira ao lado. Arreporra!!
terça-feira, julho 29
Nútrir
Nas leituras jornaleiras da minha (curtíssima) temporada de veraneante, retive uma notícia que me inquietou. Por esse motivo, mobilizo-me hoje a favor da Federação Portuguesa de Naturismo, que há um punhado de dias alertou as autoridades para a falta de vigilância nas praias onde se passeiam em pelota. Sensibilizado pelo dramático alarme, obrigo-me a sugerir a todos os reformados e pensionistas que se munam do material adequado e assentem arraiais pelas praias dos Alteirinhos (Odemira), Adegas (Aljezur), Barril (Tavira), Belavista (Almada), Meco (Sesimbra) e Salto (Sines). Se tiver vagar nesta estação de canícula, prometo também fazer uma investida... se ainda sobejar espaço entre as dunas
terça-feira, julho 15
segunda-feira, julho 14
A metamorfose
- Fogacho: Então, como é que correu o dia?- Maria: Como é que correu? Olha, uma m#rd@, foi como correu. Primeiro, o fi£h@ da p"t@ do gajo da vanette esqueceu-se de meter gasolina e tivemos de esperar mais de meia hora que o senhor nos levasse lá ao sítio do beberete. Ainda pensei fazer queixa do gajo. Segundo, foi o cªbr*o do motorista do autocarro que largou três minutos antes da hora e cªgºu de alto para mim. Também pensei fazer queixa do gajo, mas disseram-me que os serviços já estavam fechados e não estranharam nada a ocorrência, porque já faz tempo que andam a varrer toda a m£rd@ para aquela carreira. Terceiro, desisti e vim de taxi. E não é que o pªn£l£irº do taxista teve a coragem de me dizer que o devia ter avisado do desvio, porque desconhecia que agora tinha-se de virar ali para a direita. Mas que grande filh@ da p#tª. Devia é ter feito queixa à Retalis!!!
Um gajo faz uma pergunta inocente e sai uma cagada em três actos! Já não a reconheço e nem faço ideia onde foi ela buscar estes modos. O pior de tudo é que ganhei medo...
quinta-feira, julho 10
quarta-feira, julho 9
segunda-feira, julho 7
Kim é?
Fogacho: Não faço ideia
Refugiado: Vou a um concerto de uma mulher desmesuradamente bela
Fogacho: Desmesuradamente bela? Assim de repente só me estou a lembrar da Kim Wilde
Refugiado: Correcto!
Fogacho: A Kim Wilde?! Eu tinha calafrios com essa mulher aquando da minha juventude!!
Refugiado: ... e eu vou lá estar
Fogacho: Eh pá, tira uma fotografia e manda-me
Refugiado: Podes contar com isso...
De que servem os bons fins se não há meios que lhes valham?
quarta-feira, julho 2
Fedorixado
Não fazia ideia que beltrano já tinha uma filha em idade escolar. Também não imaginava que sicrano já estivesse divorciado. Ou que fulano-de-tal andasse de namoro com a não-sei-quantas. Posso também confidenciar que o cocó do pensa-que-é-giro perdeu aquele aroma de refogado e passou a libertar uma fragrância semelhante à da couve-lombarda. Já agora, confirmo que as flatulências do anda-sempre-a-largar-se confundem-se com a cozedura do bolo de arroz, o que, convenhamos, é ligeiramente mais suportável que os gases de mostarda de Dijon do cagou-se-todo. Fizeram mudanças neste piso onde trabalho. Para o triplo de funcionários mantem-se a serventia da exígua casa-de-banho com uma retrete e dois urinóis. Está bem que socializamos quando esperamos pela vez, mas qualquer dia já não há tema de conversa, nem narinas que aguentem a vazão das descargas
terça-feira, julho 1
Sande y Regis
quinta-feira, junho 26
Espectáculo cicense
- Cice: Sabes? Sabes?- Batatinha: Sei o quê?
- Cice: Sabes que o não sei quantos disse uma coisa à não sei quem?
- Batatinha: Ai foi? E disse o quê?
- Cice: Disse... disse uma coisa feia!
- Batatinha: Ai sim... o quê?
- Cice: Uma coisa mesmo muito feia
- Batatinha: Isso já percebi Cice... mas que coisa?
- Cice: ... (cinco segundos)
- Batatinha: O que é que ele disse?
- Cice: ... (sete segundos)
- Batatinha: Mas o que foi?? O que é que ele disse??
- Cice: Agora não me lembro...
terça-feira, junho 24
Camone baby!
Zezé Camarinha atolou-se no vazio deixado pela prematura eliminação de Portugal no Euro2008 para lançar hoje, no Maxime, o manual que irá reerguer as almas depenadas pela angústia de novo título perdido da nossa selecção. Num estilo assertivo e rectilíneo, Zezé aniquila as metáforas e dirige-se, sem delongas, à essência da sua causa. Na obra que este algarvio decidiu repartir com a opinião pudica, saberemos, depois de obstinada leitura, quais os dez mandamentos para ter, e passo a citar, "sussexo com as gajas". Num documento histórico, que formalizará o desfecho de quase 40 anos de canículo engate, Zezé solta, pela última vez, a embraiagem para nos sugerir as melhores técnicas para aplicar, por exemplo, "a beach massage, with cream number five, in a british darlingue". Não querendo desvendar muito mais da obra que saciará os famintos leitores da mais refinada sabedoria parasitientalista, exijo-me concluir com um novo aforismo que tritura o já bolorento adágio popular do tudo o que vem à rede é peixe: "antes de se terem lembrado que as mulheres podiam ir à tropa, comigo já elas marchavam todas", atesta o último macho man português, em golpe de anca copular. Tungas catrapumbas!!
segunda-feira, junho 23
À minha taça
quinta-feira, junho 19
Fomos (de vela, no Europeu)!!
segunda-feira, junho 16
Foleiro, pá!
José, sei que ainda estás a recompor-te do transtorno irlandês, mas deixa que te manifeste a minha inabalável solidariedade. Sei que o sim irlandês era fundamental para a tua carreira política, mas saiu-te um resultado mais acre que a cevada tostada de uma Guinness. Confia no que te digo, José, se isso te pode consolar: tenho para mim que está tudo tratado (desculpa lá o trocadilho). A França, que assumirá a presidência da desUnião Europeia no mês que vem, vai desenrascar uma solução. O Sarkozy junta a malta toda em... deixa cá ver, Perpignan, pode ser Perpignan, terra de bom vinho e produção corticeira. Fazem umas patuscadas, reformulam o acordo com umas exclusões aos irlandeses e pronto... uns meses volvidos, e a bem da coesão europeia, já ninguem se lembra do Tratado de Lisboa
terça-feira, junho 10
Os raçudos arraçados e os macacos da miúda
Contrariando a opinião de Cavaco Silva, mantenho muitas dúvidas se o Dia de Portugal celebra o dia da raça. Julgo que o conceito está diluído em Portugal. Somos um país com raça, mas sem raça definida (não sei se me fiz entender). Vejamos o exemplo dado pela nossa fulgurosa selecção. Na equipa orientada por um gaúcho, contam-se um natural do Zaire e dois nascidos no Brasil (mais um guarda-redes tão bom, mas tão bom, que, com a graça de Deus, não teve o azar de ser oriundo do Perú, para não agoirar). Não é por esta disparidade de nacionalidades que deixamos de ser competitivos. Em minha casa brota outro exemplo fiel ao melting pot do nosso país e também não é por isso que não deixa de reinar a harmonia. Convivo diariamente com uma tipical irish, que desdenha, do alto do seu olho azul, das minhas linhas paquistanesas, e uma raça de miúda que passa o dia a esgravatar o nariz (é que já não se pode com tanto presente colado aos indicadores)!!!
segunda-feira, junho 9
Complexo de superlatividade
quinta-feira, junho 5
Flutelências
...
Adenda (pelas 22:00): Retiro tudo o que disse... Peço desculpa. Um gajo precipita-se e depois apanha com uma grande bofetada de luva branca. Afinal, graças a uma atençãozinha da Galp, o gasóleo passará a custar, a partir da meia-noite, menos meio cêntimo. É pouco, mal se vê, mas sempre são três bagos de arroz
quarta-feira, junho 4
terça-feira, junho 3
Folhear Hoje Maio
sábado, maio 31
sexta-feira, maio 30
Shock in Rio
quinta-feira, maio 29
Disputa cicuta
Luís Filipe Menezes não apoia ninguém. Manuela Ferreira Leite diz que é séria. Pedro Passos Coelho mede o pulso à política. Pedro Santana Lopes sacia o vício. Menezes até gosta de Passos Coelho. Santana Lopes pede isenção. Patinha Antão clama por mais atenção. Menezes não apoia ninguém mas não gosta de Ferreira Leite, que continua a dizer que é séria. Passos Coelho baixava os impostos. Ferreira Leite diz que nem pensar. Já Santana Lopes diz que Passos Coelho não sabe do que fala. Patinha Antão clama por mais atenção. Menezes diz que Passos Coelho é credível. Santana Lopes duvida. Passos Coelho prefere não ter experiência governativa do que ter má experiência governativa. Santana Lopes diz que Passos Coelho é sampaísta. Ferreira Leite teima que é séria. Menezes queixa-se do cinzentismo de Ferreira Leite. Santana Lopes quer acabar com a bagunça. Passos Coelho diz que Santana e Ferreira Leite são mais do mesmo. Patinha Antão clama por mais atenção. Ribau Esteves (?!?) diz que o PSD se transformou num cemitério de líderes e (não sei se por isso) apoia Santana Lopes. A oposição oposiciona-se com tiros no pé e carboniza em labaredas de aceso... lume. Sócrates agradece, mas já não fuma (até ver...)
quarta-feira, maio 28
Sick Mulher... e filha
A mãe gostava tanto da filha que não lhe podia ouvir birras. A mãe gostava tanto-tanto dela que ganhou pânico às lamúrias caprichosas. Comprou-lhe um carro desportivo, mas não tinha espaço, dizia a filha, que preferia um SUV. Comprou-lhe um cão por quase 1.000 dólares, mas tinha pulgas, queixou-se a filha. Vestiu-a com roupas de conceituados estilistas, que, veio depois a saber-se, tinham sido roubadas. A mãe era desempregada e a filha nunca deu conta, embriagada pela compulsão de ter-e-ponto-final. Mas o grande segredo estava reservado para o directo: a mãe prostituia-se para custear o apetite voraz de uma adolescente de 17 anos. A filha achou nojento! O Dr. Phil disse-lhe das boas, à grande magana. Aos finais da tarde, na SIC Mulherterça-feira, maio 27
segunda-feira, maio 26
O chorão Jordão (e ainda outras lágrimas)
quinta-feira, maio 22
quarta-feira, maio 21
Galpada
terça-feira, maio 20
Fortuna de outrora
Consegui finalmente confirmar a efeméride há poucos dias: 18 de Março de 1981. A data nada dirá a muitos, mas, no que me respeita, entranha-se-me no íntimo da formação clubista. Lembrava-me da bancada de granito frio do primeiro anel. Da almofada, improvisada em recheio de jornal, que o meu pai trouxe de casa. A mesma que tinha dado conforto ao rabo da minha mãe num concerto do Chico Buarque no Coliseu dos Recreios. No que a memória ainda me permitia na actualidade, tinha a certeza absoluta que, nessa noite, jogou o Laranjeira, o cromo mais repetido da minha colecção de caderneta. Recordava-me também que o adversário vestia de laranja e que fui enxovalhado no dia seguinte por um vizinho. Fiz-lhe pirraça e contei-lhe que tinha ido pela primeira vez ao Estádio da Luz. “Só foi pena termos empatado”, disse-lhe, resignado. “Empatado?? Mas o Benfica ganhou 1-0!! Ou és um grande mentiroso ou estiveste a dormir”, respondeu-me, em dobro de troça. No meu primeiro jogo na Catedral, o Benfica ganhara a uns alemães do Fortuna de Dusseldorf com um golo do Chalana a três minutos do fim. Na ocasião, já eu tinha abalado do estádio com o meu pai a garantir que “isto já não vai dar nada”. Hoje, vou sabendo que o Benfica não ganha. Há mais de 27 anos, o Benfica até ganhava e eu não sabiaquinta-feira, maio 15
Cheque mato
Sobre os estampados nas indumentárias da mãe...- Cice: Este é o Capo Socas
- Eu: Nãã... Sapo Cocas. Co-cas!
- Cice: Este é o Tremalha
- Eu: Metralha... Me-tra-lha!!
- Cice: Esta é a Maga Patalógica
- Mãe: Boaaa! E consegues dizer otorrinolaringologista?
- Cice: É irmão da Maga?...
Para desafios imbecis, soluções evasivas!
quarta-feira, maio 14
Adónis!
terça-feira, maio 13
segunda-feira, maio 12
quarta-feira, maio 7
Infelizmente, cheira!
segunda-feira, maio 5
segunda-feira, abril 28
Lila, oh Lila
Assemelho-me nestes dias a um toxicodependente em período de privação. Acabei de degostar, junto da minha Maria, a segunda época inteirinha do Dexter, o especialista forense que mutila às fatias, e em espaços assepticos, homicidas que a justiça negligenciou. Vou sentir falta do humor mórbido do Morgan, da volatilidade sentimental da irmã Debra. Da rectidão maníaca do falecido pai, Harry. Da prendada e dedicada Rita, uma alma naif que todos os homens gostariam de ter a seu lado, para prevaricarem à vontadinha. Para melhor avaliarem o meu estado de viciação, até me fazem falta a cabra-tenente Laguerta e o amante secreto, sargento Doakes, o atirador compulsivo que virou bode expiatório. Vou ter muitas saudades do pinga-amor Angel Batista e do sexualmente perverso Vince Masuka. E assim que me lembre... estão todos! Se já ando neste estado, nem quero imaginar se a série tivesse, sei lá, uma actriz infinitos de gira e com um carregadíssimo british accent
quarta-feira, abril 23
Fight club
Eu: Onde vais?
Ela: À reunião do condomínioEu: Não há pachorra...
Ela: Olha se todos pensassem como tu (relambório, relambório, relambório). Temos obrigações comunitárias (pata-ti, pata-ti, pata-ta). Temos o nosso papel construtivo na sociedade (bla, bla, bla, bla). Ninguem te obriga a ir (lérias, lérias, lérias)
Eu: Mas já não houve uma na semana passada?
Ela: Sim!
Eu: Então para que é que há outra hoje?
Ela: Detectaram um rombo nas contas e agora vão pedir troco às três tipas da administração, que se arriscam seriamente a ser linchadas pelos inquilinos do 4º B, que fizeram panelinha com os do 6º A, os mesmos que foram corridos há três anos da gerência do prédio ainda não se sabe muito bem porquê e que, muito provavelmente, hoje vão meter a boca no trombone e o punho nas ventas das três tipas, que, por sua vez, não sabem explicar o que fizeram ao dinheiro, o que desde logo implica que alguem se responsabilize e meta a cabeça no cepo, porque há gente doidinha para lhes fazer a folha, situação que promete muita trolha e roupa suja, como as cuecas que foram encontrar no hall de entrada que se desconfia serem do vizinho que andava a pinocar uma administradora que lhe perdoou três meses de condomínio... Onde é que vais?
Eu: Buscar o casaco e cumprir o meu dever cívico
sexta-feira, abril 18
Agora escolha
Questionou-me a minha amiga Florença, em manifesta perturbação, sobre os méritos que recolocaram Silvio Berlusconi na governação em Itália. A indignação é pertinente mas não suscita explicações complexas. Para mim, e restante comunidade masculina que se gaba de algum bom gosto, a vitória de Silvio premeia um debate político que se sustenta no glamour. Ou, por outras palavras, em mulheres dotadas de méritos estéticos inquestionáveis. Ou, ainda por outras palavras, gajas boas, como sucede no caso de Mara Carfagna, uma antiga modelo, cuja foto mais badalada na internet me abstenho, por decoro, de postar. Ora, em Itália discute-se nestes dias se a pasta do Ministério da Família se enquadra no perfil de Mara. Estou convicto que sim. Uma pessoa que, apenas pelo sorriso, estimula padrões como amor, fidelidade e procriação é, sem dúvida, uma bandeira do que deve ser o paradigma do reforço dos laços familiares. Por cá, debate-se a crise de um partido em implosão e que clama pela Dama de Ferro. Sem desprimor à legítima questão levantada pela minha amiga Florença, acho que deve ser reconhecido inteiro mérito a Berlusconi. O caro leitor teria dúvidas entre escolher um rosto de olhar terno e sorriso contagiante (esquecendo a coxa robusta, que este é um espaço sério) ou uma existência de semblante sisudo, franja lacada, olheiras até às papilas gostativas e queixada com dois hemisférios?quinta-feira, abril 17
O circo de Roma
A menina Perla Pavoncello é (ou era) uma iniciante investigadora, licenciada em Ciências, que está (ou estava) prestes a terminar o seu vínculo de 10 meses a uma fundação. E foi precisamente esta situação precária de avençada que a encorajou a inquirir directamente Silvio Berlusconi ainda nos preliminares para as eleições que acabam por ser ganhas, de forma esmagadora, pelo presidente do AC Milan. Nos Prós e Contras da RAI dedicado à corrida às urnas, Perla dirigiu-se desesperadamente ao candidato Silvio e perguntou-lhe que soluções sugeria aos mais jovens para encetarem uma vida independente. O magnata sorriu, ajeitou os implantes capilares e respondeu em jeito incisivo: "case com o meu filho ou com outro milionário!". Perla achou piada à graça de Silvio e até prometeu o seu voto no partido Povo da Liberdade. Toda a esquerda italiana, a grande derrotada no recente sufrágio, se insurgiu contra a insensibilidade de Silvio, que contra-atacou os difamadores com um lugar elegível para Perla no círculo de Roma. Alvíssaras à nova deputada!
terça-feira, abril 15
segunda-feira, abril 14
A massa(ja)dora
Vieram há dias falaram-me em pacotes lúdicos para namorados juntos e casados que promovem serviços que variam entre viagens de balão e massagens a quatro mãos. Quanto à primeira opção, admito que é devaneio para embarcar, mas só quando desbastarem significativamente a tabela de preços. Sobre a segunda hipótese, tenho memórias bolorentas bem mais pueris e com a mesmas capacidades de me arregaçar a pele. Nos meus tempos de ciclo tive uma colega que me proporcionava inadvertidamente uma paz zen. A Sandra era especial. Tinha problemas de socialização, era marrona e, por consequência, empenhava-se em arrecadar as melhores notas. Para inspirar as graçolas dos detractores, recorria a umas lentes graduadas e a uma prótese que lhe compensava a perda precoce do incisivo central direito. Fruto das tecnologias precárias da altura, a peça dentária teimava em desencaixar do oríficio e bastas vezes a Sandra tinha de chafurdar no prato da sopa para recuperar o dente de louça. A pequena anomalia bocal oferecia-lhe também um característico, e aprazível, assobio sempre que pronunciava os ésses. A juntar à suave brisa que lhe escapava da cavidade, a Sandra tinha também o hábito de engolir a saliva sempre que fechava um parágrafo na hora diária de leitura. Confesso que me contorcia em arrepios dérmicos que me levitavam as extremidades capilares. Na minha mocidade, muitas raparigas me acicataram a puberdade, mas a Sandra foi a única a arrebatar-me toda aquela zona cervical. Quer dizer... a única não, que depois apareceu na minha vida o sr. Bastos, o vizinho que passava as tardes de domingo a polir os vidros do carro com frascos de Ajax. Como podem atestar, são memórias que não ofendem, que também relaxam e não se inspiram em massagens orgíacas camufladas de serviços do amor
quarta-feira, abril 9
Casei com uma futeboleira
Ela: É o Manchester que está a jogar, não é?Eu: É... é! (chiça... a cultura futebolística desta mulher)
Ela: E a outra equipa é a Roma, não é?
Eu: Sim... é! (fonix... a gaja é uma enciclopédia da bola)
Ela: O Ronaldo... está a jogar?
Eu: Não, está no banco! (eu vi logo que afinal não percebe nada disto)
Ela: Pois... o Ferguson quis poupá-lo das sarrafadas dos italianos!
Eu: Pois foi... pois foi (mas esta mulher anda a ver jogos às escondidas?!?)
terça-feira, abril 8
Barbearia
quarta-feira, abril 2
segunda-feira, março 31
A martelada de Jennifer
Jennifer Jones amacia o martelo. Retira-lhe as impurezas. Coloca-o a jeito para o lançar com ajuste. Expira numa sofreguidão que lhe denuncia a tensão carregada. Volta a fitar o destino que lhe reserva os louros. Amacia-o de novo e recua em ligeira hesitação. Balança o corpo. Recua e avança de novo. Cerra o olhar e mordisca os lábios carnudos. Sussura algo imperceptível e prepara-se para o solavanco final. Antecipa, no último segundo, o caminho até ao ponto da glória. É o momento. Jennifer lança o martelo que amaciara segundos atrás. Ordena que esfreguem para aquentar o atrito... sobre o pavimento gelado do pavilhão de Vernon. O curling só é ridículo para quem não atenta às peculiares minudências do chinquilho sobre o gelo. Estou fãsexta-feira, março 28
Troca de galhardetes
...
Manuel Sérgio, o deputado reformado, acaba de aconselhar: "Acho que (Mourinho) devia ser o próximo treinador do Benfica. Sem dúvida. Se fosse, e se fizesse ou se aproximasse do que fez quando treinou o FC Porto, ganharia mais do que se fosse para um outro clube que lhe desse grandes jogadores". Em jeito de conclusão: Fala quem sabe!
quarta-feira, março 26
Na pia sabe-a toda
Que maior sinal de galopante maturidade poderia recolher da minha filha que a sucessão que me presto, orgulhosamente, a enumerar: 1 - já larga a poia na sanita dos adultos; 2 - ainda chama para se lhe limpar o rabo (toda a evolução sofre revezes e implica sacrifícios); 3 - puxa o autoclismo; 4 - observa se algum despojo se cravou teimosamente na cerâmica de Valadares; 5 - saca com ligeireza do piaçaba; 6 - esfrega com desvelo os restos da porcaria; 7 - (esta é que me parte todo) perscruta se algum resto de caca se alojou na escova do artefacto antes de o arrumar; 8 - abraça-me e pede-me que páre de chorar compulsivamente
segunda-feira, março 24
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