quarta-feira, junho 7

Foste embora mamã

Na passadeira vermelha da Califórnia, Mel Gibson erguia o óscar pelo Braveheart. No mesmo ano, mas no velho continente, um corajoso realizador francês, Jacques Doillon, atribuia a uma miuda de três anos o papel principal no drama mais arrepiante da história do cinema. Ponette (Victoire Thivisol) perdeu a mãe, mas vá-se lá convencer a pequena que a senhora ficou toda esfrangalhada num acidente de viação. O filme trata da obstinação da criança em reencontrar a progenitora. Desafio todos os machos latinos a assistir àquela cena em que a criança assume definitivamente o luto quando começa a esgravatar a campa da falecida. O filme ideal para ver junto da mulher do melhor amigo e não ter ideias porcas.

... À procura em toda parte
Não importa se for longe
Hei-de encontrar-te

terça-feira, junho 6

Dança comigo!


Pretty girl on the hood of a Cadilac, yeah....
She’s broken down on freeway nine.
I take a look and her engine’s started,
I leave her purring and I roll on by....bye bye

Free love on the free love freeway,
The love is free and the freeway’s long...
I got some hot love on the hot-love freeway
I ain’t going home cos’ my baby’s gone

A little while later, see a senorita,
She’s caught a flat trying to make it home,
She says “Por favor, can you pump me up?”
I say “Muchos gracias, adios. Bye Bye.”

Free love on the freelove freeway,
The love is free and the freeway’s long
I got some hot love on the hotlove highway,
Ain't going home ‘cause my baby's gone.

Little while later I see a cowboy crying,
“Hey buddy, what can I do?
”He says “I lived a good life, had about a thousand women.”
I said “Why the tears?”,
he says “‘cause none of them was you.”

Free love on the free love freeway,
where the love is free and the freeway is long...
I got some hot love on the hot-love freeway
I ain’t going home cos’ my baby’s gone


David Brent sings Free Love

Copy-paste, copy-paste, copy-paste

A prova escrita - literária e literalmente - que dá muito mais gozo cascar nos outros. Neste particular, o gozão é João Pedro George e os outros são alguns escritores cotados na praça. Gente como Lobo Antunes, Mega Ferreira, Inês Pedrosa ou Possidónio Cachapa, entre um vasto team de doutorados dos livros. Num gozo hilariante, todos são reduzidos à categoria de tu-tens-é-a-mania-que-escreves-bem, pois - não sei se já vos disse - dá um gozo brutal cascar nos outros. Infelizmente, a creme de la creme, Margarida Rebelo Pinto, não figura nesta obra. Para a loura inteligente, que produz quatro livros por trimestre, nos quais dá muito gozo cascar, o Jóta Pê reservou uma publicação inteirinha, Couves e Alforrecas. Ficou uns dias no congelador, na sequência de uma providência cautelar da ofendida. Felizmente, e porque faz bem cascar no próximo, o tribunal considerou de interesse quase científico o peculiar transtorno obsessivo-compulsivo do copy-paste da autora. Vá-se lá perceber estes tarados, mas que dá um gozo brutal, ai isso dá

Vá de recto!

Estreia hoje, dia aprazado para o fim do Mundo, a versão hard-core do Pimentinha. Uma pobre senhora (gira como tudo) passa a vidinha às turras com um verdadeiro satanászinho, que tem uma tara pelos algoritmos. Por todas as contas que faça, o resultado da soma dos catetos é sempre três seis ordenadinhos. A pobre senhora (gira como tudo) já está pelos cabelos com tanta diabrura do anticristo. Será ela o último anjo na Terra?

- Acode-me Julia, acode-me que desfaleço
- Calminha, que tenho de dar alí duas galhetas ao miúdo. Oh Demo, não vires o avô do avesso!

segunda-feira, junho 5

Há que por-lhe Penicilina

Já na água erguendo vão, com grande pressa,
Com as argênteas caudas branca escuma;
Cloto co peito corta e atravessa
Com mais furor o mar do que costuma.
Salta Nise, Nerine se arremessa
Por cima da água crespa, em força suma.
Abrem caminho as ondas encurvadas
De temor das Nereidas apressadas.

in Lusíadas, As Nereidas (Canto II)


Por falar em sereias, lembrei-me de uma história de um noticiário de fim-de-semana. Um zeloso funcionário público da região Oeste teimou com uma senhora, de seu nome Nereida, que não podia transferir o mesmo baptismo para o rebento. Não figurava na lista e nem sequer sabia o que aquilo queria dizer. Mas pronto, com uma notazinha de 100 aérios dobrada na lapela, lá concedia um bocadinho e permitia Nereide ou Neireide. Nereida é que não e não. Ficou Catarina

Splash!

Tive colegas famosas. A esganiçada Anabela, a nova eleita do La Féria, passou por lá. A Carla Andrino idem. Outra actriz de série B, que fazia de namorada do Diogo Infante na novela da Dona Branca, foi também minha coleguinha de faculdade. Lembro-me também do Carlos Ribeiro estar lá batido todos os meses para pagar as propinas à filha, que nunca soube quem era. Falava-se que se escondia de vergonha. Agora não me recorda da Marta. Também aquilo eram oceanos de raparigas e umas berlengas de rapazes. Mas porra, é preciso mesmo azar não ter conhecido a licenciada mais gira do ISPA. E porra-porra, a sereia tinha logo de escolher aquela área. Oh dotôra, dores nas cruzes vale?

Post it

Não me posso esquecer. É que não me posso mesmo esquecer. A florzinha de estufa ainda dá cabo de mim. Vamos lá recapitular: seis papo-secos, dois robalinhos amanhados, fraldas para a miúda, pastilhas para o wc pato, uma caixinha de húngaros, palitos de la reine e o genérico do Nimed. Quando sair daqui tenho de ir direitinho às compras. Amanhã deve estar tudo fechado. Que feriado mais besta

domingo, junho 4

Andam a mercher com o Cris

Ainda no rescaldo da contundente vitória de Portugal, deixo o meu veemente repúdio para com a indisciplina do nosso Ronaldinho. Ir aos gasganetes do capitão luxemburguês ainda vá que não vá. Agora aquele lance na segunda parte merecia dois cartões vermelhos e um mandado de captura da Interpol. Então aquilo faz-se Cris? Ainda por cima aquele rapaz não tinha nada a ver com o ceifeiro do primeiro tempo. Com a baliza toda aberta, mandaste uma bolada ao defesa-pregado-na-linha-de-golo?? Tiveste sorte porque já tinhas prometido uma camisola autografada ao sôr árbitro. Andam a mercher com aquela cabecinha de vento. Quando é que é a próxima folga?

Portugal é fixe

Bomba nuclear. Gigantones do carnaval de Torres Vedras. Todas as metáforas que sugiram poder devastador ou grandiosidade são insuficientes para classificar a nossa selecção. Este sábado, em Metz, mostrámos que ganhamos a duas equipas do Brasil juntas. Há para aí uns teóricos que acham 3-0 poucoxinho, mas o Luxemburgo não é uma equipa qualquer. É uma equipa de operários. Há lá engenheiros, técnicos de contas e um ou dois canalizadores. Valeu a arte de um Simãozão para desarrolhar o muro de betão. Na selecção não há cores (até jogaram de negro) e o facto de ter sido um benfiquista a arrumar de vez com os mega-assalariados não interessa nada. Mas fica sempre ben

sábado, junho 3

Prêt à porter - Parte 2

Uns tempos mais tarde, deu-me outra paranóia. Agora eram umas botas da tropa. Desta feita, a argumentação foi mais metódica e fundamentada. Queria porque os meus colegas também tinham. O estilo assertivo deu inesperadamente frutos. Directamente do Alfeite, dois tijolos dos fuzileiros. Fiquei radiante. Calcinha verde, arregaçada até ao tornozelo, lá andava eu todo pipi, com dois mastodontes pretos a batucar o pavimento. Foi nestes propósitos que passei uma seca monumental numa clínica. Aquilo tinha um respeitável corredor, branquinho-branquinho. Uma brancura cristalina que quase cegava. Ui... foi chiadeira de meia-noite. Catapum para cima. Catapum para baixo. Uma meia hora depois, a catwalk já parecia o escalpe dos 101 dálmatas.

- Então filho, já estás aborrecido?
- Não mãe, fiquei com saudadinhas

Prêt à porter - Parte 1

O J. Badocha ia sempre à baliza. Um dia, chegou à escola com umas luvas de cabedal para defender os estoiros da rapaziada. Quis umas iguais. Assim que me lembre, foi o meu primeiro capricho de indumentária. Arquitectei um plano para conseguir os meus intentos. Aproximava-se o dia da árvore e estávamos todos convocados para arranjar os canteiros e plantar uns abetos. Pás e enxadas para esventrar a terra. Tinha de cuidar das mãos. E queria porque queria. E vá lá. Vai ser um dia penoso. Preciso de umas luvas. Duas semanas de aflitiva chantagem emocional desaguaram na drogaria mais próxima. Um belo par de luvas de borracha, com tracção à peça de louça mais escorregadia.

sexta-feira, junho 2

Atestado de paridade

O malandreco do professor já começou a impor autoridade. Recambiou a maldita lei que impunha um terço de senhoras nas listas eleitorais. Um terço?!? Daqui a nada as cotas subiam para metade. Daqui a um tudo mais nada, para dois terços... e por aí a fora. Não dava uns cinco anos e a Assembleia da República transformava-se num enorme salão de manicura. E depois, quem é que trabalhava naquela casa? Recordo que Mundiais e Europeus de futebol são só de dois em dois anos. Não faz mal nenhum antecipar, ou mesmo adiar, votações pela nossa selecção. Mas vamos agora imaginar aquelas bancadas cheias de mulherio. O país paralizava por falta de quórum. Às 13:00 a Oprah; às 15:00 o Dr. Phil. Depois, pelas 16:30, A Juíza. Logo a seguir, Minha Casa, Sua Casa. Um saltinho à TVI para chorar com o Dei-te Quase Tudo. Sem perder tempo, novo zapping para o Durante a Tua Ausência e rematar finalmente com o Jardim Surpresa. As mulheres já nem têm tempo para serem mulheres, quanto mais deputadas. Bem haja TV Cabo

Paixão eterna

Frank e Anita é um casal simpático que anda nas parangonas dos tablóides britânicos. Acabam de bater o recorde de longevidade de um casamento. Para aqueles que na cerimónia já estão a pensar na melhor forma de escapulir pelas traseiras, ora tomem lá: 78 aninhos de aliança no anelar. Obviamente que toda a gente se atropela para saber o segredo de quase 80 anos a aturar a fronha um do outro. Pois bem... as duas gastas existências fundamentam a relação num único pressuposto: discutir todos os dias.

- É hoje, Anita? É hoje?
- Ai Frank, mas tu só pensas nisso? Amanhã, talvez amanhã.
- Velha frígida!
- Labrego!

quinta-feira, junho 1

Amor de cabeceira

E trucas, e trucas. Agora por cima. Tungas, catrapungas. Vá, de ladecos. Zás, pumbas. Vai de missionário. E pás, catrapás. Agora vira-te. Catapum, catapum. Umas palmadinhas. Tap, tap

- Oh P. pára lá com isso. Queremos dormir

- Só mais um rodada, que isto agora é que está a animar

Há quem acredite em tudo desde que viu um porco a andar de bicicleta. Eu passei a ser crédulo depois de ver um gajo fazer amor com uma almofada

Flower Power

Às vezes é um problema para conservar intactas as cortinas lá de casa. E aquela toalha de mesa. Nunca mais lhe pus a vista em cima. A saia do outro dia tinha semelhanças suspeitas. Aqueles estampados de girassóis.... Mas adiante, fiz-me de desentendido. Sei também quase de cor e salteado o roteiro das feiras. Benfica, Carcavelos, Cascais, Charneca, Feijó, Costa da Caparica. Já palmilhei todas. Agora corto-me, simulando uma rotura de ligamentos. Está bem, admito. A foto a ilustrar é um bocado exagerada. Nunca a vi de sapatinho dourado

É pra tola, é pra tola, bonezinho pá bola

Uma revolucionária engenhoca para cuidar dos ultra-violeta. Para refrigerar o rosto, uma ventoínha, anexada na pala e accionada pelo pequeno painel solar apenso no topo do boné. Por mais cinco euros, traz canalização de cobre para uma banhoca ao fim do dia. Com um extra de mais 15, pode adquirir-se o modelo deluxe. Tem um sofazinho no interior. Revira-se o chapéu e ganha-se um aconchegante T0, com todas as comodidades básicas. Para as necessidades prementes, mija-se em qualquer canto

Pecha de puta

- Puta mãã... puta
- Hãããã?!
- Puta... puta nana
- O quê?!
- Puta nana... puta
- Oh Cice... não se fala assim da prima!
...
- Tens o número daquele psicólogo?
- ... mas ele não faz urgências
...
- Nana... puta nana
- Banana??... queres banana?
- Tim (arfando)... tim

Segunda-feira tenho a vasectomia

quarta-feira, maio 31

Programa da manhã

A família junta-se pelas oito da madrugada e vamos todos à procura das Pistas da Blue. Eu, a minha senhora e a pequenita envidamos todos os esforços para ajudar o Duarte a encontrar as pegadas da cachorra azul.

- Então, vão ajudar-me?
- Siiiiimmm
- Viram a minha cadelinha?
- Tá aliii... Tá aliiii
- Esperem. Está a faltar-me qualquer coisa...
- O bloco... o bloco

...
- Este Duarte tem cá um ar de panasca
- Pssssiuuu... olha a miuda pá!

Ai que sôdadinhas

Às vezes tenho saudades da ilha da Fuzeta. Às vezes da-me uma nostalgia das banhocas pela noitinha. De mijar na água e sair pirilampos. De raspar na areia molhada e deixar um rasto de luzinhas fluorescentes. De arrear o calhau no pré-fabricado. De comer pica-pau na cabana incendiada. De aviar super bocks com mênduins. De me passar por água com garrafões do luso. Das filas do barco prá terra. E do miudo granjola que se revoltava com o pregão do vendedor das bolas de berlim.
- Olhá bolinhaa... fresquinhaa... quentinhaaa
- Ai a porra... então são fresquinhas ou quentinhas??

Somos uns campeões

Não é para me gabar, mas eu também sou um campeão. Como testemunha o registo fotográfico, é perfeitamente visível a mãozinha do génio a acariciar o caneco. Para os pitosgas, é só seguir a seta. Em segundo plano, dois badamecos que nem sequer sabem dar um chuto na bola. Mas pronto, com esforço e empenho, lá conseguimos o entrosamento e a postura competitiva que baratinou os adversários nas quatro linhas. Cilindrámos toda a gente e na final demos uma abada a uns coitadinhos checos. Correu tudo muito bem. Fomos uns valentes. Foi pena que no último dia alguém tenha gamado o gel ao Ricardo