sexta-feira, março 20

É a cegonha!

E porque é que tens as bochechas grandes? E porque é que tens o dente torto? E porque é que tens o cabelo cheio de gel? E porque é que és o pai da Cice? E nha-nha-nha e diabo a sete e não sei quê, não sei que mais. Chiça!! Oh colega da minha filha... para que saibas, saí uma hora mais cedo de casa para te dar conversa e pintalgar alguma coisa de jeito no mural da escola. Quanto à paternidade, tiveste sorte de a sala estar apinhada de outros adultos a enfardar bolinhos, se não eu dizia-te como se faz. Mete-te com gente do teu tamanho pá!!

quinta-feira, março 19

Insónias

A fornada da minha época de 70 lembrar-se-á das padarias que anunciavam as estreias cinematográficas. Julgo que será desse costume ancestral, caído em desuso, que o linguajar adoptou a expressão "em cartaz". Era precisamente em cartolinas rectangulares, exibidas nas montras das padarias, que se promoviam os novos filmes projectados nas telas. Nas ruas do Chiado, uma feira sazonal costuma comercializar esses cartões a preços proibitivos de coleccionador. Numa dessas visitas, procurei com insistência um cartaz particular, que nos meus tempos de primária propagandeava Um Lobisomem Americano em Londres. Na retina ficou-me a imagem da metamorfose do herói da pelicula e a consequente regressão no processo da minha maturidade. Passei a dormir com a minha irmã, mas aquilo era um castigo para cair no sono, tal era o banzé que ela fazia a chuchar na fronha da almofada

quarta-feira, março 18

Receituário

(consulta de rotina)
- Ele: Você está óptimo
- Eu: Felizmente não ando com razões de queixa, apesar dos meus 35
- Ele: Já fez 35? Não parece nada
- Eu: Bondade sua doutor... olhe que este calor de Inverno já me amolece um bocadinho
- Ele: Oh homem, refresque-se!!
- Eu: Com uma ventoinha doutor?
- Ele: Não homem, com líquidos... uma ou duas cervejas se preferir
(fala quem sabe)

terça-feira, março 17

Ana meiguiceira

Sou do tempo do jornal A Bola do tamanho do tampo da mesa da casa de jantar. Nessa época, na pueril década de 80, adquiri o hábito de folhear as páginas de 500 gramas, e 800.000 caracteres, de trás para a frente. Não que seja um costume desusado, mas tomeio-o como protocolo de leitura porque procurava, em primeiro lugar, a secção de atletismo e as reportagens de fundo com a Ana Oliveira. Dotada de uma silhueta que fazia jus ao conceito mais requintado de elegância, Ana Oliveira começou a justificar a lycra como fardamenta apropriada a furar o atrito nas barreiras e no triplo salto. Que bem lhe assentava o vermelho vivo do Benfica. Na Luz, transpirava a mais bela da história do atletismo português. Na década de 80, o povo exultava com as medalha da Rosa Mota, um esparguete com dois fartos espanadores nas axilas. Eu, sobre o tampo da mesa da casa de jantar, sorvia as páginas impressas com a Ana Oliveira e os grandes planos que imortalizaram o olhar terno e a silhueta atlética. Ontem, uma amiga de uma grande amiga (obrigado gandas malucas), fez-me chegar um mimo da minha ídola de meninice, parabenizando-me pela 35ª Primavera. Omito-vos partes da lembrança... não queiram saber tudo. Roam-se de inveja!!

segunda-feira, março 16

Sacudi-las

"Príncipe Carlos quer contribuir para o arrefecimento do planeta". Dêm-lhe ouvidos!

quinta-feira, março 12

Playdilecção

- Maria: Então Cice, o que queres ser quando fores grande?
- Cice: Uma senhora
- Maria: Uma senhora, só?
- Cice: Uma senhora rica!
- Maria: Para quê?
- Cice: Para comprar jogos da playstation ao pai
(a Maria não dá uma para a caixa)

quarta-feira, março 11

Morrer de sonho

Há mortes que sonhos ressuscitam pelo amor que temos. E também há sonhos que matam pelo amor que perdemos. O sonho de um morto que morre de amar

terça-feira, março 10

Amor desfeito

Encarregou-se a Maria de me notificar o quão (bem) impressionada ficou a Directora da instituição pré-escolar que dá guarida à minha filha com a gravura que rabisquei para o infantário aquando das festividades natalícias. Por esse motivo, tinha sido seleccionado para colaborar numa outra iniciativa de cariz artistico-plástico. Sugeri de imediato um estilo ousado, como este, ou este, para a Marina, uma educadora loura de faces rosadas e silhueta nutrida, ou um género mais arrojado, como este, ou este, para a Rita, a espadaúda e curvilínea professora de inglês da minha filha. A Maria cerceou-me a criatividade e clarificou que a Directora pensava numa coisa mais ligeirinha e encomendou-me isto, mais dos costumes de meninos de coro

segunda-feira, março 9

Anarcota

Muitos parabéns minha quarentona cheirosa Dolce&Gabbana. Que passem outros tantos e tantos anos de gloriosos êxitos e que nos roubem a voz de tanto gritar golos e festejar títulos infinitos do Benfica. Daqui a mais quarenta partilharemos alegrias, tristezas, algálias e arrastadeiras. Por ora, vou curtindo os aromas afrodisíacos da tua melena, mas discretamente, que a Maria pela-se de ciúmes

sexta-feira, março 6

Levou uma chiquelina que o caldeuei todo!

Existem duas expressões no falatório cá da agremiação laboral que me merecem uma estima particular. A primeira é retirada das tertúlias que descomprimem das exigentes jornadas de faina. Explicava-me um amigo, já às portas de um vigoroso século de vida, que numa das suas futeboladas de fim-de-semana foi opositor do Veloso, um lateral-direito a quem o Benfica deve um honroso título de vice-campeão europeu. Com entusiástico detalhe, continuou a explicar-me esse meu amigo que, num lance de maior risco no seu sector recuado, aplicou, ao Veloso, uma chicuelina que o bigodudo ficou a patinar no piso cimentado. Não duvido desse meu amigo, mas só estranho que o Veloso não lhe tenha retorquido de imediato com um caldeu, a segunda expressão, de origem aveirense e que caracteriza o gesto comumente dirigido a condutores domingueiros ou rabiadores de fim-de-semana. Bom fim-de-semana!

quinta-feira, março 5

Encómio tu!

- Anarquista: Hmmmm... as bolinhas estão tão boas... e o puré de batata, uma delícia. Vês Cice, a tua mamã só te faz estas coisas boas. Que sorte. A tua mamã sabe fazer comidinha gostosa para ti, vês? Ai, estas almondeguinhas estão tão saborosas A tua mamã gosta muito de ti, sabes? Faz-te estes miminhos todos e beijinhos e carinhos e abracinhos e comidinhas. Ui, este purezinho cremoso. Que sorte Cice... a tua mamã é uma princesa!
- Cice: Não!
- Anarquista: Não o quê?
- Cice: Não é uma princesa!
- Anarquista: Então é o quê?
- Cice: Empregada!
(juro que não lhe ensinei nada disto... mas a minha amiga Anarquista estava a pedi-las... é que tanto elogio também enfarta a criança)

terça-feira, março 3

Enchidos de lágrimas

"Segue o chouriço 'Sexta-feira', segue o chouriço!!"... foi então que acordei espavorido numa sala de sono perto de si. Ainda deu para cochilar uma horita e só tenho pena de ter perdido a choradeira da Maria nos momentos mais dramáticos desta intensa película. A minha sobrinha Nana também se comoveu e a Cice, por arrastamento, lá admitiu que verteu umas gotas. Eu também chorei 5,5 euros

segunda-feira, março 2

Jacket, the stripper

O que responderiam se a segunda mulher mais bonita do Mundo, logo a seguir à Maria, lhes observasse que envergavam "um casaco com qualquer coisa de especial". Se vos restasse lucidez, retorquiriam, simulando domínio da área têxtil, que a exaltada jaqueta "é para uso exterior, com forro 100 por cento poliamida e recheio 50/50 de edredon e plumas de ganso, fabricado na Indonésia e distribuído pela multinacional galega Inditex, sedeada no lugar de Arteixo". Faziam figura e elucidavam a apreciação empírica da vossa interlocutora. No meu caso, espalhei-me ao comprido e só me ocorreu "é o vermelho... do Benfica!!". A chalaça não colheu e a segunda mulher mais bonita do Mundo particularizou a observação invejando o "aspecto quentinho e muito bonito" da vestimenta. Quanto à beleza, reservo-a aos critérios da vossa apreciação. Já as propriedades cálidas da referida indumentária de Inverno fizeram-me suar as estopinhas e só hoje cedi à evidência que já não está temperatura para andar com isto vestido

quinta-feira, fevereiro 26

Um carnaval bestial

Eu, num carnaval de 80's, junto da única rapariga gira que me tolerava por perto (a minha irmã) e dissimulado num misto burlesco de Vasco Santana com alcoólico de ventas inflamadas

quarta-feira, fevereiro 25

Courbet de gajas

(o ganda maluco Gustav "perverso" Courbet)
Alguém me fez saber da notícia da apreensão de um punhado de livros, por zelosos e castos agentes da PSP, que debitava na capa uma imagem deste calibre púbico. Ora, não bastasse a imagem crua da nudez com manias exibicionistas, a referida obra apreendida ainda nos rasteirava com o título embusteiro de Pornocracia. Fez muito bem a autoridade em retirar das montras a edição que recorreu à técnica traiçoeira de marketing de sugestão à cópula desinvestida do amor. Facilitarmos nos principios é resvalarmos para a traquinice gratuíta e olearmos o piso no qual a Humanidade calcorreia para um futuro magnificente. O culpado disto tudo é um franciu realista que gravou em pincel rabosalhos destes e destes, ou mamocas arrebitadas destas sob o pretexto de água e suas correntezas. Não esquecendo o par de moças que desfalecem de fadiga, sabe-se lá o motivo, ou uma outra que ampara uma ave exótica sem que se resguardasse das partes intímas e, provavelmente, deseducando o papagaio com palavras impróprias

segunda-feira, fevereiro 23

O que Verão de mim

Sou tão discreto que me faz alguma estranheza a minha avó oferecer-me um bolo de aniversário deste calibre (nem sequer estamos na época balnear... não percebo, realmente)

domingo, fevereiro 22

Free abort

- Procurador1: Vai buscar o martelo
- Procurador2: Para quê?
- Procurador1: Vou rebentar-lhe as rótulas!
- Procurador2: Achas mesmo preciso?
- Procurador1: Porra pá... já estamos aqui desde as 09:00 e o gajo não se desboca
- Procurador2: Ok vou lá buscar... mas não faças fractura, desvia-lhe só a rótula da tíbia
- Procurador1: Já chateias de tão bonzinho... Está bem, está bem... oh senhor Pedro, se não diz para que bolsos foi parar o guito do Freeport faço-lhe os joelhos em farinha de maçaroca!!
- Sr. Pedro: Está bem, está bem, eu falo, eu falo!
- Procurador1: Vamos lá a vomitar tudo...
- Sr. Pedro: O engenhei...
- Procurador2: Eh lá, estás a ver isto?
- Procurador1: O que foi, o que foi??
- Procurador2: Já passam das 13:00, temos o polvo à lagareiro a arrefecer no Manel dos Tachos
- Procurador1: Xiii... tens razão. Oh senhor Pedro, não se esqueça do que ia dizer. Venha daí à tasca que tem um branco da casa daqui!
(nunca entendi muito bem as pausas para almoço nos interrogatórios... mas desconfio que lhes conquistam a confiança pelo estômago)

quinta-feira, fevereiro 19

Já que faço anos...

... posso tudo (com direitos de autor de um grande artista)
...
Adenda: E agora, você também pode tudo. Ora experimente clikar aqui

A agrura dos 35

Ciente da minha aversão galopante ao aniversário que assinalo hoje, sugeriu-me a Maria que animasse a velha carcaça no convívio com personalidades dotadas de super-poderes. Fiando no folheto que anexo para vosso esclarecimento, o espaço lúdico em causa comercializa o contacto próximo com super-heróis do nosso imaginário. Podemos praticar chinquilho com o Homem-Aranha, corrida de sacos com o Batman, a cabra cega com o Demolidor, a macaca com o Hulk, o jogo do lencinho com o Homem de Ferro ou o bom barqueiro com o Surfista Prateado. Mas giro-giro era que a Elektra alinhasse no mamã dá licença ou a Catwoman no rei manda. Provavelmente, e pensando melhor, darei lá um salto a fim de esclarecer se também leccionam primeiros socorros ou cursos de iniciação à enfermagem, para acudir a Wonder Woman

quarta-feira, fevereiro 18

Eu show nikles (batatóides)

Não sei se por falta de espaço nas grelhas, engalanadas de novelas à portuguesa no prime time, ou por défice de inspiração, Portugal não tem direito a um Daily Show. Quer dizer, lá nos vamos entretendo aos domingos com Marcelo e a contra-ofensiva, às segundas, de Vitorino. Tem alguma graça este bloco central. As esparrelas de um e a bonacheirice micro-machines de outro. Mas Jon Stewart é muito diferente. É um Mário Crespo (o paralelismo mais absurdo que me ocorre) sem taradices broncas por efemérides aquando de noticiar o céu nebulado. O Jon tem chalaça polida e pronta a ripostar aos convidados de todas as facções. É um satírico cirúrgico que lanceta os cirros de um multi-estado monstro e obeso, mas de bolsos vazios. Em oito anos de bushismo, Jon Stewart fez o lugar dos democratas e encabeçou a única oposição que se visse ao fazendeiro texano. Por cá, temos a Manela, que só surpreende por ainda não se ter estatelado à grande no abismo de lugares-comuns que a cerca. O Louçã anda entretido com a multiplicação dos coelhos. O Jerónimo muito ocupado com os collants que há-de oferecer ao Robin Sócrates para o corso carnavalesco. Finalmente o Paulo, que continua a dar para os dois lados, a ver se lhe reabrem as portas do poder (isto já deve ser a neura de vésperas-do-aniversário)

terça-feira, fevereiro 17

Juro que vos cobro três casas

"De acordo com o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (e sorvidas até à medula dos ossos do respectivos ofícios, acrescento eu), declara-se para os devidos efeitos que no ano de 2008 foram pagos por Dona Maria e Senhor Fogacho 646,44 euros de amortizações e 6.276,77 euros de juros". Eu explico para quem não domina, como eu, a ciência matemática (aplicando a simples regra de três simples). A instituição bancária que desinteressadamente me financiou a aquisição do imóvel, aliviou-me no ano transacto de 0,5 por cento do total da dívida, ao mesmo tempo que afiambrou 5 por cento de mais-valias sobre o valor original disponibilizado. O que me valem são as novas deduções Robin dos Bosques, que me restituirão, lá para meados do ano em curso, uma parcela significativa do montante capitalizado pela filantropa fundação que (praticamente) me doou o tecto

segunda-feira, fevereiro 16

Star more

A primeira já cá canta. Já só faltam 59. Haja saúde para os próximos 28 meses e que o Planeta DeAgostini não se escude na crise para justificar insolvência perante os investidores-coleccionadores

quinta-feira, fevereiro 12

(des)Coordenadas

O futuro é um logro arquitectado por políticos que chutam para canto. Promete-se melhor futuro nos compromissos com um eleitorado escaldado com o passado e avesso ao presente que nunca mais passa e que outrora fora precisamente o futuro que alguém oferecera ao desbarato e sem juros. Nunca medi distâncias entre os três conceitos. O futuro é incerto porque ou espera por amanhã ou surpreende mesmo a roçar este presente, que por sua vez se degasta em passado para, no seguimento, dar lugar ao referido futuro que, entretanto, assume lugar no presente porque há já um outro momento que espera, oportunista, para lhe ocupar a vaga e motivar um outro político que queira camuflar o presente cinzento com um colorido vindouro que nunca mais pinta

quarta-feira, fevereiro 11

Ziiiiiiip

Ganhou a mai linda fecho-eclair israelita. Mas desconfio que o Netamiau está mortinho para lhe aparar as garras

segunda-feira, fevereiro 9

Robatori de l'església

Els catalans ens tenen en el lloc
(os catalães têm-nos no sítio)
Adenda: o que nos vale é que por cá não acontecem estas chatices. Assim de memória, não me ocorre exemplo semelhante

(os meus) Lares dos ares

(roteiro extraído da assustadora precisão do google maps)

sexta-feira, fevereiro 6

Nicotado

Há coisas que deixam saudades. Coisas que nos faltam porque finaram. Coisas que nos desesperam por indesculpável abandono. Coisas que nos deixam o odor entranhado nas ventas. Coisas que nos banharam a vida. Coisas fundidas nos cheiros das memórias. Roubava pingas de Old Spice à minha tia, pedinchava trocados aos pais para me besuntar de Jovan Musk Oil e atiçar as feromonas das colegas de faculdade. Mas o Havana foi o primeiro capricho de assalariado. Amadurecia-me a aurea. Presenteava-me com um aroma requintado de charuto. Era um cinzeiro ambulante, onde jazia uma mistela com fragrâncias entre o Hoyo de Monterrey e o Vegas de Robaina. Já não existe no mercado, mas desconfio que com as restrições de hoje tinha entrada vedada a recintos fechados

quarta-feira, fevereiro 4

Playing God

(clicar na imagem para um maior esclarecimento)
Por uma bagatela que ultrapassa, por uns cêntimos, os 5.600 euros, o equivalente a pouco mais de um ano de salário mínimo, você, caro leitor, pode adquirir uma parceira que se enquadre nas mais exigentes expectativas. Num diversificado leque de 10 opções, entre a modelo que veste o x-smal-smal, o mesmo pequeno-pequeno, e o moderado medium-large, o mais ou menos robusto, somos tentados por uma panóplia de alternativas que rivalizam com as maiores extravagências do Criador. Para referência, deixo-vos o catálogo que me serviu o exercício neste leggo sacro. Avancei para a estrutura 10, que não aprecio bibelots, uma “Leah Sorridente” (rosto 4), que me afligem as carrancudas, uma tez clara, para ganhar sardas na exposição ao sol, cabeleira ruiva, para condizer, e o extra de uma copa para uns peitorais nutridos, um capricho que me custou a maquia suplementar de 580 euros. Agora esmere-se e faça você mesmo

segunda-feira, fevereiro 2

quinta-feira, janeiro 29

Santa 3Dade

- Malandro: Ena pá, a gaja tem dois bicos de lápis nas maminhas
- Casto: Cuidado que ainda te cega um olho
- Malandro: Eu afiava-lhe os crayons
- Casto: Também não são assim tão grandes...
- Malandro: Livra… agora ia apanhando com uma joelhada
- Casto: Estes movimentos bruscos são traiçoeiros e podem magoar
- Malandro: Eu ia ali para a molhada
- Casto: A mim faz-me espécie
- Malandro: Agora és púdico?
- Casto: Não... sou púbico, pubicofóbico
- Malandro: O que é isso?
- Casto: Mete-me nojo a penugem masculina
- Malandro: Mas tu ias apalpar o gajo?
- Casto: Não pá... mas podia tocar-lhe acidentalmente nos pêlos do rabo
- Malandro: Mas estás agora a galar-lhe a peidola?
- Casto: Não, mas tenho medo que dê uma bufa
- Malandro: Olha… baixa-te, baixa-te que vem aí tempestade
- Casto: Oh porra, isto deixa nódoa?
...
Stephen Shiu Jr., de Hong Kong, anunciou a produção de dois filmes no formato 3D. "Imagine que você vai assistir a tudo como se estivesse do lado da cama", desafiou. "3D Sex" e "Zen" vão ser baseados no clássico chinês do século XVII "O Tapete Carnal de Orações", que alerta para os perigos do excesso de prazer

quarta-feira, janeiro 28

Uga, uga!

"Mãe, o pai é que manda aqui. Ele é o mais forte do mundo e tem voz grossa quando se zanga comigo"

segunda-feira, janeiro 26

Diálogos bíblicos

Tenho um amigo com um impulso reprodutor equivalente a uma centena de coelhos em forçada abstinência. Não o julgo pelo compulsivo desequilibrio emocional. Prezo mesmo os dias em que deixo escapar acidentalmente duas ou três gotinhas de urina por quase desfalecer em gargalhadas com larachas de vulgaridades. Partilho hoje uma dessas ocasiões, no messenger. Para ocultar a sua identidade, vou chamar-lhe, ao calhas, Moisés, o guardião do clausulado de Deus:
Moisés diz:
hoje vou pro ataque à noite
Fogas diz:
agora imaginei-te de sainha curta e meia de rede
Moisés diz:
aquela saia travada vermelha q uso sempre à sexta-feira
Moisés diz:
fodi foi um dos saltos altos dos meus sapatos
Moisés diz:
e acabou-se-me o baton
Moisés diz:
tenho de passar pelo Delhaize
Fogas diz:
AHAHAHAHAHAHAHAAH... F0d*$$$$!! Quase me borrei todo
Moisés diz:
ponho um elástico a prender o cabelo atrás e aí vou eu, a abanar-me toda pelo metro
Fogas diz:
a rodar a malinha de tira-colo
Moisés diz:
onde tenho um spray se vierem abusadores
(foi aqui que fui mijar e ele, o Moisés, passear o cão da senhoria)

sexta-feira, janeiro 23

A fórmula do adeus

Bastaria um" boa noite". Ou "vemo-nos amanhã". Ou mesmo o mais (tv) rural "despeço-me com amizade". Até concedo, entre o piscar de olho e o esgar entre-a-paralisia-facial-e-o-sorriso-enganchado-a-meio-lábio, um "foi bom estar consigo". Dá aquela ilusão de proximidade marota e cativa uma fatia significativa de donas de casa. O compulsivo tipógrafo de best-sellers e fundador da agremiação de provadores de sopa de peixe com leite materno rematou o Telejornal da última noite com um "temos encontro marcado com a despedida". Eu continuo a preferir o funesto, mas não menos popular, "começamos a morrer quando nascemos"

quarta-feira, janeiro 21

Memória futura

- Cice: Mãe, quero domir no sofá!
- Maria: Tem juízo!
- Cice: Mas eu quero!!
- Maria: Oh Cice, não se dorme no sofá!
...
Post lavrado, e autenticado, pelas 09:00 de 21 de Janeiro do ano de 2009. Nem apneias do sono e, muito menos, flatulências, motivem a contradita do ensinamento maternal. Está dito, está dito!!

terça-feira, janeiro 20

segunda-feira, janeiro 19

A menina do gás

Yulia Timoshenko, a mulher que devolveu o(s) calor(es) à Europa

sexta-feira, janeiro 16

Pintocilga

Slumdog Millionaire é um conto de fadas sem paninhos quentes. Floresce na pobreza da Bombaim atolada de pobres e fraccionada na clivagem homicida entre hindus e muçulmanos. Os atoleiros fétidos do acumulado de barracas são a referência inspiradora para Jamal, a criança miserável que apre(e)nde para um dia merecer a fortuna. Em paralelo, os desencontros com uma paixão pueril, que amadurece com o concurso da vida. É uma história de sucessivos desencontros e (só) aparentes derrotas. Um servo de funcionários precários é bafejado pela escola da vida e imortalizado em ícone indiano. Como bónus, é coroado príncipe abastado de uma giraça de apelido português (dou graças por ter uma amiga anarquista que pirateia compulsivamente, desviando dos círculos habituais obras desta grandeza)

quarta-feira, janeiro 14

AZIAgo

Hoje é um dia triste, indigesto. O rescaldo de uma absoluta indiferença de uma senhora que prezava, apesar da anca estreita e do par de canivetes que a amparam (não a julgava de perna delgada). Não me passou cartão. Só quis saber da Maria e da Cice. Não bastasse a desfeita, ainda correu com a minha filha do estúdio só porque a pequena, vejam lá, dançava para as objectivas enquanto as convivas falavam da doença celíaca e de banalidades associadas. Há mitos que esfarelam tanto que se colam às paredes do estômago e fervilham numa azia que nem com duas paletes de Rennie

terça-feira, janeiro 13

Ai dela... há de dizer

- Fogas: Vá, Cice, mais uma vez…
- Cice: Mas a minha cabecinha já tem tudo cá dentro
- Fogas: Vamos… não te podes esquecer
- Cice: Como é que se chama mesmo?
- Fogas: ADELAIDE! A-DE-LAI-DE!!
- Cice: Se-nho-ra A-da-í-de, o meu pai gosta… aiii, vou ter vergonha
- Fogas: Também eu…
…
Hoje, um bocadinho antes das 19:00, a Maria vai
aqui contribuir para a causa geral. Leva a Cice, que ainda mostra alguma renitência em contribuir para a minha causa. A ver vamos

sexta-feira, janeiro 9

Poleganhada

Tenho na minha posse uma arma de arremesso na mão direita. O meu polegar molestado está duro e negro como granito. Preciso cuidar dos movimentos bruscos, sob o risco de desferir um golpe letal a alguem mais imprudente. Alertaram-me para o estado do dedo. Comecei a amedrontar-me quando referiram o termo "gangrena". Pronto, fui ao hospital. Duas horas depois, atendeu-me um médico que me lançou um esgar do género: “mas que mania têm estes tipos completamente saudáveis em entupir as urgências?”. Mostrei-lhe logo o dedo para lhe passarem as peneiras. Olhou-me para isto e só faltou injuriar-me de hipocondríaco. Para que conste, o meu dedo está “com óptimo aspecto”, pelo que não devia acreditar em observações jocosas de terceiros. Vou agora ali reapreciar a beleza de um dedo que mais se assemelha à extremidade de um cajado

terça-feira, janeiro 6

Auto-estigma

- Maria: Olha-me para aquele gajo!!
- Fogas: O que é que tem?
- Maria: Aquilo é modo de se vestir?
- Fogas: Está descontraído... é um domingo.
- Maria: Deve-se ter mais cuidado quando se vai falar à televisão.
- Fogas: Mas tu agora julgas as pessoas pela aparência??
-Maria: Nada disso... só acho que está com mau aspecto.
- Fogas: Qualquer dia ainda me atiras à cara que estás comigo só porque sou bonito!!!
(aprendam que não vou durar sempre)

segunda-feira, janeiro 5

A dúvida

A imagem que anexo retrata a dúvida que me assiste nestes dias. À esquerda, o recurso, no presente, para unir o golpe reaberto depois de removidos os pontos do polegar retalhado. À direita, a alternativa que me ocorre se esta m#rd* não fechar!!! (conheço um caso de algum sucesso da reposição dos incisivos centrais com o recurso à super-goma sintética)

segunda-feira, dezembro 29

Dar (a) pica!

No final de mais de cinco horas nas caóticas urgências do Hospital da Luz, já depois de me terem reconstruido o polegar direito com linha de nylon, na sequência de uma inconveniente mutilação por um xisáto, aquando de um bricolage doméstico.
- Enfermeira Vera: Então acabamos isto com a vacina do tétano...
- Fogas: Pois lá tem de ser...
- Enfermeira Vera: Como se portou tão bem, até lhe dou duas opções, o braço ou a nádega?
- Fogas: É indiferente.
- Enfermeira Vera: Deixa-me escolher?
- Fogas: Sim.
- Enfermeira Vera: Baixe as calças!
BOM ANO!

segunda-feira, dezembro 22

Scrooge

- Amigo: Acho esta história das caixas prioritárias uma descriminação medonha
- Fogas: Sim... de alguma forma é
- Amigo: Num país civilizado acabava-se com estas merdas
- Fogas: Tens razão... não era preciso...
- Amigo: F#d§ssss... quem são estes gajos para me mandar dar o lugar a prenhas, entrevados e carcaças
- Fogas: ...
- Amigo: Umas andaram com o pito aos saltos e agora querem paninhos quentes... outros escangalharam-se todos a acelerar na IC-19 em Hondas 600 e os velhos são incapazes de dar um tiro na cabeça para evitarem arrastar-se naquele estado caduco
FELIZ NATAL!

quinta-feira, dezembro 18

É uma tchawetice!

Num programa de rádio, ao fim da tarde, no trânsito de regresso a casa:
- Locutora: Hoje temos aqui o Tshawe Baqwa, dos Madcon. Vamos falar um pouco com ele... Hi Tshawe, glad to have you here
- Tchawe: I'm glad too... being near such a nice girl... the nicest portuguese girl!
- Locutora: Thanks Tshawe... nice of you to say... So, it's your first time here in Portugal?
- Tchawe: No... i've been here once... in Cascais and some other place i can't remember... 'cause i was too much drunk
- Locutora: O Tchawe diz que já esteve uma vez em Cascais de férias... And what about your new single... Liar, can you talk about this new music?
- Tchawe: Yeah... Liar talks about an ex-girlfriend of my band partner Yosef. Yosef was kissing this girl and he began to undressing her. She had a great pair of tits. Than he took her skirt off and he saw that she had a real big penis... bigger than his...
- Locutora: O Tchawe tem familia sul-africana e nós sabemos que vai passar o Natal na África do Sul!

quarta-feira, dezembro 17

DGV

Acidente: acontecimento repentino, fortuito e desagradável; (dir.) acontecimento do qual veio a resultar qualquer prejuízo para pessoas ou coisas; contingência; peripécia; desastre.
Desastre: acidente funesto; desgraça; revés; fatalidade; sinistro.
Despiste: acto ou efeito de despistar ou despistar-se; desorientação.
Pedaço: parte (de um todo); porção; bocado; trecho; período; (pop.) mulher encorpada; mocetona. (Do gr. pittákion, «remendo; parte», pelo lat. pitacîu-, por pittacîu-, «rótulo de uma vasilha; pedaço de pergaminho... ou de mau caminho»)
Foto retirada do paraíso

segunda-feira, dezembro 15

Versículos balsâmicos

Ao mesmo tempo que adquire conhecimentos na esfera anglófona e enumera, com desbravado engenho no inglês falado, todas as cores do arco-irís, a minha filha vai articulando lenga-lengas com rimas previsíveis, o que não augura nada de bom quando desafios mais exigentes se lhe cruzarem o caminho do amadurecimento. Ora atentemos para um dos exemplos mais recentes do seu exercício de lógica previsível e pouco ginasticada: "Pai, paizão, tens um lugar no meu coração. Estás guardado lá bem no fundo... És o melhor paizão do mundo". Temo que sejam as más influências do Toninho Carreira, rei da canção foleira, amiguinho da Popota, robusta agiota da época natalícia, sem perícia (e já chega que isto é viciante... adiante!)

quinta-feira, dezembro 11

Bate mau

Há um ensinamento que percorre a vox populi e que nos aconselha a fazer o bem sem olhar a quem. Mas há também quem goste de contrariar e prefira praticar o mal indiscriminadamente. O último filme do Homem Morcego serve-nos as duas opções. O bem, vestido de negro e de voz grave, e o mal, num colorido desalinhado e gargalhada histérica. Não é só por ser sombrio que o Dark Knight nos deixa às apalpadelas. E não é só (mas também) pela sua morte que Heath Ledger justifica ser mascarado de ícone da vilania. É sobretudo como nos exibe a prática compulsiva de uma maldade infantil, cruel, delirante e incobrável. A interpretação do Joker é arrebatadora e, por si só, imortal, mas também não acho que sejam os anunciados (e cada vez mais parolos) óscares o merecido tributo ao cowboy sensível das montanhas do Wyoming. Por falar nisso, é curioso que outro homicida da ficção tenha também começado a mostrar a nobreza do seu faz de conta em outro papel sensível, no Sete Palmos de Terra. O que distingue o Dexter de Michael C. Hall do Joker de Heath Ledger? Um mata em respeito escrupuloso de um código deontológico de carnificina, substituindo-se à (in)justiça. O outro destrói pela histeria que a angustia do próximo lhe crava (literalmente) no rosto (e pronto... agora vou ali ouvir A Fine Frenzy só para desanuviar)

terça-feira, dezembro 9

Play there... man

Fazes-me falta. Evoco-te quando os silêncios mudos me ecoam pelas entranhas. Procuro o conforto do teu regaço quando os solavancos me intimidam. Preferia que calasses os que se forçam a saudar o novo dia. Reclamo-te as baladas quando me levito ao destino que me emprega. És o vazio que careço quando as falas fúteis se atascam ao ar que respiro; o balão de oxigénio que me alivia do sufoco do desconforto. Fazes falta Richard, no elevador do emprego

quinta-feira, dezembro 4

Pêlo de lê-lo

Manuel Arouca foi, para mim, um género de Alice Vieira em versão de recém-maduros. Antes de enriquecer como argumentista de novelas da vida, o Manuel Arouca escrevia livros, um mérito dele de usufruto meu. Pertence-lhe a primeira obra que li sem batota. Alexandre Herculano, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e outros camaradas romancistas da mesma igualha literária foram corridos na diagonal naquelas sintéticas edições da Europa-América de capa amarela. Maçavam-me os os detalhes descritivos, os preciosismos enfadonhos, os lutos da tuberculose, os incestos e as maratonas das carruagens Lisboa-Sintra. Com o Manuel Arouca era tudo mais cru e mundano. Com ele, deixei-me de expectativas idílias e fantasias pueris. Foi com o Gente Marcada que constatei, em meados de 80, que as mulheres tinham pêlos nas pernas

terça-feira, dezembro 2

Zebra

A minha figura no traço de um futuro grande artista (vide quão arrumadinho estou: camisola em pendant com as sapatilhas)