quinta-feira, dezembro 13

(com)Domínio das regras elementares

Alem da conservação do par de novos ascensores, da desinfestação da pedra mármore e da coscuvilhice à porta de um terço das moradoras, a administração do condomínio do prédio onde resido decidiu patrocinar uma sadia campanha de boa coabitação.
Os inquilinos, nos quais me incluo, foram confrontados com a iniciativa em papel A5 afixado junto das caixas de correspondência. A participação pública, inscrita num arial em reduzido corpo 9, mas reforçado a bold, começa por introduzir algumas sugestões de boas maneiras, mas descamba num claro desafio aos residentes das proximidades. Sem especificar, aconselha a administração do imóvel para que todos cumpram "como pessoas civilizadas, as mais elementares regras de higiene". Da minha parte, têm a garantia que sempre que piso acidentalmente a poia despojada sobre o empedrado pelo perdigueiro do 5º B procuro sempre um tufo de erva antes de dar entrada no imaculado hall do edifício. Com esta conduta julgo cumprir um outro requisito referenciado no discreto placard. Ao esfregar a sola num pedaço de relva que ainda sobreviva ao rigor do Inverno estou a "evitar fazer da área do meu prédio a lixeira cá do sítio". No entanto, o que devíamos saudar como um sintético, mas pedagógico, manual de pequenas regras de salutar convivência inquina-se com um remate que denuncia um evidente duelo declarado às habitações vizinhas. Em jeito de pirraça, e em contexto competitivo, alerta a administração: "não queira ser apontado pelos vizinhos dos outros prédios". Um interessante enquadramento dos procedimentos pessoais nas expectativas dos que nos rodeiam. Por outras palavras, aconselham-me a ser urbano por consideração aos mesmos tipos que cagam o passeio por intermédio dos fiéis amigos, que f*#&ram o tejadilho do meu antigo carro e que me largam amiúde saquetas de arroz com farinha e açucar sobre a nova viatura. De resto, não descortino qualquer outro ressentimento para com os convivas das proximidades. Em oposição, ainda aguardo que engavetem o larápio que furtou o espelho de um dos novos elevadores, para os quais fui forçado a uma dorida contribuição de algumas centenas de euros. Distraem-se as mesquinhas quando espreitam as galinhas das vizinhas

3 comentários:

Florença disse...

E tens sorte em teres uns tufos de erva vadia nas imediações para te veres livre do cagalhão do canino do vizinho. Eu tenho pior sorte, meu bom amigo: tenho que arrastar os presuntos pelo asfalto de cimento que me levam à porta de entrada,deixando atrás de mim um verdadeiro atalho de caca. :/ Ele há dias de (merda) de cão!!!

trincadeira disse...

Acho graça ao empenho pueril que a administração do teu prédio pôs na escolha de palavras do aviso. Vê-se bem que não dominam a psicologia nem o marketing e que não primam pela inteligência, mas tens que lhes dar algum crédito. Pelo menos interessam-se pelo estado de limpeza do prédio!!! Eu gostava de ter uma administração assim tão cheia de piada. Sempre é mais divertido que ler os banais: "Por favor, feche a porta do elevador" ou "Informam-se os senhores condominos que..." :)

Avelã disse...

eu tenho um canino... o meu canino caga na relva lá do prédio... a relva não deve ser pisada por pessoas... a caquinha aduba... a minha cadelita faz uns cocós muito pequeninos...