quinta-feira, julho 31

Taberneireiro

O mesmo de sempre? A pergunta de rotina atirava-se enquanto se afiavam as lâminas da tesoura. A fidelidade tem destas coisas. Vinculamo-nos à intimidade de quem nos decora as medidas capilares. Era assim no Conde Barão, onde aparava a melena ao lado do Henrique Viana. Acabei por renunciar ao barbeiro quando me mudei para os arrabaldes de Lisboa, derrotado pelo transtorno de uma deslocação mensal (que a carapinha cresce com alarvidade). Acedi experimentar a cabeleireira das proximidades. Não cortava mal. O mais chato era mamar com as cassetes de música nordestina. Foi-se embora... para o Nordeste brasileiro e trespassou o espaço a uma dupla de suburbanas que até nem tem mau ar. Já fui lá umas quatro vezes. Fidelizei-me, apesar de o mesmo não ser o de sempre. Passo a explicar. Da última vez saí de lá em desconforto. Pior que o desbaste a pente 1 - que me deixou o cocuruto com uma áspera camuflagem de ouriço - foi o remate do serviço. Depois das desculpas pelo descuido, a patroa saca do pente e da tesoura e apara-me as sobrancelhas!! Fervilha-me um organismo de taberneiro
No fim, ainda tive de carregar com a Cice, que não tinha maneira de se aguentar em pé, depois de ter passado toda a sessão do escalpe a rodar-se na cadeira ao lado. Arreporra!!

2 comentários:

Avelã disse...

tas bonito! ahahah

Florença disse...

Conheço quem faça 50 km para ir ao seu barbeiro. Coisa de gajo, pá. Ainda dizem que as gajas são complicadas ;)