segunda-feira, abril 14

A massa(ja)dora

Vieram há dias falaram-me em pacotes lúdicos para namorados juntos e casados que promovem serviços que variam entre viagens de balão e massagens a quatro mãos. Quanto à primeira opção, admito que é devaneio para embarcar, mas só quando desbastarem significativamente a tabela de preços. Sobre a segunda hipótese, tenho memórias bolorentas bem mais pueris e com a mesmas capacidades de me arregaçar a pele. Nos meus tempos de ciclo tive uma colega que me proporcionava inadvertidamente uma paz zen. A Sandra era especial. Tinha problemas de socialização, era marrona e, por consequência, empenhava-se em arrecadar as melhores notas. Para inspirar as graçolas dos detractores, recorria a umas lentes graduadas e a uma prótese que lhe compensava a perda precoce do incisivo central direito. Fruto das tecnologias precárias da altura, a peça dentária teimava em desencaixar do oríficio e bastas vezes a Sandra tinha de chafurdar no prato da sopa para recuperar o dente de louça. A pequena anomalia bocal oferecia-lhe também um característico, e aprazível, assobio sempre que pronunciava os ésses. A juntar à suave brisa que lhe escapava da cavidade, a Sandra tinha também o hábito de engolir a saliva sempre que fechava um parágrafo na hora diária de leitura. Confesso que me contorcia em arrepios dérmicos que me levitavam as extremidades capilares. Na minha mocidade, muitas raparigas me acicataram a puberdade, mas a Sandra foi a única a arrebatar-me toda aquela zona cervical. Quer dizer... a única não, que depois apareceu na minha vida o sr. Bastos, o vizinho que passava as tardes de domingo a polir os vidros do carro com frascos de Ajax. Como podem atestar, são memórias que não ofendem, que também relaxam e não se inspiram em massagens orgíacas camufladas de serviços do amor

2 comentários:

Florença disse...

Quer dizer, da Sandra só se aproveitava mesmo o nome ;)

Avelã disse...

aahahahahah