segunda-feira, março 24

Afroditúbaro

Acarinhava com afecto profundo a minha filha quando, da cozinha, alguem me interpela em tom de desafio. Fogacho, anda cá ver isto! Larguei a carne da minha carne e encaminhei-me até à divisão onde se confeccionava o repasto da Páscoa. Sim, senhora minha sogra, chamou por mim?, perguntei respeitosamente à matriarca do lar. Vê lá se sabes o que é isto!, ripostou, em formato de troça, a senhora minha sogra, apontando para um objecto esbranquiçado, em forma renal, que jazia na base de um copo. É um calhau, senhora minha sogra?, arrisquei na primeira tentativa, frustrada pelo denunciador sorriso de troça da senhora minha sogra. Uma amêndoa da páscoa?, inquiri novamente, já conformado com novo tiro falhado. Mais risota de zombaria, rematada com o esclarecimento da senhora minha sogra: Não Fogacho, isto é 'aquilo' do galo! Esclareci-me, sem nunca antes ter imaginado que um galo poderia arrastar consigo um órgão testicular daquela volumetria. Petisquei, por cortesia, o frango (do campo!) e atasquei-me ao borrego. Em contrapartida, a Maria repetiu três vezes o fricassé e ainda trouxe uma tupperware para casa

1 comentário:

Florença disse...

Podias ter ao menos ter tirado uma foto. Nunca vi 'aquilo' de nenhum galo :)