quarta-feira, março 19

Abundância

Começar o dia entalado no elevador com a mulher que acabara de me elogiar o corte da ganga. Prosseguir para almoço em agitada tertúlia sobre desarranjos intestinais, consistência de poias e aromas fecais. Regressar ao poiso e receber de um amigo esta preciosidade de Carlos Drumond de Andrade:
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai pela frente do corpo.
A bunda basta-se.
Existe algo mais?
Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas sem rotundo meneio.
Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte por conta própria. E ama.
Na cama agita-se.
Montanhas avolumam-se, descem.
Ondas batendo numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda.
Vai feliz na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda redunda.
...
Há dias de cu que não fedem a merda

2 comentários:

Avelã disse...

ele há cada poema, é tipo: fala pro meu cu

Florença disse...

Efectivamente, está sempre a sorrir :)