quinta-feira, outubro 26

Enlacado

Há odores, aromas, cheiros e pivetes que são indissociáveis ao encadeamento dos episódios de vida. O desuso de alguns perfumes, aniquilados pelas sucessivas metamorfoses da modernidade, conduz-nos erradamente à ideia que deixaram de existir. Isto a propósito de um determinado caixão desenterrado das entranhas do subsolo. Imaginava eu que a laca era recurso de estética capilar caído em desuso. Estúpido luto que idealizei, pois esse gás engomado teima em imiscuir-se vigorosamente nos hábitos quotidianos. Ontem madruguei e fui forçado a recorrer à (d)eficiente rede pública de transportes. Coloquei-me disciplinadamente na bicha (fila é dito de maricons) e, segundos volvidos, infiltrou-se-me olfacto dentro um fedor que julgava extinto. Era laca Senhor... melhor, era a laca da senhora. Da crina alçada da cinquentenária emanava aquela mistura de óleo de fritos com o também obsoleto Old Spice. Uma orgia de revivalismo, que me recuperou a infância da laca da avó e a adolescência da camioneta prá escola
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PS: Em epígrafe, dois brasileiros (Daniel Carvalho e Vagner Love) que, assim que me recorde, têm em comum o facto de serem as duas maiores estrelas do CSKA de Moscovo. Como abnegados profissionais, explanaram todas as suas potencialidades no balneário de Alvalade e encavaram o Sporting na final da Taça UEFA

2 comentários:

Woman disse...

Bom, a laca realmente não cai em desuso, está sempre presente quando de penteados trabalhados se trata.

Mas a laca dos velhos tempos, aquela laca das avózinhas com um cheiro intenso que não se aguentava, até eu pensei ter morrido à muito. Fico assustada por saber que não é verdade...

Joana disse...

restaurador OLEX....