quarta-feira, maio 2

Desassossego do refego

Gostava de entender as virtudes do arejamento comum a ladrilhadores e mulheres, na sua generalidade e sem descriminação de silhuetas. Aos primeiros desculpa-se a deselegância pelo ofício. Têm de passar o dia de cócoras a untar as juntas dos parquets. Se nos quisermos inteirar do empenho do operário, para superintender os avultados honorários desembolsados, lá nos arriscamos a levar com a imagem do cotão enleado nos pêlos púbicos do cóccix. Agora as mulheres, à parte de um ou dois posicionamentos de amor, não têm justificação para a despudorada exibição do refego. Um desinteressado périplo pela cafetaria deste espaço de trabalho mergulha-nos na intimidade feminina. A cueca azul de algodão, com as costuras rendilhadas, da dama que se debruça, descuidada, sobre a chávena de café, depois de dois pingos lhe escorrerem pelas beiças. A asa delta branco-pérola da trombuda da contabilidade que cochicha ao ouvido da colega sentada do outro lado da mesa. Ou ou fio dental bordeaux da colega que se agacha sobre o tampo da mesa para beijocar a ex-grávida entretanto de regresso ao serviço. Enfim, rabos mal arrumados em jeans relaxadas, para todos os gostos, e desgostos. Da mais sedosa pele de pêssego à rugosa casca de laranja. É muita fruta!

4 comentários:

Tiago Franco disse...

Claramente estás no sítio certo...

Anónimo disse...

a culpa é das marcas que fazem as calças com a chamada "cintura descaida". o que me debato para não andar a mostrar as coisas improprias para cardiacos!!

biz
inês (a da biblia)

Florença disse...

Eu gosto de ver :)

Anónimo disse...

Onde é que tu tomas café mesmo!?