segunda-feira, julho 23

Vi no Verão

Três amigos de férias numa ilha, em plena II Grande Guerra. Um rouba um raro manual de reprodução e o trio passa as tardes a assimilar imagens de humanos em poses acrobáticas. Um acha absurdo e jura que os pais nem se tocam. Outro decora todos os passos para os executar posteriormente com a loura-papa-todos. Mas Hermie, que passara uma sessão de cinema a apalpar o braço da companhia de circunstância, vacila entre a languidez das imagens e o conceito de amor, o único que justificaria ficar pelado junto de uma fêmea. Apaixona-se pela mulher de um recruta, em missão de guerra, e conquista-lhe a confiança com biscates na casa da praia. Carrega-lhe as compras de mercearia e arruma-lhe caixotes no sotão. Em troca, recusa aceitar dinheiro. Prefere chávenas de café puro, como gente grande, e donuts. Um dia, veste o fato de domingo e aventura-se numa visita à Dorothy. Ninguem responde. Entra e depara, na sala vazia, com um cigarro a fumegar no cinzeiro e uma garrafa de whisky desenroscada. Ao lado, um pequeno escrito amachucado, informando a Dorothy da morte do marido. Hermie paraliza e só consegue proferir um "lamento" quando Dorothy entra na sala com os olhos inchados pelo incontido pranto. Seguem-se 20 minutos de silêncio. A neo-viuva coloca a agulha sobre o extremo do disco, que já rodava mudo, e abraça-o para um passo de dança. Beija-o uma... duas e três vezes. Leva-o para o quarto e faz amor com ele, ainda em fresquíssimo luto pela perda. No outro dia deixa-lhe um bilhete entalado na porta. Tinha agora uma nova vida pela frente, não procurava explicações e recorda-lo-ia para sempre. Hermie, confuso, dobra o papel, guarda-o no bolso e volta para junto dos amigos. Tinham combinado apedrejar os dois agentes da Guarda Costeira. Um amor que morre para (de) outro nascer. Nem parece meu, mas gostei

2 comentários:

Florença disse...

Tu vens de férias mto romântico ;)

carla disse...

my friend, tás de volta :)