quinta-feira, maio 25

Milo ou Guido?

Tenho um amigo que ainda resiste ao meu (mau) feitio destemperado. Antes de carregar a mala de cartão para terras do Menneken Pis, acompanhava-me, amiúde, em animadas tertúlas ali às bandas de um bar recôndido da Estrela. Era lá que se partilhavam doses cavalares de cultura. Carburavam-se cigarros e molhava-se o goto com néctar de cevada. Faz muito bem à saúde, mas como é fermentado, esfrangalha os níveis de sobriedade. Era já nesse estado que trocávamos opiniões sobre a espécie feminina. Numa dessas ocasiões, os devaneios entre glandulas mamárias e glúteos desembocaram sobre a expressão gráfica do fenómeno-fêmea. Para ele, Milo Manara. Para mim, que vou muito mais ao âmago, Guido Crepax. O meu amigo é um tarado. O Milo só desenha ninfomaníacas. O Guido é o acasalamento do erotismo genuíno com a banda desenhada. Ao Milo o que é de Milo. Ao Milo calhava bem um Pato com Laranja ou uma edição especial em banda desenhada do concurso Tutti Frutti. Aquele em que as senhoras mostravam as mamocas ao som do caldo e freddo. Pelo traço do Guido, ficámos com a Valentina e adaptações de obras como História de O, Emmanuelle ou A Vénus das Peles. Ao Guido, muito respeitinho. Nasceu primeiro e já se quinou. Que Deus o guarde no repouso eterno. Amen!

1 comentário:

Durão Barroso disse...

Santé!