terça-feira, fevereiro 20

Teoria da consumidade

Quando reenquadramos a nossa vida como fieis depositários de determinado género de oferendas, poderemos dramaticamente constatar que encerrámos um ciclo. Recordando uma (quem sabe) premonitória observação de um amigo, dobrei a idade de Jesus. A partir daqui é o abismo. Um Judas Iscariote denuncia-me à fiscalização alfandegária e estou duas horas a encher galhetas por rebentar o plafond em material importado. Um pouco como Mel Gibson relatou cruamente na sua espécie-de-roteiro-pelas-mais apuradas-técnicas-da-degola chamado Paixão de Cristo. A questão é muito simples: o que fazer quando já não temos prateleiras que acautelem um ou outro ensejo que possa ainda germinar entre os caprichos sorvedores de estatuetas? Aquele enorme Silver Surfer açambarcou-me os centímetros quadrados que sobejavam. E como explicar a um agente da autoridade mais patriota, que possa eventualmente interpelar-me, que no próximo Verão ostentarei orgulhosamente uma camisola made in states, ornada na fábrica de talentos Marvel? E já agora, quem responsabiliza os imprudentes que largaram umas dezenas de notas, junto com dois cheques FNAC? É por isso que odeio aniversários. Convidam-nos a uma pornográfica alarvidade e a complexos exercícios aritméticos. Já não cabe nada lá em casa, mas arranja-se... fórmula

3 comentários:

flower power disse...

quem é amiguinha quem é?! e a esta não limpo o pó!

anarquista disse...

Já não cabe mais nada??? Nem mesmo mais nada? mai'nada???´nada, nada ??

Florença disse...

arranja-se sempre espaço para os prazeres da vida :D