quinta-feira, dezembro 14

Tetações

Um recente debate sobre os ofícios telefónicos lembrou-me a funcionária encarregue da complexa tarefa de encaminhar as chamadas aqui da casa. Nunca vi tanto empenho de uma mulher em premir teclas. Mais ainda. É raro beneficiarmos da oportunidade de conviver com pessoa de fôlego tão inesgotável, capaz de, num dia inteiro, rodar pela numerosa familia. Alguns entes, os mais chegados, têm mesmo direito a uma atenção suplementar. Chama-se a isto criatura de índole magnânima, com coração quente e amplo. Tão amplo que dilata violentamente a caixa torácica, a ponto de denunciar duas glândulas mamárias de proporções avantajadas. Tão avantajadas que desencadeavam eplilépticos afrontamentos de líbido a um antigo parceiro de trabalho. Não imaginava que um par de nutridos seios pudessem inspirar tão distorcidas fantasias. Até porque a criatura nem prima pela beleza. Há quem lhe apelide, de forma grosseira, cara de cavalo. Os mais polidos preferem chamar-lhe Rossy de Palma, uma das atrizes ícone do Almodovar e a cara chapada (ou estalada) da nossa telefonista. Quanto a mim, respeito-lhe a frontelidade e o zelo com que cuida do que é seu. Como naquela vez em que se engalfinhou com a segurita quando descobriu que a meretriz ligava o aquecedor de sua propriedade nas madrugadas de Inverno mais rigoroso. Realmente, também acho mal. Temos de ter peito para quem cobiça desenvergonhadamente os nossos bens. Por vezes, não há pára-choques, nem airbags, capazes de evitar embates frontais com invejosos que andam à mama dos pertences no seio de terceiros

3 comentários:

Anónimo disse...

É pá andas a implicar com o pessoal
todo? tu vê lá! tens seguro de vida?

Florença disse...

Está visto que um bom par de seios vale sempre mais que uma larinha laroca ;)

Woman disse...

Rossy de Palma é muito mau... Que lhe valham as glândulas.

Beijos