quarta-feira, janeiro 3

Abocalippo

Defini a minha sexualidade muito cedo. Acho que qualquer questão sobre as minhas preferências ficou esclarecida num serão televisivo familiar, quando passava a série Eu, Cláudio, que nos ficcionava as sombrias movimentações no Senado romano. Num desses episódios, a produção da BBC presenteou-me com uma mulher em pelota. Dilataram-se-me as iris, esbugalhei os glóbulos oculares e defini a minha orientação. Passei então a desdenhar tudo o que perigasse o meu imaturo ensejo. Talvez por isso, sempre me afligiu a fálica comercialização dos Calippos. Aquilo não é gelado para quem cobiça, desde tenra idade, mulheres nuas. Transigia na procura feminina pelo gelado cilíndrico. É natural. Faz parte. Edifica a personalidade da fêmea. Agora, incomodavam-me os companheiros de bola saciarem-se com sôfregas sorvidelas naquilo... Infelizmente, o produto continua a ser comercializado. Resistiu à mutação da década de 80 e continua a dar cartas num mercado galopantemente liberal, que já não conseguiu reter, porém, outro ícone das malandrices de uma Olá afeminada, o defunto O Dedo

2 comentários:

Florença disse...

É tão bom...Perdoa-se o mal que parece para o bem que sabe ;)

anarquista disse...

prefiro o de morango... sou fã de calipos.