sexta-feira, junho 23

Campeão diplomado

Os meus progenitores estiveram a limpar as teias de aranha lá nos cafundós e descobriram verdadeiras pérolas do meu passado. Entre os vários documentos históricos, um diploma de presença no primeiro triatlo escolar organizado em solo português. Vivia a minha curta digressão pela instituição religiosa da Estrela e decidi alinhar no evento. Só para desenjoar dos sermões e dar vazão ao musculo da perna. Alguns totós defendem que o importante é participar, mas o que verdadeiramente interessa são os resultados. Os meus foram fantásticos. No total dos 250 metros de piscina, 10 km em duas rodas e 2.000 metros de correria um tempo magnífico de 2:02 horas. Este registo chegava para a nossa Vanessa atravessar dois oceanos, mas não vamos esquecer que a versátil modalidade dava os primeiros passos aqui no cantinho da Europa. Ganhei os fundamentos da alta competição, posteriormente desenvolvidos em lúdicos sonhos no conforto da cama

quinta-feira, junho 22

Pela fresquinha



- Xiii, olha ali
- Quéquilo?
- Uma senhora em topless
- Topéchi lêtinho
- E agora vem aí outra
- Dôdi, dôdi?
- Ali, ali. Olha-me aquele backside
- Gande... cocó gandee

quarta-feira, junho 21

Esta é Páti

Demos um tratado de bola aos centro-americanos. Só não foram mais porque o anti-desportivismo desceu as bancadas e entrou pela pequena área mexicana dentro. Foi precisamente na altura em que Simãozão entregava a bola redondinha para Nuno Gomes, quando um mariachi apelidou o goleador encarnado de maricon. O homem, que até se prepara para nova boda, levou aquilo a peito e lá foi charutada direitinha ao terceiro anel, onde se localizava precisamente o engraçadinho. É verdade que o homem afinfa-lhe com amaciador logo depois do shampoo, mas perguntem lá à Esméria ou à Patricia Aguilar se o rapaz não cumpre. Perdeu um golo feito, mas pontapeou a desonra.

Oh Robbi, vai-te embora daqui

Há gente que não pode ver nada. Há gente que copia descaradamente. Há gente com muito pouca originalidade. O nosso Zé Cid foi o primeiríssimo pop-star a avançar com a brilhante ideia de mostrar o peito felpudo e todos os outros atributos por aí abaixo. Depois, vêm logo estes mesquinhos decalcar os génios. Afinal, quem és tu Robbie? Um magala, feijão-verde, recruta abaixo de zero. O Zé é zarolho, mas tem ideias primeiro que tu. E olha lá... onde é que meteste o CD?

terça-feira, junho 20

Sobre rodas

Um documentário hilariante que trata potenciais coitadinhos em reais bestas. A selecção paralímpica norte-americana de murderball, um género de râguebi em cadeira de rodas, acaba de dispensar o seu Eusébio. O problema que é a estrela, já entradota, digeriu mal a reforma e ganhou um ódio visceral à pátria. Resultado: fez as malinhas e ala para o inimigo Canadá. Toma conta da equipa nacional e prepara-se para a desforra com os compatriotas. Depois, é como se o nosso Pantera Negra puxasse histericamente por España desde a área técnica do banco de suplentes de nuestro hermanos. Pior ainda. É como se Eusébio se colocasse discretamente na linha lateral e pregasse uma valente rasteira ao supersónico Nuno Valente. Fora dos recintos, e dos calduços à traição do treinador ressabiado, os membros da selecção dos EUA são uns playboys. Garantem que as raparigas se afeiçoam ao charme de uma cadeira de rodas de alta competição. É vê-las, pobrezinhas, preocupadas com aquilo e se o dito cujo funciona. É ver, que vale mesmo a pena.

segunda-feira, junho 19

Burros mas engenhosos

Parece que as nossas faculdades andam a produzir maralhas de corruptos. Um recente estudo indica que os nossos dôtores são muito (chicos) espertos e pouco inteligentes. Mais de metade confessa que só a arte do copianço lhes vale o diploma. O mesmo estudo relaciona o recurso às cábulas com o fraquinho pelos euros. Ou seja, 62,4 por cento dos licenciados são potenciais corruptos. Levou tudo as mãos à cabeça. Não pelo risco de grande parte dos diplomados não perceberem puto do que exercem, mas pela vergonha de sermos dos europeus que mais facilita em troca de um maço de notas.

- Parece que já temos um diagnóstico.
- Então senhor doutor, é grave?
- Isso é o que vamos ver...
- Cura-se?
- Por 250 euros arranjo-lhe uma enfermaria com televisão. Por 500 uma cama ao lado da janela. Mas por duas semanas nas Maldivas, receito-lhe uma mezinha da minha avó e amanhã já anda a trepar pelas paredes.

domingo, junho 18

Kill Lia

Lembro-me de subir a rua das Janelas Verdes e de procurar pela porta do Kilas. O filme sobre o intruja de bairro foi o primeiro mega-êxito de produção interna e elevou Lia Gama ao estatuto de sex-symbol. Pepsi Rita, artista de cabaret, cobria as despesas do malandro, que por sua vez copulava com a dita na casa da madrinha. Tínhamos também a escanzelada da Paula Guedes, aviada num armazém por um bando de rufias em cima de uma mesa. Fonseca e Costa antecipou os condimentos de uma pelicula comercial e ofereceu-nos porradaria, sexo e mamas ao léu, com muita graça à mistura. Depois, o cinema português estagnou e só alguém se lembrava dele quando o soneca Manoel ganhava prémios lá fora. Hoje, toda a gente se baba com a Soraia, que ofereceu o corpinho para se enrolar com o padre. Eu quero ver daqui a 25 anos, quando aparecer na TVI a fazer de avó da protagonista de 17 aninhos, que engravidou do alegado irmão

sábado, junho 17

Óculos sem pilhas

Das profundezas da Amazónia, um humanóide anfíbio espalha o terror por um grupo de investigadores excursionistas. A trama agudiza-se quando a besta rapta a noiva de um dos aventureiros. O Monstro da Lagoa Negra, uma produção de 1954, foi a obra escolhida pela RTP para gozar com os contribuintes. Já lá vão mais de 20 anos. Os óculos 3-D esgotaram em três tempos e o país parou a metro e meio do televisor. O fiasco só não ganhou maiores proporções porque ainda se fazia o rescaldo às contas da Dona Branca. Ainda para mais, toda a gente esperava pelo resultado do sorteio realizado entre todos os pacóvios que adquiriram os óculos. Uma televisão a cores para os quase 10 milhões que ainda hoje padecem de tremuras na retina

Décima a décima, até ao caneco

Estou preocupado. O mister tinha avisado que bastava meio a zero. Mais uma vez, as quezilias emergiram e os nossos meninos trataram de contrariar o timoneiro. Frente à futura potência nuclear iraniana, os consumo-dependentes aviaram uma cabazada por dois golos sem resposta. Pelas minhas contas, gastaram-se 1,5 golos que podem vir a ser necessários na caminhada até Berlim. Espero agora que com o México moderem o instinto matador e despachem os centro-americanos com um 0,25 a 0. Chega a sobra para os deixar pelo caminho e até pode ajudar a uma heróica qualificação angolana. Quanto aos goleadores, tenham tino e poupem a artilharia para Holanda, Inglaterra, Brasil e, na final, os toscos dos argentinos. E ficam a faltar cinco...

sexta-feira, junho 16

Tubaralho

Fomos ao Zoo (plinc, plinc). Pior que a molha mesmo no finalzinho (plinc, plinc), foi aquela pouca vergonha. Para começar, 2.500 escudos por cabeça (plinc, plinc) e sem uma data de extras. Não havia golfinhos (plinc, plinc). Ou melhor, havia, mas os delfins só se dignavam a umas piruetas na zona de treinos. Milho aos pardais é o que foi (plinc, plinc). Depois, o elefante já não toca a corneta (plinc, plinc). Alguém se lembra de uma visita ao Zoo sem passar pelo mamute a fungar no apito? Fiquei todo encharcado e não vi o trombudo a fazer a gracinha (plinc, plinc). Mas há mais de menos. O pavilhão dos macacos perdeu a mística. Nos meus tempos de menino, havia um orangotango apalhaçado e um grupo de chimpazés peçonhentos que atiravam poias aos vidros (plinc, plinc). Isso é que era. Agora, um silêncio sepulcral. O único macacóide que resiste é um encorpado gorila que passa a vida a chonar (plinc, plinc). Na recta final da excursão, a nova coqueluche do espaço: a Quintinha. Sai-me um borrego das boxes com um corpanzil de meter medo (plinc, plinc). Mas ainda mais pavoroso, o lascívo par de túbaros a arrastar pelo pavimento. Aquilo tinha testosterona para dopar uma selecção olímpica inteirinha da ex-RDA (plinc, plinc). Foi por uma unha negra que não ocorreu à criança a pueril pergunta Qu'équilo? Para expurgar o incidente pornográfico, acabámos beatificados por uma bátega de água das antigas. Ainda pingo a benevolência divina (plinc, plinc)

Da Luz a Frankfurt

Foi comovente testemunhar o que estava reservado a Simão, Nuno Gomes, Petit e Quim. Umas centenas de indefectíveis juntou uns euros e ala para Frankfurt recepcionar à grande o quarteto de benfiquistas. Ao som do hino glorioso, aquele amontoado de gente brindou os quatro craques com a harmoniosa cadência que os elevará à condição de imortais, já no próximo dia 09 de Julho. A euforia amainou quando outros 19 badamecos se refugiaram na unidade hoteleira. Mas o alvoroço regressou pouco depois. Foi lembrada a ave de rapina que costuma planar por cá as penas antes de cada espectáculo encarnado. Vitória, Vitória, Vitória, gritaram, em imparável histeria colectiva, a ínfima parcela dos seis milhões. Um fenómeno sociológico este Benfica

Costas largas e muito calo nos pés

Nas vésperas da formalidade com o Irão, desatou tudo à bulha na equipa de todos nós. Dias depois de ter mandado o Deco para o estaleiro, Costinha veio dar graxa ao chefe e pediu para Scolari ficar. Parece que é o único treinador que o atura. Macambúzio, avisou que se deixarem fugir o brasileiro, Portugal dará dez passos atrás. O pior veio no dia seguinte. Figo deixou no ar o ambiente de crispação, rectificando em dobro o apelo do colega de equipa. Para o nosso capitão, não serão dez, mas vinte passos. Só espero que a marcha à rectaguarda não continue por aí fora. É que uma caminhada de regresso a casa ainda são uns valentes milhões de passos.

quinta-feira, junho 15

Hit the road Tony

You're in me
Wherever i go
Wherever i walk
Whatever i do
I do it dreaming of you
All the time



If i look to the sky
I find your eyes in the deep blue
If i look in the moonlight
I find you in it's brightness

I spend my life dreaming of you
I spend my life thinking of you
In everything i do or say
In everything i dream or live
You're allways in me

You don't leave me
Of my thoughts and my heart
I really don't know
If you're real or just an illusion
If i'm healthy or insane

If i look to the sun
In it's light i see your eyes
And your waves in the see waves
If you're away, you're present


Este homem esgota o Pavilhão Atlântico com excursões desde Pampilhosa da Serra. Este cantor português consegue lotar o mítico Olympia. Muito sinceramente, se cantasse em inglês e investisse num implante para substituir o inestético chinó, o Tony vendia muito mais que o Robbie Williams

Vruum, vruuummm

- Vamos dançar?

- Eu até ia, mas tenho o lombo todo dorido

- Coitado. Caíste?

- Nãã... fiz 200 voltas ao circuito de Palmela

- Tantas?! Não é muito?

- Muito? Mais 100 e entrava nos dez melhores de sempre

- Mas isso dá prémios?

- Prémios não, mas dá prestígio!

- Falta-te muito?

- Uns centésimos. Se não tivesse galgado aquele separador na curva 7

- Ooh, que pena. Qualquer dia levas-me a dar uma voltinha?

- Tás doida, estragas-me a média

Paleio de (des)engate de Ercílio Pistões numa garage party há 20 anos atrás

quarta-feira, junho 14

Pêlo sim, pêlo sim

Engane-se quem pensa que David Beckham é o grande culpado da mariquice que grassa no futebol. Antes do cônjuge da Posh Spice, já uma catrefada de jogadores depilava as pernas, empaturrava-se de creme hidratante e retocava semanalmente as guedelhas no cabeleireiro do bairro. A prova viva dos cuidados estéticos está registada numa interessante compêlação de Cris Freddi. Com as tendências revivalistas, que insistem transformar a moda num ping pong de estilos, pode ser que se arranje umas ideias para um corte early nineties. Pena que a colectânea se resuma (para já) ao futebol inglês. Lima, um brasileiro com duas botijas no rabo e uma poupa de dois palmos, passeou o par de troncos pelos relvados da Luz. Tinha um dom especial: transformar uma derrota (raríssima) do Benfica numa hilariante Stand Up Comedy. Levanta-te pá... levanta-te. Ganda boi!

UglymotHerFucker

Só ao fim de 20 anos a esgalhar em ultra high frequency se fez merecida justiça ao Jim Morrison português. Foi jockey em cavalos de corrida, subiu e desceu a Rua do Carmo a garujar mulheres bonitas, foi um mau rapaz na tua cama, fugiu com a Maria depois de a sequestrar à janela. Eu sei lá, fez tudo para ser famoso. Que me lembre, só não pousou nu com um CD de bronze nas partes badalhocas... mas hesitou. O empenho musical do homem com musgo nos dentes foi premiado finalmente no dobrar do milénio, com o mega-hit Sou Benfica. O penta-platina continua a batucar nas colunas de seis milhões de aparelhos. Já comprastes?

terça-feira, junho 13

FAz-se boa púbiscidade

Ainda mal refeitos da Pasta Medicinal Couto, tivemos de gramar com o Feno de Portugal. No meu tempo, os anúncios televisivos eram ridículos, aborrecidos ou cópias descaradas de genéricos. Vide o exemplo do spot do sabonete, que me lembrava amiude da Casa na Pradaria e aquela família toda a rebolar por ali abaixo. O FA acabou com o vergonhoso monopólio do sabão de aroma a lavanda. Era líquido, cheirava muito melhor e recorria a umas senhoras em pelota para passar a mensagem. Ramificou-se a ideia por tudo o que é produto comercializável. Hoje, até tinteiros de impressoras têm a chancela de garotas em tanga. Uma pouca vergonha... para o escriba mariquinhas do IMDB

segunda-feira, junho 12

Passarinho ácido

Quando passou em Portugal, desencadeou um pequeno turbilhão político devido às alegadas cenas explícitas. Depois do filme, o administrador da televisão pública pediu desculpas pela exibição de tal conteúdo, que transformou um incidente menor num mediático tema político. Nos dias de hoje, o rabo da actriz seria praticamente ignorado.

O excerto, traduzido à disparatada, figura na maior base de dados de cinema, o
IMDB. Não contesto os dados factuais, historicamente correctos. Agora dizer que hoje já ninguem repara no(s) rabo(s) da actriz(es) é uma falsidade desmedida, que deve ser denunciada. A rouca Monica Vitti, a eslava Barbara Bouchet e a voluptuosa Sabina de Guida eram três pitéus faz-favor e não mereciam o desdém do funcionário gay do Internet Movie Database.

Tramaram o Chico

A SIC acabou de mandar uns valentes milhões de euros para a sarjeta. Ou melhor, não foi a SIC, foi o Pauleta. O açoriano ainda disfarçou quando acertou nos painéis de publicidade aos 15 segundos. Mas aos três minutos cedeu ao instinto rapino e lá charutou para o fundo das redes. Portugal madrugou e ofereceu de bandeja um soporífero de 85 minutos. Resistiram, assim por alto, uns 400 telespectadores. Metade ainda foi espreitar a 2: para ver se arrebitava com a Ana Sousa Dias. Este zapping acidental remeteu a estação de Carnaxide para o último lugar das audiências. O Por Outro Lado agarrou os dorminhocos e resistiram duas centenas de sádicos, a torcer pela reedição da sarrafada de Alvalade. Mas os angolanos foram uns anjinhos, não houve fracturas expostas e lá prevaleceu o bocejo pela margem mínima. Nas ruas, uma dezena de materialistas vale-à-mesma-três-pontos buzinou. Alguns milhares de angolanos juntaram-se à festa porque acabaram com 11 e não apanharam com a "chapa cinco". E já só faltam seis jogos...

domingo, junho 11

Bocas de sapato

Como a tira postada atesta, o Bocas não tratava propriamente de bonecada infantil. Havia macacos que perdiam as mãos, coelhos que copulavam a ritmo disparatado e passarinhos esmigalhados por hipopótamos. Tinha piada. Só que a chalaça passou dos limites quando a malta achou que me assentava bem a alcunha. Sempre fui um rapaz robusto, mas nunca cheguei às proporções deste bovino. Mas pronto, os sapatinhos de camurça ajudaram à brincadeira.

No céu o limite, no chão um trambolhão

Começa hoje a homérica campanha que guindará os bravos lusitanos à tribuna VIP do Estádio de Berlim, a 09 de Julho, para erguer o caneco. Até lá, vamos espalhar nos relvados o virtuosismo que quase-quase nos garantia o título europeu. Apesar de chegar uma perna do Cristiano para desbaratinar toda a concorrência, os 23 guerreiros vão carregar no coração um decisivo suplemento energético para as conquistas vindouras. As sentidas palavras do nosso desterrado ex-primeiro, que em menos de uma semana visitou um par de vezes a selecção de todos nós. Em ambas as oportunidades, ocorreu-lhe a máxima dos predestinados: O céu é o limite! Ora Durão legitimava-se com os profundos conhecimentos de bola e o cortês trato com o esférico. A prova viva está no recente particular entre comissários e administrativos de Bruxelas. Durão envergava orgulhoso a braçadeira do lado dos patrões, mas estava em tarde não. A ganhar por 10-0, e temendo pelos empregos, os secretários da comissão começaram a facilitar. O caminho estava finalmente aberto, mas a redonda da bola traiu o alto comissário. A matreira armou-se em Petit, pregou uma rasteira ao capitão e lá foi ele num valente tralho do meio-campo até à baliza adversária. Não fosse a pérfida atitude da redondinha, este poderia muito bem ser o lance da reviravolta. Hoje, num momento de aperto, vamos todos lembrar o Zé Manel, que nos últimos seis meses tem tantos jogos nas pernas como o Costinha

sábado, junho 10

Entrou-me um gémeo para o olho

Pernas para que vos quero
Pela barriga que transportam
Andamento célere sobre os saltos
Apressa-se Rómulo, que Remo o seguirá
Gémeos que desvairam o olhar
Siameses deslaçando no caminhar
Ide ligeira para o lado de lá
Que de cá vos fito os contornos


Anónimo, ou um doido de bom gosto

Fui um galaró

Estava apinhado de miúdos. Metade fugiu quando o espectáculo começou. A entrada-feito-besta do espantalho das andas apavorou os pequenos. Foi berraria de meia-noite. Aquilo são modos de lançar o espectáculo?? São é maneiras de lançar toda a gente dali para fora. Livra, que até eu me acagacei todo. Ainda não estava reposta a função cardíaca, o coração voltou a palpitar desgovernado com a Mãe Biquita. Galinha ruiva, giraça, de farta melena. Sempre lhe achei um piadão e ao vivo é muito melhor. Estava eu eternecido com a matriarca dos galináceos, começa tudo a olhar-me de esguelha. Era o chibo do Pititão. Para se safar de uma sova do espantalho, sacudiu a água do capote para cima de mim. Aquele senhor, foi aquele senhor, gritava o cobarde. Oh pinto charila, estás a levar uma traulitada não tarda nada. Vem uma pessoa levar com uma hora de cacarejos e ainda apanha com as culpas

Lobby dos queijos

E cá estamos neste grande jogo de futebol e lá vai CTT pelo lado esquerdo do ataque. CTT finta um, finta dois, remata à baliza e é... selo, selo de Portugal!

Foi esta redacção de fino recorte literário que valeu um bilhete para a bancada central do estádio de Colónia. No domingo, um afilhado do Pauleta vai lá estar aos berros com-legendas-por-baixo. Não se compreende. Os correios de Portugal pediam uma frase (?!?!) que conjugasse CTT, selo e futebol. O júri, um grupo de insulares de certezinha, enamorou-se pela composição do jovem estudante açoriano e espezinhou as regras do jogo. As influencias gabrielanas são por demais evidentes. Saiu um relato sem piada nenhuma, mas o miúdo caiu nas graças de cinco carteiros com a quarta classe. Qualquer coisa como "Deixe a TV, vá com os CTT e carimbe um selo no Mundial de futebol" é muito mais engraçada. É concisa, não cansa e dá prestígio à empresa. É minha e da R. Ficámos em segundo e a chuchar no dedo

sexta-feira, junho 9

Fina flor do entulho

Quais Abba, qual carapuça. Dschinghis Khan é que era. O grupo que revolucionou a folk dance. Os cantores que exasperaram os palcos israelitas com as fatiotas mais catitas da história do festival. Foram trucidados pela crítica. No ano de 1979 cometeu-se a maior injustiça do concurso da Eurovisão. Os árbitros caseiros permitiram a revalidação do título a Israel. Gali Hatari e os Milk and Honey ganharam com uma foleirice chamada Hallelujah. Parece que foram precisos 27 anos para se repôr justiça. A Norte da Europa nasceu um novo mito que desforrou os injustiçados bailarinos alemães. Os Lordi, os metaleiros preferidos das crianças finlandesas. Em Portugal, há 27 anos, uma criança chorou. Hoje, adulto, ainda sabe trautear os Dschinghis. Huy (pirueta), hey (salto à rectaguarda) ... dschinghis khaaaan (tcharan)

Sembri una mucca

Há uns dias atrás, há uns 16.800 dias atrás, mais coisa menos coisa, andava a bambolear as voluptuosas formas pela Fonte de Trevi. Falavam de uma dolce vita, mas só se fosse para o Marcello, que se babava que nem um doido atrás desta sueca. A transe da líbido era tanta que lhe dava para arrotar uma ideia em cinco linguas diferentes. Enquanto chapinhava nas águas de Roma, confessava-se perdidinho pela Anita. Tu sei tutto. You are everything. Eu queria ouvir é agora, oh Don Juan

Todo catita!

Têm este aspecto clean, um bocado amaricado. O modelo original tinha, e tem, um discreta borratada verde ali para a zona do tornozelo. Diz a história que foram desenhados por um antigo jogador de tennis. Stan Smith não foi nenhum Pete Sampras, mas dava uns toques. Certo dia, a marca alemã desafiou-o a idealizar o téne perfeito. Saiu isto. A mãezinha devia ganhar a vida a trocar arrastadeiras. Eu tive uns e ainda hoje sinto náuseas.

Conversa de elevador


- Bom dia

- Munhia

- Para cima?

- Cima, sim

(clanque, planque)

...

- Estranho

- Perdão?

- Estranho, este barulho

(clanque, planque, clanque)

- Nunca mais arranjam isto

(clanque)

- Qualquer dia vamos todos por aí abaixo

- É... é sim

(planque, clanque)

- O cheiro

- Como?

- Este cheiro

(clanque)

- Sim, o cheiro

- Cheira a couves

- Cheira a bichos mortos

- Sim, sim, qualquer dia vamos todos por aí abaixo

quinta-feira, junho 8

Pedacinho de religião

Para os detractores calarem a revolta, depois do ensurdecedor protesto. Para os beatos ganharem fôlego. Para os púdicos repousarem as vistas. Para todos os não-me-toques. Para os indefectíveis do 70x7. Para os credos fundamentalistas. Ora petisquem lá uma fatia de retiro para degustarem as vossas preces.

Pra onde é que tás a olhar?!

Ainda hão de conseguir explicar-me, muito bem explicadinho, para que raio servem os decotes. Desculparão a minha teimosia, mas não consigo entender a utilidade daqueles arejamentos. Se estão com calores, arranjem uma ventoínha. O Desmond Morris é que tem razão. As moçoilas estão é todas danadinhas para preservar a espécie. Elas são batons e uma data de tintas na cara. Elas são vestidinhos justinhos. Elas são pares de glandulas que arrebentam qualquer escala moderada. Eu agora já não ligo nada a essas coisas, mas há uns valentes anos atrás tramei-me. A Dona Prazeres arranjou uma estudante para tomar conta dos pequenos na Hora de Estudo. Certo dia, a convencida da universitária sentou-se na mesa, ligeiramente debruçada e com o fecho eclair assim meio desgovernado. Só me lembro de ouvir um zziiiiiiiipp pra cima e um olhar de desdém para as minhas fuças. Corri dali para fora e só voltei a olhar para umas mamocas quando a raposa da Samantha me solicitou encarecidamente Touch me, touch me, i wanna feel your body

Vitinha & friends

Antes de se refastelar no sofá a ver os jogos do Mundial, o Vítor juntou um grupo de amigos do pontapé na bola e desafiou-os a escrever histórias para os mais pequenos. Um gesto bonito que merece o nosso reconhecimento. Eis alguns rabiscos desenrascados no tunel de acesso aos balneários.

Fui à Ásia passear. O Ricky foi fazer xixi e eu fiquei na baliza, Vítor Baía.

Era uma vez uma princesa galega. Ela piscou-me o olho. Eu dei-lhe um anel de diamantes. Ela nunca mais desamparou a loja e viveu feliz para sempre, Cristiano Ronaldo.

Ele não deslargava a bola. Dei-lhe duas caneladas e fiquei com a redondinha, Petit.

Tenho DVD's a cinco euros. Se passarem cá mais tarde, arranjo um par de Levis a dez euros, Quaresma.

quarta-feira, junho 7

Carta de amor

"Um aviso, desde logo: o texto que se segue é embaraçoso para a escritora e penoso para os leitores em geral. Margarida Rebelo Pinto repete-se imoderadamente, copia frases de uns para os outros livros, tem deslizes de ortografia e comete erros gramaticais", o autor dixit.

Oh Jóta Pê, então e os costumes mais tradicionais para dar nas vistas? Um raminho de flores, não? E que tal um cartão de visita perfumado, com o cantinho superior direito dobrado? Olha lá, um jantar parece-me boa ideia. Ela até que está precisada de um bom bife com batatas fritas. És tímido? Oh pá, então vai assim mais devagarinho. Tipo café e copinho de água. Com a tua bagagem, duas larachas e ela fica caídinha. Agora um livro inteirinho? Não será excessivo? Não serão muitas letras? Tu é que sabes. Cá para mim, prefiro-as mais rechonchudinhas.

Fila ou bicha?

Afinal em que é que ficamos? No meu tempo não havia rodriguinhos e era mesmo assim: Chiça, estou rebentado, passei duas horas na bicha. Hoje cai-me tudo em cima. Eh lá... grande tarado, não te chega o mulherio? Pois eu acho precisamente o contrário. Fila é delicodoce. Bicha é pra despachar. Quem diz fila tem cuidados. Os da bicha não andam cá com mariquices. Qualquer dia passamos todos a escrever Francoforte

Foste embora mamã

Na passadeira vermelha da Califórnia, Mel Gibson erguia o óscar pelo Braveheart. No mesmo ano, mas no velho continente, um corajoso realizador francês, Jacques Doillon, atribuia a uma miuda de três anos o papel principal no drama mais arrepiante da história do cinema. Ponette (Victoire Thivisol) perdeu a mãe, mas vá-se lá convencer a pequena que a senhora ficou toda esfrangalhada num acidente de viação. O filme trata da obstinação da criança em reencontrar a progenitora. Desafio todos os machos latinos a assistir àquela cena em que a criança assume definitivamente o luto quando começa a esgravatar a campa da falecida. O filme ideal para ver junto da mulher do melhor amigo e não ter ideias porcas.

... À procura em toda parte
Não importa se for longe
Hei-de encontrar-te

terça-feira, junho 6

Dança comigo!


Pretty girl on the hood of a Cadilac, yeah....
She’s broken down on freeway nine.
I take a look and her engine’s started,
I leave her purring and I roll on by....bye bye

Free love on the free love freeway,
The love is free and the freeway’s long...
I got some hot love on the hot-love freeway
I ain’t going home cos’ my baby’s gone

A little while later, see a senorita,
She’s caught a flat trying to make it home,
She says “Por favor, can you pump me up?”
I say “Muchos gracias, adios. Bye Bye.”

Free love on the freelove freeway,
The love is free and the freeway’s long
I got some hot love on the hotlove highway,
Ain't going home ‘cause my baby's gone.

Little while later I see a cowboy crying,
“Hey buddy, what can I do?
”He says “I lived a good life, had about a thousand women.”
I said “Why the tears?”,
he says “‘cause none of them was you.”

Free love on the free love freeway,
where the love is free and the freeway is long...
I got some hot love on the hot-love freeway
I ain’t going home cos’ my baby’s gone


David Brent sings Free Love

Copy-paste, copy-paste, copy-paste

A prova escrita - literária e literalmente - que dá muito mais gozo cascar nos outros. Neste particular, o gozão é João Pedro George e os outros são alguns escritores cotados na praça. Gente como Lobo Antunes, Mega Ferreira, Inês Pedrosa ou Possidónio Cachapa, entre um vasto team de doutorados dos livros. Num gozo hilariante, todos são reduzidos à categoria de tu-tens-é-a-mania-que-escreves-bem, pois - não sei se já vos disse - dá um gozo brutal cascar nos outros. Infelizmente, a creme de la creme, Margarida Rebelo Pinto, não figura nesta obra. Para a loura inteligente, que produz quatro livros por trimestre, nos quais dá muito gozo cascar, o Jóta Pê reservou uma publicação inteirinha, Couves e Alforrecas. Ficou uns dias no congelador, na sequência de uma providência cautelar da ofendida. Felizmente, e porque faz bem cascar no próximo, o tribunal considerou de interesse quase científico o peculiar transtorno obsessivo-compulsivo do copy-paste da autora. Vá-se lá perceber estes tarados, mas que dá um gozo brutal, ai isso dá

Vá de recto!

Estreia hoje, dia aprazado para o fim do Mundo, a versão hard-core do Pimentinha. Uma pobre senhora (gira como tudo) passa a vidinha às turras com um verdadeiro satanászinho, que tem uma tara pelos algoritmos. Por todas as contas que faça, o resultado da soma dos catetos é sempre três seis ordenadinhos. A pobre senhora (gira como tudo) já está pelos cabelos com tanta diabrura do anticristo. Será ela o último anjo na Terra?

- Acode-me Julia, acode-me que desfaleço
- Calminha, que tenho de dar alí duas galhetas ao miúdo. Oh Demo, não vires o avô do avesso!

segunda-feira, junho 5

Há que por-lhe Penicilina

Já na água erguendo vão, com grande pressa,
Com as argênteas caudas branca escuma;
Cloto co peito corta e atravessa
Com mais furor o mar do que costuma.
Salta Nise, Nerine se arremessa
Por cima da água crespa, em força suma.
Abrem caminho as ondas encurvadas
De temor das Nereidas apressadas.

in Lusíadas, As Nereidas (Canto II)


Por falar em sereias, lembrei-me de uma história de um noticiário de fim-de-semana. Um zeloso funcionário público da região Oeste teimou com uma senhora, de seu nome Nereida, que não podia transferir o mesmo baptismo para o rebento. Não figurava na lista e nem sequer sabia o que aquilo queria dizer. Mas pronto, com uma notazinha de 100 aérios dobrada na lapela, lá concedia um bocadinho e permitia Nereide ou Neireide. Nereida é que não e não. Ficou Catarina

Splash!

Tive colegas famosas. A esganiçada Anabela, a nova eleita do La Féria, passou por lá. A Carla Andrino idem. Outra actriz de série B, que fazia de namorada do Diogo Infante na novela da Dona Branca, foi também minha coleguinha de faculdade. Lembro-me também do Carlos Ribeiro estar lá batido todos os meses para pagar as propinas à filha, que nunca soube quem era. Falava-se que se escondia de vergonha. Agora não me recorda da Marta. Também aquilo eram oceanos de raparigas e umas berlengas de rapazes. Mas porra, é preciso mesmo azar não ter conhecido a licenciada mais gira do ISPA. E porra-porra, a sereia tinha logo de escolher aquela área. Oh dotôra, dores nas cruzes vale?

Post it

Não me posso esquecer. É que não me posso mesmo esquecer. A florzinha de estufa ainda dá cabo de mim. Vamos lá recapitular: seis papo-secos, dois robalinhos amanhados, fraldas para a miúda, pastilhas para o wc pato, uma caixinha de húngaros, palitos de la reine e o genérico do Nimed. Quando sair daqui tenho de ir direitinho às compras. Amanhã deve estar tudo fechado. Que feriado mais besta

domingo, junho 4

Andam a mercher com o Cris

Ainda no rescaldo da contundente vitória de Portugal, deixo o meu veemente repúdio para com a indisciplina do nosso Ronaldinho. Ir aos gasganetes do capitão luxemburguês ainda vá que não vá. Agora aquele lance na segunda parte merecia dois cartões vermelhos e um mandado de captura da Interpol. Então aquilo faz-se Cris? Ainda por cima aquele rapaz não tinha nada a ver com o ceifeiro do primeiro tempo. Com a baliza toda aberta, mandaste uma bolada ao defesa-pregado-na-linha-de-golo?? Tiveste sorte porque já tinhas prometido uma camisola autografada ao sôr árbitro. Andam a mercher com aquela cabecinha de vento. Quando é que é a próxima folga?

Portugal é fixe

Bomba nuclear. Gigantones do carnaval de Torres Vedras. Todas as metáforas que sugiram poder devastador ou grandiosidade são insuficientes para classificar a nossa selecção. Este sábado, em Metz, mostrámos que ganhamos a duas equipas do Brasil juntas. Há para aí uns teóricos que acham 3-0 poucoxinho, mas o Luxemburgo não é uma equipa qualquer. É uma equipa de operários. Há lá engenheiros, técnicos de contas e um ou dois canalizadores. Valeu a arte de um Simãozão para desarrolhar o muro de betão. Na selecção não há cores (até jogaram de negro) e o facto de ter sido um benfiquista a arrumar de vez com os mega-assalariados não interessa nada. Mas fica sempre ben

sábado, junho 3

Prêt à porter - Parte 2

Uns tempos mais tarde, deu-me outra paranóia. Agora eram umas botas da tropa. Desta feita, a argumentação foi mais metódica e fundamentada. Queria porque os meus colegas também tinham. O estilo assertivo deu inesperadamente frutos. Directamente do Alfeite, dois tijolos dos fuzileiros. Fiquei radiante. Calcinha verde, arregaçada até ao tornozelo, lá andava eu todo pipi, com dois mastodontes pretos a batucar o pavimento. Foi nestes propósitos que passei uma seca monumental numa clínica. Aquilo tinha um respeitável corredor, branquinho-branquinho. Uma brancura cristalina que quase cegava. Ui... foi chiadeira de meia-noite. Catapum para cima. Catapum para baixo. Uma meia hora depois, a catwalk já parecia o escalpe dos 101 dálmatas.

- Então filho, já estás aborrecido?
- Não mãe, fiquei com saudadinhas

Prêt à porter - Parte 1

O J. Badocha ia sempre à baliza. Um dia, chegou à escola com umas luvas de cabedal para defender os estoiros da rapaziada. Quis umas iguais. Assim que me lembre, foi o meu primeiro capricho de indumentária. Arquitectei um plano para conseguir os meus intentos. Aproximava-se o dia da árvore e estávamos todos convocados para arranjar os canteiros e plantar uns abetos. Pás e enxadas para esventrar a terra. Tinha de cuidar das mãos. E queria porque queria. E vá lá. Vai ser um dia penoso. Preciso de umas luvas. Duas semanas de aflitiva chantagem emocional desaguaram na drogaria mais próxima. Um belo par de luvas de borracha, com tracção à peça de louça mais escorregadia.

sexta-feira, junho 2

Atestado de paridade

O malandreco do professor já começou a impor autoridade. Recambiou a maldita lei que impunha um terço de senhoras nas listas eleitorais. Um terço?!? Daqui a nada as cotas subiam para metade. Daqui a um tudo mais nada, para dois terços... e por aí a fora. Não dava uns cinco anos e a Assembleia da República transformava-se num enorme salão de manicura. E depois, quem é que trabalhava naquela casa? Recordo que Mundiais e Europeus de futebol são só de dois em dois anos. Não faz mal nenhum antecipar, ou mesmo adiar, votações pela nossa selecção. Mas vamos agora imaginar aquelas bancadas cheias de mulherio. O país paralizava por falta de quórum. Às 13:00 a Oprah; às 15:00 o Dr. Phil. Depois, pelas 16:30, A Juíza. Logo a seguir, Minha Casa, Sua Casa. Um saltinho à TVI para chorar com o Dei-te Quase Tudo. Sem perder tempo, novo zapping para o Durante a Tua Ausência e rematar finalmente com o Jardim Surpresa. As mulheres já nem têm tempo para serem mulheres, quanto mais deputadas. Bem haja TV Cabo

Paixão eterna

Frank e Anita é um casal simpático que anda nas parangonas dos tablóides britânicos. Acabam de bater o recorde de longevidade de um casamento. Para aqueles que na cerimónia já estão a pensar na melhor forma de escapulir pelas traseiras, ora tomem lá: 78 aninhos de aliança no anelar. Obviamente que toda a gente se atropela para saber o segredo de quase 80 anos a aturar a fronha um do outro. Pois bem... as duas gastas existências fundamentam a relação num único pressuposto: discutir todos os dias.

- É hoje, Anita? É hoje?
- Ai Frank, mas tu só pensas nisso? Amanhã, talvez amanhã.
- Velha frígida!
- Labrego!

quinta-feira, junho 1

Amor de cabeceira

E trucas, e trucas. Agora por cima. Tungas, catrapungas. Vá, de ladecos. Zás, pumbas. Vai de missionário. E pás, catrapás. Agora vira-te. Catapum, catapum. Umas palmadinhas. Tap, tap

- Oh P. pára lá com isso. Queremos dormir

- Só mais um rodada, que isto agora é que está a animar

Há quem acredite em tudo desde que viu um porco a andar de bicicleta. Eu passei a ser crédulo depois de ver um gajo fazer amor com uma almofada

Flower Power

Às vezes é um problema para conservar intactas as cortinas lá de casa. E aquela toalha de mesa. Nunca mais lhe pus a vista em cima. A saia do outro dia tinha semelhanças suspeitas. Aqueles estampados de girassóis.... Mas adiante, fiz-me de desentendido. Sei também quase de cor e salteado o roteiro das feiras. Benfica, Carcavelos, Cascais, Charneca, Feijó, Costa da Caparica. Já palmilhei todas. Agora corto-me, simulando uma rotura de ligamentos. Está bem, admito. A foto a ilustrar é um bocado exagerada. Nunca a vi de sapatinho dourado

É pra tola, é pra tola, bonezinho pá bola

Uma revolucionária engenhoca para cuidar dos ultra-violeta. Para refrigerar o rosto, uma ventoínha, anexada na pala e accionada pelo pequeno painel solar apenso no topo do boné. Por mais cinco euros, traz canalização de cobre para uma banhoca ao fim do dia. Com um extra de mais 15, pode adquirir-se o modelo deluxe. Tem um sofazinho no interior. Revira-se o chapéu e ganha-se um aconchegante T0, com todas as comodidades básicas. Para as necessidades prementes, mija-se em qualquer canto

Pecha de puta

- Puta mãã... puta
- Hãããã?!
- Puta... puta nana
- O quê?!
- Puta nana... puta
- Oh Cice... não se fala assim da prima!
...
- Tens o número daquele psicólogo?
- ... mas ele não faz urgências
...
- Nana... puta nana
- Banana??... queres banana?
- Tim (arfando)... tim

Segunda-feira tenho a vasectomia