sexta-feira, setembro 22

Dias da rádio

Há vínculos de vida que me envelhecem assustadoramente. Foi nesta charamela de feixes hertzianos empoeirados que acompanhei as atribuladas desventuras de Patilhas e Ventoínha. A dupla de benfeitores que zelava descuidadamente pelo cumprimento das disposições legais. Era um fartote. Uma verdadeira pândega de risota com aquela dupla de trapalhões. O que eu me divertia com as piadas eucarísticas dos Parodiantes de Lisboa. Lembro-me de um dia a minha avó ordenar ditatorialmente que desligasse as turbinas do encorpado emissor. Preparava-se para acompanhar em directo as bodas de Carlos e Diana. O momento exigia silêncio solene e aquela porcaria debitava um valente ruído de fundo. E a frase. O que eu torcia para que o caro ouvinte se espalhasse ao comprido quando desafiado a repetir o chavão comercial do dia. Em reconhecimento da lealdade ao programa, premiava-se o caro ouvinte com a música pedida. Acho que foi de tocar tantas vezes no programa do Telefone que o Amanhã de Manhã se transformou no primeiro hit erótico pós 25 de Abril

4 comentários:

Anónimo disse...

O amanhã de manhã?
S.f.f refresca-me a memória!

fogacho disse...

Vamos acordar e ficar a ouvir
A rádio no ar, a chuva a cair
Eu vou-te abraçar e prender-te, então
No corpo que é teu, na cama, no chão
Os nossos lençóis e a colcha de lã
Eu vou-te abraçar,
Amanhã, de manhã

flower power disse...

ai doce, doce...

Joana disse...

não há condições... qq dia andas a divagar em como seria bom, como a tua vida teria sido diferente se tivesses concorrido aquele casting onde pediam "balarinos em collants de lycra" de uma qualquer cena hilariante do filme "A gaiola das malucas".... dasssssse.....!!!