sexta-feira, novembro 3

Bride pride

Numa sociedade preconceituosa e letal nos conceitos caluniosos, venho aqui sair em defesa dos funcionários públicos. Essa gente bem formada anda a alimentar com injustiça o anedotário, só pelo nosso gostinho em desdenhar na competência. Uma espécie de cobiça encapotada em desdém. Não entendo tanto preconceito. Só para calar os viperinos, conto aqui uma linda história de amor, que ruiu a inabalável compostura de mim mesmo. Empunhava o 37º ticket num balcão de atendimento. Esperei civilizadamente as horas necessárias até o gongo soar finalmente. Preparava-me para esclarecer ao que vinha quando a balconista me pede um segundo, pois a colega de serviço acabava de esparramar a nadegueira sobre o tampo da sua secretária. Acedi com cavalheirismo e esperei. Em bom tempo o fiz, pois o que se seguiu encheu-me o espírito daquele violeta e verde garrafa, tonalidades indissociáveis aos fundos das fotos de bodas. A colega rabuda empunhava orgulhosamente o anelar com o cachucho oferecido pelo noivo. Dissecados os quilates da sumptuosa preciosidade, a balconista aproveitou para solicitar à noiva conselhos sobre a melhor fatiota a envergar no casório. Como o anterior segundo que me pedira já se esgotara entretanto, pediu-me a balconista um outro mais. Atender-me-ia logo de pronto. Mais uma vez anui, de sorriso rasgado, pois o amor e seus derivados gozam de privilégio sobre trivialidades de impostos municipais. Soube então que a velhaca da sogra da colega cuzuda se preparava para levar um tailleur muito semelhante ao idealizado pela balconista. Ora bolas, voltámos então à estaca zero e passámos por novo processo de filtragem na escolha da melhor indumentária. Sucessivos segundos acumulados depois, não chegaram a conclusão alguma, mas emocionou-me aquele trato da colega rabuda, que nem sequer pediu desculpa aos 15 pindéricos que esperavam ainda pela sua vez. Isto porque os cerimoniais festivos de amor são prioritários e dispensam cortesia, educação, brio e vergonha. Fosga-se!! Bem dito regime da velha senhora, que providenciava muito espaço no Tarrafal aos excedentários. Agora, até mamas subsidiamos a estas gajas

4 comentários:

flower power disse...

assisti à cena e quase que passava para o outro lado do balcão em direcção às duas senhoras gajas para as chamar à razão. quanto às mamas...realmente...ele há com cada uma...

carla disse...

Nada como a simpatia, a eficiência, a rapidez, em suma o bom atendimento, nos balcões de grandes companhias privadas.

Anónimo disse...

Calma, muita calma. Foram anos a viciar esta mandriona populaça. E depois deste enorme sucesso alcançado, acham agora que esta boa gente vai mover aquele cu ao sabor do nosso "ritmo privado"?

Woman disse...

Eu não teria estômago... Estou aqui e não me aguento de raiva...
Incompetentes!!

Pobre de quem assistir às lágrimas derramadas depois do divórcio...