sábado, novembro 4

Kalmitos

Não sou de saudosismos bacocos, mas sinto falta dos Kalkitos. Apresentavam-nos um cenário de cartão e um celofan com bonecada. Seguia-se o desafio de acasalar as duas partes harmoniosamente. Pegava-se no plástico translúcido e desgrudava-se as figuras anexas sobre o cartão. Era viciante o processo criativo. Cheguei a cobrir cenários em cinco minutos, tal a ganância de contemplar o resultado final. Do abichanado General Custer ao herói de collants Superman, kalkitei um pouco de tudo. Infelizmente desapareceram e escancararam o mercado a uma série de empresas oportunistas. Limitaram-se a kalkitar parcialmente o conceito. Tornaram-no mais complexo e sinuoso. Há um par de anos, um refugiado belga ofereceu-me um super-mega-hiper album que transbordava cenários desertos. Competia-nos pegar nas resmas de auto-colantes anexas e escarrancha-las naqueles vazios de nada. Não me acostumei. Aquilo é um bacanal de perspectivas que é praticamente impossível adaptar cada figura ao local adequado. Só complicam estes modernistas. O Hulk que me parecia adequado ao deserto do Arizona, afinal estava a escangalhar a ponte de São Francisco. Enverdeci que nem a besta do mutante e renunciei aos propósitos lúdicos. Sou da velha guarda!

3 comentários:

carla disse...

Opá, agora fiquei nostálgica!
Bah pra ti...

Anónimo disse...

txiiiiiiiiiiii já nem me lembrava dos calquitos assim. É verdade, não eram só para pôr nos braços/mãos

=)

Woman disse...

Sabes? Eu também tenho saudades, e mesmo não sendo estes modernos tão especiais continuo a ser viciada. Coitadinho do meu sobrinho que não lhe deixo nem um...